São Paulo manteve a liderança entre os ecossistemas de startups da América Latina e aparece como o principal polo de inovação da região no Global Startup Ecosystem Report 2026 (GSER), estudo anual produzido pelo Startup Genome, organização internacional especializada em pesquisa e consultoria para ecossistemas de inovação.
Em sua 14ª edição, o relatório analisou 5,5 milhões de startups distribuídas em mais de 350 ecossistemas ao redor do mundo. A publicação é considerada uma das principais referências globais para investidores, formuladores de políticas públicas, corporações e empreendedores interessados em acompanhar a evolução da economia da inovação.
Na América Latina, o estudo aponta um cenário de contrastes: enquanto os investimentos em startups em estágio inicial seguem pressionados pela menor disponibilidade de capital, os aportes em empresas mais maduras voltaram a crescer. Ao mesmo tempo, a região registrou uma forte aceleração nas operações de saída — como aquisições e aberturas de capital — indicando maior liquidez para investidores e fundadores.
Os dados mostram que o financiamento de rodadas Série A recuou 30% entre 2024 e 2025 na América Latina. As projeções com base no primeiro trimestre de 2026 indicam que a tendência de retração pode continuar ao longo do ano. Em sentido oposto, os investimentos em startups em estágio avançado cresceram 39% em 2025, sinalizando maior seletividade dos investidores e preferência por empresas com modelos de negócio já validados.
Outro indicador que chamou a atenção foi o volume de exits. Segundo o Startup Genome, o primeiro trimestre de 2026 registrou um nível próximo ao recorde histórico na região. As operações avaliadas acima de US$ 50 milhões cresceram de forma expressiva, e o volume registrado apenas nos três primeiros meses do ano superou todo o resultado observado em 2025.
São Paulo amplia vantagem regional
O desempenho da América Latina continua concentrado em alguns polos específicos. No ranking regional do GSER 2026, São Paulo ocupa a primeira posição, seguida por Cidade do México, Santiago-Valparaíso (Chile), Bogotá (Colômbia) e Buenos Aires (Argentina). A lista dos dez principais ecossistemas latino-americanos inclui ainda Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre e Monterrey (México).
Além da liderança regional, São Paulo aparece na 37ª posição entre os principais ecossistemas de startups do mundo. O relatório atribui parte desse desempenho à capacidade da cidade de concentrar capital, talentos, universidades, grandes empresas e investidores.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do ecossistema. O valor gerado pelas startups paulistas alcançou US$ 55 bilhões no período analisado pelo Startup Genome — patamar mais de 14 vezes superior à média dos ecossistemas latino-americanos, estimada em US$ 3,9 bilhões. A concentração de capital também reforça essa posição. Em 2025, o Brasil recebeu US$ 2,03 bilhões em investimentos de venture capital, equivalente a 52,9% de todo o volume destinado à América Latina. Boa parte desses recursos foi direcionada para empresas sediadas em São Paulo ou conectadas ao ecossistema local.
O amadurecimento do mercado também se reflete na geração de liquidez. Entre 2021 e 2025, São Paulo registrou 425 operações de saída — incluindo aquisições e aberturas de capital — que somaram US$ 53 bilhões. Atualmente, o ecossistema abriga 16 unicórnios ativos.
O ranking completo da América Latina inclui 19 ecossistemas. Para ser listado no ranking regional, um ecossistema precisa estar no Top 40 Global, no Top 200 de Ecossistemas Emergentes, ou possuir um Valor de Ecossistema superior a US$ 200 milhões.
1. São Paulo (Brasil)
2. Cidade do México (México)
3. Santiago-Valparaíso (Chile)
4. Bogotá (Colômbia)
5. Buenos Aires (Argentina)
6. Rio de Janeiro (Brasil)
7. Curitiba (Brasil)
8. Belo Horizonte (Brasil)
9. Porto Alegre (Brasil)
10. Monterrey (México)
11. Lima (Peru)
12. Guadalajara (México)
13. Recife (Brasil)
14. Córdoba (Argentina)
15. Medellín (Colômbia)
16. Florianópolis (Brasil)
17. Montevidéu (Uruguai), Quito (Equador) e Uberlândia (Brasil)
“A forte presença de cidades brasileiras entre os principais ecossistemas da América Latina confirmam que o Brasil ocupa uma posição estratégica na economia da inovação da região”, comenta o Diretor Técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick. “É fundamental transformar esse dinamismo em oportunidades para empreendedores de todo o país. O fortalecimento dos ecossistemas locais amplia a geração de empregos qualificados, aumenta a competitividade das empresas brasileiras e contribui para uma economia mais inovadora e sustentável”.
Os 10 maiores ecossistemas de startups do mundo
O ranking global do GSER reúne os ecossistemas mais maduros do planeta, considerando fatores como volume de investimentos, geração de valor e quantidade de grandes saídas avaliadas acima de US$ 50 milhões.
1. Vale do Silício
2. Nova York
3. Londres
4. Tel Aviv
5. Boston
6. Los Angeles (empatado com Pequim)
7. Pequim (empatado com Los Angeles)
8. Singapura
9. Seul
10. Seattle
São Paulo aparece na 37ª posição global, sendo o único ecossistema latino-americano presente entre os 40 maiores do mundo.
Além dos polos já consolidados, o relatório acompanha ecossistemas em rápida ascensão que podem ocupar posições de destaque na próxima década. O ranking de ecossistemas emergentes é liderado por Mumbai, seguida por Istambul e Madri.
1. Mumbai
2. Istambul
3. Madri
4. Salt Lake-Provo
5. Barcelona
6. Phoenix
7. Manchester-Liverpool
8. Grande Helsinque
9. Nanjing
10. Grande Região de Lausanne
Sobre o estudo
O Startup Genome é uma empresa global de pesquisa e consultoria em políticas de inovação. A organização atua com governos, agências públicas e privadas, corporações e fundadores, e já orientou políticas para mais de 200 ministérios e agências de desenvolvimento econômico em mais de 80 países. Em sua 14ª edição, o Global Startup Ecosystem Report 2026 analisou 5,5 milhões de startups em mais de 350 ecossistemas globais. O estudo reúne rankings, dados regionais e tendências para apoiar investidores, formuladores de políticas públicas, empreendedores e demais atores do mercado de inovação.
Desde o ano passado, o Startup Genome é parceiro do Sebrae Startups, que passou aplicar no Brasil a metodologia de análise comparativa já adotada pelo Genome em mais de 65 países. A parceria tem o objetivo de ampliar o uso de dados e referências internacionais na formulação de políticas públicas e estratégias de fomento às startups brasileiras.

