O endurecimento regulatório promovido pelo Banco Central em 2025 está redesenhando a dinâmica competitiva entre instituições financeiras no Brasil. Segundo a Data Rudder, empresa especializada em inteligência antifraude, a tendência para 2026 é que a conformidade técnica, antes vista como obrigação operacional, se consolide como ativo estratégico para bancos, fintechs e cooperativas. “Monitoramento transacional e mecanismos antifraude em tempo real já não são mais diferenciais. São pré-requisitos para permanecer operando com segurança”, afirma Victor Tanure, diretor de novos negócios da empresa.
Mudanças recentes foram impulsionadas por uma série de fraudes de grande escala ocorridas ao longo de 2025, que levaram o Banco Central a publicar mais de 20 normas entre agosto e novembro. Uma das medidas mais emblemáticas foi o limite de R$ 15 mil para transações via PIX e TED em instituições que operam com Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI) credenciado, obrigando muitas delas a buscar integração direta à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) para manter competitividade. “Foi uma resposta imediata do BC para conter a dissipação de valores enquanto o mercado se adequava às novas exigências”, explica Tanure.
Entre as instituições mais afetadas estão fintechs e empresas de pagamento com autorização de operação no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) ou no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que passaram a ser cobradas com o mesmo rigor regulatório aplicado aos bancos tradicionais. “As fintechs agora precisam seguir os mesmos padrões de compliance em prevenção à lavagem de dinheiro, como previsto na Instrução Normativa 2.278/2025”, destaca Tanure. A nova realidade exige uma mudança de postura e investimentos diretos em infraestrutura antifraude.
Rastreamento multicamadas
Um exemplo dessa mudança é o lançamento do MED 2.0, atualização do Mecanismo Especial de Devolução. A nova versão permite rastreamento multicamadas das transações e bloqueios automáticos via Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), o que, na prática, eleva as taxas de recuperação de valores. “O MED 2.0 impõe desafios significativos para quem ainda não possui mecanismos antifraude em tempo real. Além do risco regulatório, há risco financeiro e de reputação”, reforça o executivo.
Nesse cenário, instituições que internalizam sua infraestrutura tecnológica e criaram times multidisciplinares para atender exigências regulatórias saem na frente. “Quem entendeu que adequação normativa era prioridade já colhe os frutos. A conformidade técnica passou a ser usada como argumento de venda no mercado financeiro”, afirma Tanure. Ou seja, estar em dia com as regras deixou de ser custo e passou a gerar valor.
Sobre a Data Rudder
A Data Rudder é uma empresa certificada pela norma ISO 27001, pioneira em sistemas antifraude PIX no Brasil. Com expertise em antifraude transacional, PLD-FT e interoperabilidade bancária, atua como parceira estratégica de bancos e fintechs, conectando inteligência de dados à conformidade regulatória.

