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Mesmo sem holofotes, IA na indústria mantém sociedade em funcionamento

Luís Fernando Rodrigues
Última atualização: 30/09/2026 14:52
Luís Fernando Rodrigues - Engenheiro de Aplicações da Fracttal Brasil
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Enquanto o debate público prioriza questões sobre IA generativa, é a tecnologia na indústria que vem exercendo um impacto concreto para a sociedade. Ao apoiar o controle de fluxos, o acionamento automático de sistemas, a detecção de falhas e o monitoramento de equipamentos e processos, entre outras aplicações, o uso da inteligência artificial no setor industrial ajuda a tornar mais eficientes, seguros e confiáveis serviços como o abastecimento de água e o fornecimento de energia, que sustentam residências, hospitais e outras estruturas essenciais para a população. 

No Brasil, a indústria é o segmento protagonista no uso de inteligência artificial. O estudo State of Industrial AI Report da Cisco mostra que 66% dessas empresas já usam IA na rotina, número acima da média global de 61%, enquanto o uso deste recurso no conjunto das companhias brasileiras de todos os setores ainda está em 17%, como revela pesquisa da Cetic.Br. 

Mesmo com este protagonismo, a introdução dessa tecnologia em atividades administrativas tem mascarado o seu impacto no dia a dia. Apesar da ferramenta estar em alta, 46% da população brasileira ainda não compreende o que significa inteligência artificial de fato, de acordo com o relatório “Consumo e uso da Inteligência Artificial no Brasil”. 

Frequentemente, vincula-se a capacidade da inteligência artificial à sua aplicação individual com a IA Generativa e os chatbots, a chamada “IA de escritório”, quando, na verdade, elas atuam majoritariamente como automações, recebendo atenção desproporcional em relação aos benefícios estruturais proporcionados pelo uso da IA na indústria. 

Essa aposta na IA de escritório leva a um cenário de “cemitério de agentes”, ou seja, projetos e investimentos em ferramentas de IA que falharam ou nunca saíram do papel por não gerarem retornos mensuráveis. Prova disso é que, globalmente, apenas 5% das empresas saíram do piloto para a operação em escala, de acordo com o estudo The GenAI Divide. 

Nesse processo, debates sobre resiliência a falhas, latência, segurança, calibração de sensores e cibersegurança perdem espaço para discursos sobre automação de tarefas de escritório. Com isso, o impacto da tecnologia na indústria na vida das pessoas segue desconhecido para a maior parte da população. 

Maturidade do uso da IA na indústria

A aplicação de IA industrial já envolve retornos financeiros diretos por meio de análise de grandes volumes de dados, redução de horas manuais de recursos, otimização de processos, desenvolvimento de apps e softwares e, principalmente, prevenção de paradas operacionais. 

No setor de saneamento, por exemplo, uma falha pode interromper o tratamento de esgoto, criando um cenário para a contaminação do meio ambiente, o que coloca em risco a saúde da população. Já no segmento de energia, uma interrupção na distribuição pode comprometer diversos serviços essenciais para a sociedade, como o funcionamento de hospitais. 

Por isso, o emprego de tecnologia na indústria, principalmente na manutenção e gestão de ativos, tem se tornado uma prática cada vez mais comum. De acordo com o relatório “Inteligência Artificial e Manutenção no Brasil”, produzido pela Fracttal, 68% das empresas confiam na IA para reduzir custos e evitar falhas. 

Atualmente, a indústria está em busca de se tornar mais competitiva em escala mundial, por meio de atualizações constantes e adoção de novas ferramentas para otimização de processos. Já no Brasil, a última Pesquisa de Inovação (Pintec) Semestral indica que 89,1% das empresas do setor já aplicam tecnologias digitais avançadas. 

Nesse cenário, o perfil da tomada de decisões sofreu uma mudança significativa, pois, agora, essa tarefa não é mais 100% humana e reativa, mas assistida por dados em tempo real. A IA, no entanto, não substitui a equipe de manutenção ou operação, porém altera o momento e a qualidade deste processo. Dessa maneira, a maturidade do uso da tecnologia na indústria também envolve fatores como a base de dados, integração e pessoas, além do modelo de inteligência artificial empregado. 

O futuro da implementação da IA será pautado pela transição da tecnologia que apenas informa para sistemas que agem com supervisão humana e apoiam o operacional das indústrias e as decisões de manutenção. Nesta circunstância, possuir dados estruturados e acessíveis é um dos principais fatores para o sucesso da ferramenta nesse setor, pois sem um histórico confiável de ativos, ordens de serviço, medidores e falhas, não é possível estabelecer processos preditivos funcionais. 

Dentro deste contexto, surge a necessidade de um software com governança que organiza e seleciona as informações adequadas, considerando que configurar e treinar uma ferramenta de inteligência artificial em uma base de dados mal estruturada impacta a integração, a análise, os relatórios, a aplicabilidade de agentes e o funcionamento deste sistema. 

Desse modo, ganha importância nas companhias o processo de governança de operação e de dados, considerando que essa iniciativa pode proporcionar escalabilidade às empresas. É na transformação das informações coletadas em aprendizados sobre a própria rotina industrial que o Brasil tem uma grande oportunidade para se destacar nos próximos anos. 

Assim, a tecnologia na indústria, sem substituir a atuação humana, se torna um parceiro estratégico que auxilia na segurança no trabalho, na garantia de uma manutenção mais assertiva e no apoio a setores essenciais, como saneamento, saúde, limpeza e energia. Nesses ambientes, a inteligência artificial, mesmo que empregada primordialmente para melhorar a produtividade das atividades, também contribui para garantir a estabilidade e a disponibilidade das infraestruturas que sustentam a sociedade. 

Novos recursos tecnológicos continuarão avançando paralelamente, mas, sem a estrutura adequada, elas podem se traduzir em investimentos milionários sem retorno para os negócios. Por isso, fortalecer a cultura de inovação entre as empresas e ampliar a discussão sobre a IA que movimenta os setores base são fundamentais para destacar a maturidade da indústria brasileira e ampliar sua relevância no cenário global.

TAGS:opinião
Por Luís Fernando Rodrigues Engenheiro de Aplicações da Fracttal Brasil
Luís Fernando Rodrigues é Engenheiro de Aplicações da Fracttal Brasil, empresa que está revolucionando a manutenção e a gestão de ativos por meio de tecnologia de ponta.
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