Quem chega aos camarotes da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) na Expointer 2026 encontra uma portaria diferente da tradicional. Em vez de apresentar convite, pulseira ou crachá, o acesso é feito por reconhecimento facial. A tecnologia, desenvolvida pela startup gaúcha Livintech, permite controlar quem entra em cada espaço e acompanhar a movimentação dos convidados em tempo real.
A solução está em operação durante a 49ª Expointer, que ocorre até 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Ao longo dos nove dias de programação, o setor de camarotes da ABCCC recebe provas do Cavalo Crioulo, leilões, jantares e recepções institucionais, com diferentes listas de convidados e regras de acesso.
O sistema faz a validação do rosto cadastrado e cruza a informação com as permissões atribuídas ao convidado. Na prática, não basta estar previamente cadastrado: é preciso ter autorização para acessar determinado camarote, no dia e horário definidos pelo responsável pelo espaço.
A tecnologia busca simplificar uma operação que envolve dezenas de camarotes e diferentes responsáveis pela administração das listas. Cada empresa ou criador pode definir seus convidados e as respectivas permissões, enquanto a equipe responsável pelo acesso recebe automaticamente as informações necessárias para a validação.
Da portaria à mesa
A tecnologia também é utilizada na organização de jantares e recepções. Antes do evento, o responsável pelo camarote pode definir a capacidade do espaço, cadastrar convidados e estabelecer a distribuição das mesas. Quando o convidado é identificado na entrada, a informação é atualizada no sistema e fica disponível para a equipe responsável pelo atendimento no salão. Assim, os profissionais conseguem saber quem chegou e para qual mesa a pessoa deve ser encaminhada.
A proposta é reduzir a dependência de listas e mapas impressos, que precisam ser atualizados sempre que há alterações de última hora na composição dos convidados.
Acompanhamento em tempo real
Além do controle de acesso, a plataforma permite que a organização acompanhe a operação por meio de um painel em tempo real. A coordenação pode visualizar as entradas por portaria, a ocupação dos camarotes e os acessos que foram negados pelo sistema.
Para a Livintech, o uso da tecnologia em um evento de grande porte também representa uma oportunidade de testar a solução em uma operação com alta circulação de pessoas e diferentes níveis de acesso. “Em eventos como a Expointer, não basta saber quem está autorizado a entrar. É preciso ter clareza sobre onde essa pessoa pode estar, em qual momento e como essas informações chegam à equipe que está na operação. A tecnologia permite transformar essas regras em processos mais simples e rastreáveis”, afirma o CEO e fundador da Livintech, Hugo Góes.
Biometria exige cuidados com dados
Por utilizar reconhecimento facial, a operação também envolve o tratamento de dados biométricos, classificados como dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Segundo a empresa, a solução utiliza mecanismos de consentimento, registro das operações, possibilidade de revogação e exclusão das imagens ao término do evento. A adoção desses procedimentos busca estabelecer regras claras para o tratamento das informações coletadas durante a operação.
Startup surgiu da experiência em campo
Sediada no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, a Livintech atua no desenvolvimento de soluções SaaS voltadas à segurança eletrônica e à automação de ambientes.
A startup surgiu como spin-off da Góes Connect, empresa com mais de uma década de atuação em projetos de CFTV, controle de acesso, redes estruturadas e automação. A experiência da empresa-mãe foi incorporada ao desenvolvimento da plataforma, que atualmente atende diferentes tipos de ambientes, entre residências, condomínios, indústrias e universidades.
A participação na Expointer faz parte do processo de expansão da solução para operações de maior escala. A empresa conta ainda com apoio do Sebrae para participação em feiras e foi selecionada para o Ebulição, programa de aceleração do Instituto Caldeira voltado a startups em fase de tração e co realizado com o Sebrae RS.


