A história da humanidade é escrita em momentos de crise. Há 74 mil anos, a erupção que aconteceu no Monte Toba, na Indonésia, reduziu nossa espécie a menos de 10.000 sobreviventes, forçando uma cooperação para a sobrevivência. Em 1900, as metrópoles enfrentavam o colapso do transporte animal e montanhas de estrume que tornavam as cidades insalubres; a solução não veio do retorno ao campo, mas do choque tecnológico entre Thomas Edison e Henry Ford. Hoje, em 2026, vivemos um novo ponto de atrito: a transição energética e a digitalização acelerada são os protagonistas da nossa próxima grande reinvenção.
O cenário macro atual é definido por tensões geopolíticas, como a que está envolvendo o Estreito de Ormuz. Com apenas 21 milhas de largura, uma disrupção nesse ponto pode remover até 30% da produção mundial de energia, gerando blecautes em mercados dependentes. Somado a isso, enfrentamos a hiperfinanceirização, onde o volume de “barris de papel” (contratos financeiros) é 20 a 30 vezes superior ao volume físico de petróleo, gerando uma volatilidade controlada por algoritmos que muitas vezes ignoram a realidade produtiva.
E é nesse cenário que a inovação é apontada como a principal rota de escape baseada no histórico de superação da sociedade. O que antes era ficção, em 2026 já é execução: reatores modulares pequenos (SMRs), transmissão de eletricidade sem fios e data centers espaciais que aproveitam o vácuo para refrigeração e energia solar ininterrupta. A inteligência artificial, que processa trilhões de operações por segundo, permite hoje identificar centenas de milhares de novos materiais e prever doenças com anos de antecedência.
Para o Brasil, o horizonte se mostra de expansão estratégica. A entrada em vigor provisória do Acordo Mercosul-União Europeia, em 1º de maio de 2026, consolida uma área de livre comércio de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões. Este tratado é um divisor de águas que reduz barreiras para o setor de tecnologia entre outros.
Um estudo de inteligência de mercado da ApexBrasil aponta um potencial imediato para 543 produtos brasileiros no mercado europeu, representando um mercado importador de US$ 43,9 bilhões. Setores como máquinas, motores elétricos e aeronaves, além de nichos de alto valor como o mel e frutas frescas, agora possuem desgravação tarifária para competir em pé de igualdade no bloco.
Contudo, a tecnologia é apenas o meio; o fim deve ser humano. Em um ambiente cada vez mais automatizado, já estamos vivenciando as consequências na saúde dos humanos e da natureza. Não é a toa que neste ano o tema dos principais eventos de tecnologia e inovação abordam o lado humano nesta sociedade tecnológica, em contrapartida existe uma leva de altos executivos se vangloriando em anunciar que estão reduzindo os postos de trabalho pela IA com foco na eficiência econômica do negócio.
O importante é a ampliação da consciência sobre o uso inteligência artificial e demais tecnologias para liberar o tempo humano para o que é insubstituível: a conexão, a criatividade e a inteligência coletiva. O sucesso neste novo mapa global dependerá da nossa capacidade de unir a potência tecnológica com o bem-estar humano da sociedade.
Bem, para terminar, importante dizer que a inspiração desse artigo foi a minha participação em um encontro que debateu a Geopolítica de Energia em 2026, realizado na Universidade Católica Portuguesa. Pessoas que acompanham e contribuem para algumas decisões em nível europeu compartilharam suas experiências e visões.
Não quero passar por “tia do zap”, então seguem links que consultei para fazer o artigo:
Estudo ApexBrasil (2026): notícia e acesso ao estudo
https://click.apexbrasil.com.br/Comunicacao/Acordo%20Mercosul-UE_ApexBrasil_coletiva_jan2026.pdf
https://apexbrasil.com.br/content/apexbrasil/br/pt/solucoes/inteligencia/estudos-e-publicacoes/estudos-especiais/estudo-de-oportunidades-acordo-mercosul—uniao-europeia-2026.html
Sobre o Monte Toba: Superinteressante (2018, 2020) e na CNN Portugal (2024).
https://super.abril.com.br/ciencia/a-humanidade-passou-batida-por-um-apocalipse-ha-74-mil-anos
https://cnnportugal.iol.pt/monte-toba/erupcao/uma-das-maiores-erupcoes-da-historia-da-terra-poderia-ter-exterminado-os-seres-humanos-os-cientistas-explicam-como-alguns-sobreviveram/20240406/6605da42d34ebf9bbb3bda6a)
Sobre as novidades tecnológicas mais recentes:
Reatores modulares pequenos (SMRs): CNN Brasil Tech (2025) e Exame (2026)
https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/reatores-nucleares-compactos-viram-aposta-limpa-na-corrida-contra-o-clima
https://exame.com/esg/pequenos-reatores-modulares-smrs-no-brasil-uma-alternativa-em-avaliacao-para-o-setor-eletrico
Transmissão de energia sem fio e por satélite solar: Nature Space (2026)
https://naturespace.com.br/inspirada-em-nikola-tesla-empresa-desenvolveu-um-metodo-para-a-transmissao-de-energia-eletrica-sem-fios/#sem-fio

