A Amcham Brasil apresentou na quinta-feira, 28, em Porto Alegre, os resultados da pesquisa Panorama Liderança 2026, estudo realizado em parceria com a Humanizadas que pauta toda a temporada 2026 do CEO Forum da entidade, neste ano com o tema “O Desafio da Execução”.
A edição Rio Grande do Sul do CEO Forum reuniu lideranças empresariais para discutir os desafios da alta gestão em um ambiente marcado por transformação tecnológica, pressão por produtividade e necessidade crescente de capacidade de execução.
O levantamento ouviu 662 executivos e executivas de empresas brasileiras, sendo que 73% ocupam posições de decisão. A pesquisa reúne principalmente lideranças de empresas de médio e grande porte, que somam cerca de 685 mil colaboradores e faturamento estimado em R$ 814 bilhões.
Principais desafios para transformar estratégia em execução
Segundo a pesquisa, o principal desafio das empresas brasileiras hoje não está mais na formulação da estratégia, mas na capacidade de executá-la de maneira consistente para alcançar resultados concretos.
Para 42% dos executivos, a maior dificuldade está justamente em transformar estratégia em plano de ação. Também aparecem entre os principais gargalos da execução restrições de recursos (35%), desalinhamento entre áreas (30%), resistência à mudança (30%), baixa disciplina de execução (29%) e falta de clareza nas prioridades (29%).
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou na abertura do encontro no Teatro Bourbon Country que a execução exige disciplina contínua das lideranças. “Enquanto a estratégia cabe em alguns slides… a execução ocupa o ano inteiro, muitas vezes inclusive os fins de semana”.
O que diferencia empresas que executam melhor
A pesquisa também identificou os principais fatores presentes nas organizações com maior capacidade de entrega.
Entre os fatores que mais diferenciam empresas com alta capacidade de execução estão:
- clareza estratégica e foco nas prioridades;
- liderança capaz de mobilizar a execução;
- uso inteligente de dados;
- capacidade de adaptação;
- desenvolvimento contínuo de talentos-chave;
- colaboração entre áreas.
Para Abrão Neto, não existe uma solução única para elevar a performance organizacional. “Não há uma receita mágica e sim a necessidade de comunicação clara, disciplina e cuidado constante com os talentos”, destacou.
Liderança e engajamento estão diretamente conectados
Outro dado relevante da pesquisa aponta o impacto direto da qualidade da liderança sobre a execução e os resultados das organizações.
Segundo os executivos entrevistados, o principal custo invisível de lideranças despreparadas aparece no baixo engajamento das equipes (67%), perda silenciosa de talentos (55%), decisões ruins com aparência de acerto (49%) e queda de performance camuflada (41%).
O estudo mostra ainda que as maiores lacunas de liderança nas empresas brasileiras hoje estão ligadas às chamadas soft skills, especialmente comunicação assertiva, gestão de talentos e inteligência emocional.
Empresas ainda priorizam indicadores de curto prazo
A pesquisa também mostra que as empresas brasileiras ainda concentram a avaliação de performance principalmente em indicadores de resultado imediato.
As principais métricas utilizadas atualmente pelas organizações são:
- – atingimento de metas estratégicas (83%);
- – indicadores financeiros, como lucro, receita e margem (81%);
- – produtividade, eficiência operacional e uso de recursos (58%);
- – engajamento e clima interno (58%);
- – satisfação e retenção de clientes (56%).
Segundo Abrão Neto, a pesquisa aponta avanços importantes, mas ainda revela espaço para ampliar métricas ligadas à inovação e construção de vantagem competitiva de longo prazo. “É positivo notar um gradual crescimento no uso de métricas como produtividade, clima interno e satisfação do cliente. Mas ainda existe menor atenção para fatores que constroem vantagem competitiva para o futuro, como reputação, imagem e inovação”.
Inteligência artificial ganha espaço na tomada de decisão
O levantamento também abordou o papel da inteligência artificial no apoio às lideranças empresariais.
Entre os principais usos da IA apontados pelos executivos estão:
- – transformar grandes volumes de dados em insights acionáveis (68%);
- – antecipar riscos e gargalos operacionais (62%);
- – recomendar ações para aumento de desempenho (50%).
Baixe a pesquisa completa


