A Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) reuniu cerca de 100 lideranças e profissionais do setor no evento Elas Conectam, realizado na última quinta-feira, 12, em Florianópolis, para discutir como dados e indicadores têm se tornado centrais na tomada de decisões em empresas de tecnologia. Promovido pelo Grupo Temático ACATE Mulheres, o encontro reuniu executivas, empreendedoras e profissionais do ecossistema de inovação para debater estratégias de crescimento, liderança e os impactos da inteligência artificial nas carreiras.
Na programação da manhã, as mentorias abordaram a necessidade de substituir decisões baseadas apenas em experiência ou percepção por análises estruturadas a partir de dados e informações consolidadas, capturadas ou organizadas com tecnologia. Para Alice Luz, diretora de Vertical de Negócio da Softplan, dados são fundamentais para orientar estratégias e justificar decisões dentro das empresas. “Sem dados a gente não gerencia, no máximo opina”, afirmou. Segundo a executiva, apresentar análises estruturadas aumenta a credibilidade das equipes e facilita a priorização de projetos dentro das organizações.
As participantes também acompanharam palestras voltadas ao desenvolvimento de visão executiva e à construção de negócios sustentáveis. A mentora Roberta Kuzolitz destacou que as empresas precisam estruturar processos de coleta e análise de informações porque a falta deles limita a capacidade de crescimento. Segundo ela, não contar com dados confiáveis dificulta análises sobre conversões, ciclo de vendas ou retenção de clientes, levando líderes a tomarem decisões baseadas apenas em percepção. A executiva ressaltou a importância de padronizar a coleta de informações entre áreas de negócio.
Na programação da tarde, o debate avançou para os impactos da inteligência artificial nas carreiras e na gestão das empresas. A palestra magna foi conduzida por Alejandra Nadruz, diretora de Gente e Cultura da Starian, que destacou a evolução da tecnologia e alertou para os riscos de desigualdade de gênero no contexto da automação. “Estudos no mundo, e no Brasil também — inclusive com percentuais ainda maiores — apontam que as mulheres estão concentradas em atividades rotineiras ou operacionais. A inteligência artificial vai disruptar as atividades de execução primeiro, enquanto as estratégicas têm um risco de substituição muito menor”, afirmou.
O evento também trouxe exemplos de trajetórias impulsionadas pela tecnologia. A empreendedora Gio Mangoni, fundadora da Mogglia, relatou como o uso de inteligência artificial contribuiu para acelerar sua carreira e consolidar sua atuação como especialista no tema. “IA virou meu negócio, meu propósito, minha ferramenta e minha porta de entrada para lugares como esse”, disse.
Painéis sobre empreendedorismo e formação de lideranças completaram a programação. No debate “Empreender, escalar e decidir”, executivas como Betina Zanetti Ramos, vice-presidente de Relacionamento da ACATE e fundadora da Nanovetores, Martha Rodrigues, CEO da Guapeco, Carolina Oliveira, CFO da Qi Network, e Luma Jung, head jurídica da Black T-Shirt, compartilharam experiências sobre crescimento empresarial e decisões estratégicas. “Existem muitos editais de subvenção para negócios e voltados para mulheres que são investimentos para ajudar a empresa girar talvez antes de buscar um investidor”, destacou Betina.
A programação também incluiu um painel sobre o papel das empresas juniores na formação de jovens lideranças e na aproximação entre universidades e o mercado de tecnologia. O evento faz parte das ações do Grupo Temático ACATE Mulheres, que promove encontros e conexões entre estudantes, profissionais e lideranças do setor com o objetivo de fortalecer o protagonismo feminino no ecossistema de inovação.
Tatiane Bertoni, diretora do grupo, ressalta que a ACATE e o grupo temático são uma porta de entrada estratégica para mulheres no mercado de tecnologia. “Estamos sempre dispostas a trocar, receber e compartilhar conhecimento com mulheres que estão ou querem estar no mercado de tecnologia e, para nós, organizar um evento como o Elas Conectam reforça o quanto nosso trabalho potencializa a visão desse mercado enquanto um negócio feito por mulheres que fomentam a economia do ecossistema”.
Esta edição do Elas Conectam contou com o patrocínio da Buggo, Softplan, Sebrae e Zuchetti Brasil.

