A promessa é sedutora: menos tarefas repetitivas, mais produtividade e decisões mais rápidas. Mas, enquanto as empresas aceleram a adoção da inteligência artificial, um fenômeno silencioso começa a chamar a atenção de especialistas: o tempo gasto para aprender a usar a tecnologia raramente entra na conta. O resultado pode ser uma falsa sensação de produtividade, em que os ganhos esperados demoram a aparecer porque o esforço necessário para fazer a IA funcionar é subestimado.
Segundo Bianca Aichinger, especialista em desenvolvimento de lideranças e transformação cultural e sócia da Quantum Development, existe uma curva de aprendizado que costuma ser subestimada pelas organizações. “Existe uma curva de aprendizado real no uso de inteligência artificial, e ela é mais complexa do que parece à primeira vista. Ela acontece em dois níveis: o do usuário e o da organização que quer automatizar os seus processos.” Ela explica que, para os profissionais, o desafio começa ainda na escolha das ferramentas. São muitas opções e o usuário testa um pouco de cada uma, não gerando aprofundamento e qualidade em nenhuma.
Quando o assunto é produtividade, Bianca afirma que os ganhos existem, mas costumam vir acompanhados de um esforço invisível. “É preciso formular boas instruções, testar abordagens, revisar o que foi gerado e ajustar quando o resultado não está certo. O ganho existe, mas é menor do que parece, e o esforço é real.” Segundo ela, muitas empresas deixam de considerar esse investimento de tempo ao avaliar os resultados da adoção da tecnologia. “O problema não é que esse esforço exista, é não reconhecê-lo. Quando a empresa ignora esse tempo, não aloca recursos para treinamento, não cria espaço para compartilhamento de conhecimento e para errar e aprender, e não desenvolve padrões internos de uso.”
O papel da liderança na aprendizagem
Nesse contexto, o papel da liderança torna-se decisivo. “A questão não é a tecnologia, é como a liderança conduz a adoção dela. Quando a IA chega sem direção clara, cada pessoa resolve o problema do seu jeito.” Para a especialista, os líderes precisam criar um ambiente seguro para experimentação e aprendizado. Além disso, ela destaca que a equipe deve ter espaço para testar, errar e aprender juntos.
Para Bianca, as organizações que conseguem extrair valor real da inteligência artificial são justamente aquelas que utilizam a tecnologia para revisar a forma como trabalham. “Organizações que integram IA de forma estratégica tratam a tecnologia como um pretexto para revisar como trabalham. Elas percebem que a IA expõe o que sempre existiu, processos mal definidos, decisões sem dono, regras que vivem na cabeça das pessoas.” Mais do que escolher a ferramenta certa, ela defende que o diferencial está na capacidade de transformar aprendizado individual em conhecimento coletivo. “A diferença não está na tecnologia escolhida. Está no que a organização faz com o que aprende ao usá-la.”
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que somam mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a empresa tem em seu portfólio clientes como Grupo Leveros e Uappi.


