Um dos maiores órgãos do Poder Judiciário brasileiro, reconhecido por sua maturidade em inovação e transformação digital, responsável pela prestação jurisdicional em uma importante unidade federativa do país, adotou uma estratégia contínua de evolução tecnológica baseada em computação em nuvem, automação, governança de tecnologia da informação (TI) e inteligência artificial. Essa estratégia contempla soluções voltadas ao apoio à gestão processual, à otimização das atividades administrativas e à ampliação da eficiência operacional, mantendo elevados padrões de disponibilidade, segurança e continuidade dos serviços essenciais.
Um dos principais desafios dessa jornada estava relacionado ao Processo Judicial Eletrônico (PJe), sistema de missão crítica que precisava ser migrado para a nuvem em um cenário de grande volume de dados e baixa tolerância à indisponibilidade.
O ambiente compreendia aproximadamente 150 TB de dados, sendo cerca de 20 TB correspondentes à base PostgreSQL e 130 TB a arquivos binários associados ao sistema. A criticidade da plataforma exigia restringir ao máximo a janela de indisponibilidade, já que uma interrupção prolongada poderia impactar milhares de usuários, incluindo magistrados, servidores e profissionais que dependem diariamente do PJe.
Além da transferência desse volume de dados, o projeto precisava manter o ambiente local operacional durante as etapas de replicação e validação, preservar a integridade das informações e integrar o novo ambiente ao modelo corporativo de governança de TI, com controles centralizados de segurança, políticas organizacionais e rastreabilidade das alterações.
A estratégia também deveria permitir uma reversão controlada. Antes da publicação da alteração no Domain Name System (DNS), o ambiente anterior poderia ser retomado imediatamente. Após a virada de produção e o início das gravações no banco em nuvem, uma eventual reversão dependeria de um procedimento específico de sincronização.
O desafio, portanto, consistia em executar a migração preservando a continuidade da operação judicial, a segurança, a conformidade e a integridade dos dados durante todo o processo.
Solução Implementada
A IOX Cloud estruturou a solução em uma arquitetura AWS voltada à alta disponibilidade, segurança e governança, preparando o ambiente de destino para receber uma carga de missão crítica.

A base de governança utilizou AWS Organizations e AWS Control Tower para estabelecer a landing zone, com contas e unidades organizacionais dedicadas à gestão, segurança, rede e aos ambientes de produção, desenvolvimento e testes. Essa organização permitiu separar responsabilidades, centralizar a aplicação de políticas e estabelecer controles específicos para cada domínio da operação.
Na camada de aplicação, o PJe foi migrado para o Amazon EKS, responsável pela orquestração dos contêineres Java e WildFly. A adoção do serviço ampliou a capacidade de escala, a resiliência e a padronização da operação das cargas de aplicação.
Na camada de dados, a base PostgreSQL, com cerca de 20 TB, foi replicada para instâncias do Amazon Elastic Compute Cloud (EC2). Durante a sincronização, o ambiente local permaneceu operacional enquanto a infraestrutura na AWS era preparada, validada e estabilizada. Também foram transferidos aproximadamente 130 TB de arquivos binários associados ao PJe.
A IOX utilizou replicação contínua para manter os ambientes sincronizados e reduzir o volume de alterações pendentes no momento da virada. Antes do corte, foram realizadas validações técnicas e funcionais para confirmar a integridade dos dados, o funcionamento da aplicação e a estabilidade do novo ambiente.
A entrada em produção ocorreu durante uma janela programada em um fim de semana. Após as verificações previstas, a alteração do DNS passou a direcionar os usuários para o ambiente na AWS.
A estratégia de reversão acompanhou essa transição. Até a publicação da alteração no DNS, o retorno ao ambiente local poderia ocorrer de forma imediata. Depois que o banco na AWS passou a receber novas gravações, uma eventual reversão passou a exigir sincronização. Para suportar esse cenário, foi criada uma nova réplica no ambiente local a partir do banco em operação na AWS.
A arquitetura de segurança foi centralizada em uma conta dedicada, com AWS Security Hub, Amazon GuardDuty, AWS Config e AWS CloudTrail apoiando o monitoramento de conformidade, a auditoria e a detecção de ameaças. O AWS KMS foi utilizado para a gestão das chaves de criptografia aplicadas aos recursos da arquitetura.
Na camada de rede, foram utilizadas VPCs e sub redes segregadas, interligadas pelo AWS Transit Gateway. A conectividade entre o ambiente local e a AWS foi estabelecida por uma VPN Site-to-Site, com controles centralizados de entrada, saída e inspeção de tráfego.
Resultados e Benefícios
Com a conclusão do projeto, o PJe passou a operar na AWS preservando a tecnologia PostgreSQL, sem condicionar a migração a uma mudança simultânea do banco de dados. Essa separação reduziu a complexidade da iniciativa e manteve aberta a possibilidade de modernização futura após a estabilização do ambiente.
A execução confirmou a viabilidade de transferir uma carga judicial de alta criticidade e grande volume de dados para a nuvem dentro de uma janela programada, mantendo os requisitos de segurança e integridade necessários à operação judicial.
A arquitetura implantada também estabeleceu uma base mais adequada para a evolução do PJe, com maior capacidade de expansão, segregação de responsabilidades e controles centralizados de segurança e governança. Futuras melhorias podem, assim, ser incorporadas gradualmente, sem a necessidade de vinculá-las ao evento inicial de migração.
O ambiente foi dimensionado com uma previsão de consumo anual de aproximadamente US$900 mil em serviços AWS, refletindo a escala da infraestrutura necessária para sustentar a operação do PJe na nuvem.
A experiência tornou-se uma referência para outros órgãos do Poder Judiciário que avaliam iniciativas semelhantes, demonstrando a aplicabilidade da abordagem a sistemas judiciais críticos com grandes bases de dados, janelas restritas para migração e elevada necessidade de continuidade dos serviços.
Sobre a IOX Cloud
A IOX Cloud é uma empresa especializada em computação em nuvem, com foco na migração, modernização, governança, segurança e operação de ambientes críticos, atuando principalmente no ecossistema do setor público.
Como AWS Advanced Tier Services Partner, possui experiência comprovada na execução de projetos complexos, apoiando organizações desde a avaliação e o planejamento até a migração, sustentação e otimização contínua dos ambientes em nuvem.
Com uma equipe de especialistas certificados AWS e mais de 10.000 horas dedicadas a projetos, a IOX adota uma abordagem consultiva baseada em boas práticas de arquitetura, automação, observabilidade, FinOps e segurança, entregando soluções escaláveis, resilientes e alinhadas aos objetivos estratégicos de seus clientes.