Com a fiscalização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em pouco mais de um mês, é urgente a necessidade das empresas brasileiras se adequarem às novas exigências que incluem, pela primeira vez, a obrigatoriedade de mapear, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Em 2025, de acordo com o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 546.254 afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior, com ansiedade e depressão sendo as principais causas.
“O ano de 2026 marca um ponto de virada importante para a NR-1. A norma amplia o olhar sobre os riscos psicossociais e exige que as organizações atuem de forma mais estruturada e preventiva. Criamos um evento pensado para traduzir essas exigências em ações concretas, com linguagem acessível e foco na prática, o Summit NR-01, realizado recentemente. Essa vai ser uma habilidade essencial para os gestores: saber como transformar a norma em ações concretas no ambiente de trabalho”, afirma Ricardo Mattos, CEO da Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics.
O evento contou com a participação de especialistas em saúde ocupacional e saúde mental, que renderam 5 dicas para as organizações que ainda não se adequaram à norma. Veja abaixo.
1 – Para Izabella Camargo, a norma terá impacto direto na liderança
“A NR-01 impacta diretamente as lideranças ao exigir que riscos psicossociais, como assédio, excesso de demandas, falta de autonomia e baixa previsibilidade, sejam identificados e gerenciados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), posicionando os gestores como responsáveis pela prevenção de estresse e esgotamento nas equipes. Líderes contam com ferramentas práticas, como escuta ativa, mapeamento de sinais precoces, como absenteísmo ou queda de engajamento, e protocolos de intervenção rápida, enquanto um plano de ação pode incluir diagnóstico inicial, treinamentos, ajustes organizacionais e monitoramento contínuo para resultados tangíveis”, explica a jornalista e especialista em saúde mental no trabalho, reconhecida por sua trajetória na comunicação e por liderar o debate sobre a Síndrome de Burnout no Brasil.
2 – De acordo com Rogério Muniz de Andrade, a gestão de riscos ocupacionais precisa estar integrada à rotina da empresa
“Para os psicólogos organizacionais, o olhar sai apenas do acolhimento do sofrimento e passa a atuar na prevenção, conectando escuta qualificada, análise da organização do trabalho e construção de medidas concretas de controle. A saúde mental deixa de ser tratada como reação ao problema e passa a compor a estratégia de gestão, com inventário de riscos mais preciso, planos de ação mais efetivos e intervenções possíveis já no dia seguinte”, pondera Rogério, Clínico Geral e Médico do Trabalho, Chefe da Clínica de Doenças do Trabalho do Hospital das Clínicas da FMUSP e professor do Curso de Pós-graduação em Medicina do Trabalho da FMUSP. O especialista atua em projetos de saúde corporativa, GRO e PGR, com experiência em grandes empresas.
3 – Já de acordo com Anna Carolina Neves, a comunicação dos resultados precisa ser estratégica
“No ambiente digital, o rigor científico começa na escolha de instrumentos psicométricos validados e na leitura responsável dos dados, garantindo que o diagnóstico de riscos psicossociais seja confiável, comparável e útil para a tomada de decisão. Isso permite transformar percepções dispersas em indicadores quantitativos consistentes, capazes de revelar o contexto laboral, os impactos emocionais do trabalho e a relação entre percepção organizacional, bem-estar e retenção de talentos. Ao mesmo tempo, a comunicação dos resultados precisa ser estratégica e segmentada, traduzindo evidências técnicas em mensagens claras para lideranças, RH e equipes, de modo que os achados apoiem ações concretas e fortaleçam uma cultura de prevenção”, complementa a Psicóloga, mestre em Psicologia com ênfase em Avaliação Psicológica.
Anna Carolina Atua no departamento de Produtos e Pesquisa da Vetor Editora. É coautora do teste Atenção Online (AOL) e dos manuais técnicos atualizados do Teste Não Verbal de Inteligência R-1 e do Teste Palográfico. Docente em cursos de extensão e pós-graduação.
4 – Para Fernando Akio Mariya, falar de fatores psicossociais é essencial
“Esses fatores psicossociais representam as condições objetivas do trabalho que impactam diretamente a saúde mental, indo além de questões individuais para prevenir estresse, burnout e turnover. A NR-01 estabelece o marco legal ao exigir sua inclusão obrigatória no PGR e no GRO, transformando a gestão de riscos em processo contínuo com inventário e plano de ação que psicólogos organizacionais ajudam a construir com rigor. Ferramentas de avaliação validadas, combinadas com triangulação de evidências, com questionários, entrevistas e indicadores, geram diagnósticos precisos e acionáveis”, complementa o Médico do Trabalho, especialista em saúde ocupacional e Diretor Médico na P&G para a América Latina.
Fernando é referência em saúde mental no trabalho e riscos psicossociais, com atuação em programas de qualidade de vida e implementação da NR-01 em grandes organizações.
5 – Erica Hokama revela que estratégias de engajamento em saúde mental transformam a prevenção em prática cotidiana
“É importante ter planos de ação claros para a manutenção do bem-estar que integram a NR-01 ao dia a dia organizacional. Comitês de saúde mental, aliados ao desenvolvimento de lideranças capacitadas, promovem segurança psicológica essencial para o engajamento autêntico das equipes, criando ambientes onde as vulnerabilidades são acolhidas. O suporte imediato para crises complementa protocolos preventivos e reforça a cultura de cuidado proativa e sustentável nas companhias”, finaliza a Psicóloga, doutora e Mestre em Psicologia da Saúde, especialista em Psicopatologia e Saúde Pública. Doutoranda em Ciências do Envelhecimento (com ênfase em Trabalho e Novas Tecnologias).
Com 24 anos em gestão de pessoas, Erica atua em consultoria especializada em Saúde Mental nas Organizações, parceira da Vetor Editora em projetos na área.
Sobre a Vetor Editora:
A Vetor Editora, parte do grupo Giunti Psychometrics, líder em psicometria científica, é referência em materiais e tecnologia para avaliação psicológica e manutenção da saúde mental nas empresas. Criada há 58 anos para contribuir com o exercício da psicologia em diversas áreas, desenvolve e oferece cerca de 100 instrumentos psicológicos que podem ser aplicados e corrigidos por meio da sua plataforma, a VOL Vetor Online. Com sua linha de negócios, a Vetor Serviços, presta serviços de contratação, consultoria e treinamentos na área de Recursos Humanos, auxiliando companhias a avançarem nos cuidados com o bem-estar emocional dos profissionais, e conta com mais de 40 mil clientes, entre eles MRS Logística, Sodexo, Gerdau, etc. Além disso, a editora foi reconhecida com o selo Great Place to Work por dois anos consecutivos, 2023-2024 e 2024-2025, uma certificação que avalia a opinião dos colaboradores acerca da cultura organizacional, liderança, comunicação, benefícios, respeito, credibilidade, entre outros.


