Com o encerramento do ano-calendário de 2025, os contribuintes brasileiros já devem começar a organizar a documentação para a declaração do Imposto de Renda de 2026. A recomendação é preparar, revisar e deixar a declaração pronta antes mesmo da abertura oficial do prazo de entrega. Segundo a contabilista Maria Luiza Flores, essa antecipação reduz riscos e evita problemas comuns de última hora. “Quanto mais perto do fim do prazo, pior para enviar a declaração. O sistema da Receita Federal fica mais lento, aumenta o estresse e cresce a chance de erro”, alerta.
Maria Luiza destaca que a obrigação de declarar não significa, necessariamente, imposto a pagar. “Muitas pessoas deixam de declarar por medo de pagar imposto, mas isso não é uma regra. Em muitos casos, a declaração resulta apenas em regularidade fiscal ou, até mesmo, em restituição. Além disso, estar enquadrado e não declarar é um risco enorme de multa”, alerta.
Também é importante colocar atenção nas mudanças na legislação que passam a valer a partir de 2026. “A nova lei exige um cuidado muito maior com tudo o que entra e sai das contas bancárias, pois a Receita Federal brasileira vai intensificar o cruzamento de dados, inclusive utilizando as movimentações via Pix como um de seus principais meios de fiscalização, e a falta de informação e de organização pode gerar problemas sérios”, observa Maria Luiza.
Isenção até R$ 5.000,00 vale só para o IR 2027
Outro ponto importante é sobre a isenção do Imposto de Renda (IRPF). A partir de 1º de janeiro de 2026, passaram a valer as novas regras que incluem a isenção total para quem tem renda mensal de até R$ 5.000,00, seguindo com redução gradual do imposto para quem ganha até R$ 7.350,00. Além disso, passa a valer a tributação de 10% na fonte sobre dividendos recebidos por pessoas físicas acima de R$ 50.000,00 mensais.
Mas, atenção: em 2026, é feita a declaração referente ao ano-base 2025, então essas mudanças ainda não se aplicam. “Só na declaração de 2027, referente ao ano-base 2026 é que essas mudanças terão impacto no IR”, alerta Maria Luiza.
Tecnologia facilita, mas não dispensa orientação
A tecnologia tem sido uma aliada importante no processo de declaração, tanto para contribuintes quanto para profissionais da área contábil. Sistemas digitais e atendimento remoto agilizam a análise de documentos e a entrega das declarações, sem falar nos milhares de tutoriais. Mas é preciso tomar cuidado para não cair na malha-fina por inconsistências das informações.
Maria Luiza Flores mantém escritório físico no RS, mas realiza consultoria para clientes de diversas regiões de forma virtual. “A tecnologia facilita muito, mas não substitui a análise técnica. Cada situação precisa ser avaliada com cuidado”, alerta.
O conselho final da especialista para evitar dores de cabeça é claro: organizar documentos com antecedência, buscar orientação especializada e não deixar a entrega para a última hora é a melhor receita para garantir tranquilidade com o Fisco.

