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	<title>Entrevista &#8211; starten.tech</title>
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	<title>Entrevista &#8211; starten.tech</title>
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		<title>COP30: Preços em Belém aumentarem 15 vezes, é &#8220;o absurdo dos absurdos&#8221;, diz Marina Silva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Pública]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 13:53:08 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Giovana Girardi, Marina Amaral, Ricardo Terto, Sofia Amaral. Às vésperas da decisão do presidente Lula sobre o Projeto de Licenciamento aprovado no Congresso, conhecido como PL da Devastação, a ministra Marina Silva diz acreditar na possibilidade de negociar com o Congresso uma medida provisória ou um projeto de lei do Executivo que possa substituir [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://apublica.org/"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2024/11/selonovo.webp" alt="" class="wp-image-4557"/></a></figure>



<p><em>Por Giovana Girardi, Marina Amaral, Ricardo Terto, Sofia Amaral.</em></p>



<p>Às vésperas da decisão do presidente Lula sobre o Projeto de Licenciamento aprovado no Congresso, conhecido como PL da Devastação, a ministra Marina Silva diz acreditar na possibilidade de negociar com o Congresso uma medida provisória ou um projeto de lei do Executivo que possa substituir os pontos que desestruturam a legislação ambiental e seriam vetados ou alterados por Lula – entre eles os mais polêmicos, como a Licença Ambiental Especial (LAE) e a Licença por Acordo e Compromisso (LAC).</p>



<p>Para Marina, há uma &#8220;pedagogia do prejuízo&#8221;, que pode levar o Congresso a separar o &#8220;trigo&#8221;, a boa legislação ambiental, que favorece inclusive novos acordos comerciais – em um momento que o tarifaço de Donald Trump passa a valer para o Brasil – do &#8220;joio&#8221;, o pedido de anistia para &#8220;alguém que atacou a nossa democracia&#8221;, alvo da ocupação do Congresso pelos bolsonaristas nos últimos dias.</p>



<p>&#8220;A política é um processo vivo e dinâmico. Quem diria que entre aquelas sessões agressivas que tivemos no Congresso Nacional, onde as pessoas ficavam acusando o Ministério do Meio Ambiente de atrapalhar o desenvolvimento do país, de dar prejuízo para os investidores brasileiros, quem diria que ia acontecer dos apoiadores deles mesmos serem os que dão o maior prejuízo?&nbsp;Quem diria que o presidente dos Estados Unidos ia alegar taxação de 50% nos produtos brasileiros usando a questão da legislação ambiental e questões ligadas a desmatamento, exploração de madeira?&#8221;, comenta a ministra, que chegou a ser hostilizada por senadores da extrema direita em audiências sobre o&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=9da96cf1ac&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">PL da Devastação</a>.</p>



<p>Embora reconhecendo o contexto geopolítico desfavorável para negociações multilaterais, a ministra mantém o otimismo também sobre os resultados que poderão ser obtidos na COP-30. Sem citar os Estados Unidos, a ministra se referiu à conferência como &#8220;um mutirão de 196 países&#8221; que têm que traçar um roteiro para cumprir as decisões tomadas em Dubai, como o limite de 1,5 grau para o aquecimento do planeta, e a transição para o fim do uso dos combustíveis fósseis e do desmatamento.</p>



<p>&#8220;Se os negacionistas não se importam com a vida, não se importam com o que diz a ciência, nós temos que mostrar que nos importamos. E um caminho que eu tenho advogado, e vejo já muitas pessoas também nessa mesma direção, é o de que devemos sair da COP 30 com um grupo mandatado para fazer o mapa do caminho para o fim do uso de combustível fóssil, porque nós temos que nos planejar para a mudança&#8221;, afirmou.</p>



<p>A ministra também disse que o país vai continuar firme em direção à meta do desmatamento zero, apesar de reconhecer a complexidade trazida ao cenário pelas mudanças climáticas, especialmente pelas queimadas, que prometem elevar as taxas de desmatamento que serão divulgadas durante a COP. E admitiu que o governo está muito preocupado com as questões logísticas, sobretudo de&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=be8b79ff20&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">hospedagem</a>, durante a conferência em Belém, o que está monopolizando as discussões e ameaçando deixar algumas delegações fora do evento.</p>



<p>&#8220;Uma COP é uma grande oportunidade para o estado e para o país. Quantas mil pessoas virão de outros países e que poderão transformar a cidade, o estado, a região em um endereço turístico, nas mais diferentes modalidades, seja do ponto de vista do turismo de massa, do turismo científico, do turismo social, cultural? São imensas as possibilidades. Agora, se você criar um ambiente completamente desfavorável, isso vai ter um efeito contrário. Nós não podemos pensar em destruir a galinha dos ovos de ouro&#8221;, disse, chamando de &#8220;extorsão&#8221;, os preços cobrados pelos hotéis.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/08/Foto2_Marina-Silva-fala-da-COP-de-Belem-nao-vamos-matar-a-galinha-dos-ovos-de-ouro.webp?resize=640%2C383&amp;ssl=1" alt="Vista aérea do Mercado Ver-o-Peso e da orla de Belém, com destaque para a arquitetura histórica e o rio ao fundo, no contexto da declaração de Marina Silva sobre a COP30."/><figcaption class="wp-element-caption">Presidente da COP30 confirmou a alta nos preços de hospedagens em Belém, mas afirmou que o governo federal busca uma solução. | Foto: TV Brasil.</figcaption></figure>
</div>


<p><a href="https://starten.tech:2096/cpsess8944007133/3rdparty/roundcube/index.php?_task=mail&amp;_caps=pdf%3D1%2Cflash%3D0%2Ctiff%3D0%2Cwebp%3D1%2Cpgpmime%3D0&amp;_uid=4919&amp;_mbox=INBOX&amp;_framed=1&amp;_action=preview#v1_"></a><strong>Vamos começar com a grande expectativa da semana, que é em torno do veto ou da sanção do presidente Lula sobre o PL do licenciamento ambiental, ou PL da devastação. A senhora mesma já disse que esse projeto decepa a lei ambiental, quebra a coluna vertebral da proteção ambiental no Brasil. Bom, termina nesta sexta (<em>08.08</em>) o prazo para o presidente Lula se manifestar, se posicionar sobre o PL. O que a senhora considera que é imprescindível mudar nesse texto que foi aprovado? Claro, a senhora não vai antecipar a decisão do presidente Lula, mas o que a gente pode esperar que vêm aí nos próximos dias?</strong></p>



<p>De fato, esse PL é uma forma de decepar a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro, e se ele não for reparado, o prejuízo é imenso, em várias direções, tanto do ponto de vista da preservação ambiental, quanto do ponto de vista da segurança jurídica, quanto da saúde pública e dos interesses econômicos e sociais do Brasil. Então, olhando para esses mais de 60 artigos, mais de 300 dispositivos, alíneas, parágrafos, incisos e assim por diante, o esforço que está sendo feito é para que a gente, ao identificar tudo aquilo que desestrutura as bases do licenciamento brasileiro, que isso possa ser reparado.</p>



<p>É claro que essa reparação não é feita unilateralmente pelo governo federal, ela é feita em diálogo com o Congresso Nacional, porque, suponhamos que a decisão do presidente seja por uma medida provisória, ela pode ser derrubada pelo Congresso, suponhamos que a decisão do presidente seja de encaminhar um projeto de lei, o Congresso, em última instância, é quem vai aprovar ou não. Então, tudo precisa, na democracia, de um diálogo intenso com o governo, com o Congresso, porque não basta vetar, você tem que colocar algo no lugar. E, quando eu estou falando em veto, estou falando desses pontos todos que ferem a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro, um trabalho minucioso que vem sendo feito entre o Ministério do Meio Ambiente, a Casa Civil, com a participação da Secretaria de Relações Institucionais, e que será levado hoje à tarde<em>&nbsp;(06.08)</em>&nbsp;para o presidente Lula, em uma reunião, onde nós estaremos ali oferecendo as possibilidades de reparação. Em seguida, teremos um intenso processo de conversa com relatores, com presidente das Casas, com líderes de bancada, com parlamentares que queiram conversar sobre essas questões.</p>



<p><strong>O Congresso tem se mostrado muito refratário aos temas ambientais, inclusive a gente se solidariza com a senhora, que passou por uma situação muito desagradável naquelas audiências. Então, eu queria saber se a senhora tem esperança de a gente ter um projeto de licenciamento que passe pelo Congresso e continue minimamente aceitável? A senhora acha que tem esse espaço de negociação?</strong></p>



<p>O espaço é dinâmico, a política é um processo vivo e dinâmico. Você veja, quem diria que entre aquelas sessões agressivas que tivemos no Congresso Nacional, onde as pessoas ficavam acusando o Ministério do Meio Ambiente, acusando os ambientalistas de atrapalhar o desenvolvimento do país, de dar prejuízo para os investidores brasileiros, quem diria que ia acontecer dos apoiadores deles mesmos serem os que dão o maior prejuízo? Quem diria que o presidente dos Estados Unidos ia alegar taxação de 50% nos produtos brasileiros, usando a questão da legislação ambiental e questões ligadas a desmatamento, exploração de madeira?</p>



<p>Então, essas questões são dinâmicas. Eu mesma e o ministro Fernando Haddad vamos para Bruxelas, para dialogar com o Parlamento Europeu sobre a questão do acordo da União Europeia com o Mercosul e outras agendas de interesse do Brasil, mostrando que os acordos que nós temos na agenda de clima, de biodiversidade, o acordo que nós temos em relação a questões que são fundamentais para poder viabilizar o acordo União Europeia com o Mercosul e que estaria sendo prejudicado em função desse PL.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/08/foto1_Marina-Silva-fala-da-COP-de-Belem-nao-vamos-matar-a-galinha-dos-ovos-de-ouro.webp?resize=640%2C383&amp;ssl=1" alt="Marina Silva fala ao microfone durante evento, ao lado de um participante desfocado, em painel sobre questões ambientais e COP30."/><figcaption class="wp-element-caption">Para a ministra, o ‘PL do devastamento’ é uma forma de decepar a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.</figcaption></figure>
</div>


<p>Então, eu sinto que há uma pedagogia, uma pedagogia inclusive da perplexidade política que esse país entrou, de um país tentando interferir em outro país, na autonomia de seus poderes, utilizando instrumentos de taxação comercial. E o Congresso – eles mesmos que tiveram que ir até os Estados Unidos, eu conversei com o senador Nelsinho Trad e ele dizia que teve que viajar porque ele ficou intensamente envolvido com essas questões do tarifaço do presidente Trump. Por isso falo em uma pedagogia, que eu digo às vezes que é a pedagogia do luto, a pedagogia da dor, e nesse caso é a pedagogia do prejuízo.</p>



<p>Ontem mesmo eu vi no Conselhão uma jovem empreendedora de fruticultura dizendo que eles precisam que haja uma negociação que não permita que eles sejam completamente inviabilizados, porque a fruta tem um tempo, ela vai amadurecer e vai se perder aquela safra. Então quem é que está dando prejuízo? Essa visão ideológica que não considera questões de natureza climática, não considera questões de saúde pública, não considera que as ideologias associadas ao negacionismo são o maior prejuízo, e não a proteção do meio ambiente.</p>



<p><strong>Mas a gente vê que o Congresso está especialmente incendiário nesse momento, ministra. Toda a manifestação da direita, ocupando o plenário, essa iminência da prisão do Bolsonaro no julgamento do processo do golpe. A senhora acha que esse termômetro elevado vai impactar negociações que interessam a todos nós, como as negociações sobre a PL da devastação?</strong></p>



<p>Eu acho que há uma disposição de fazer essa separação do joio e do trigo, e eu vou chamar de trigo uma boa legislação ambiental e vou chamar de joio querer anistia para alguém que atacou a nossa democracia e patrocinou tudo isso que aconteceu no dia 8 [de janeiro de 2023] e que agora as investigações estão mostrando um forte envolvimento dessas lideranças políticas e ainda mais articulando com outro país uma interferência política para salvar a sua própria pele.</p>



<p>Eu tenho dito que geralmente a gente vê os líderes no mundo, obviamente que não tem nem escala de comparação, vou citar figuras como Gandhi, como Mandela, como Luther King, sacrificando-se em benefício de seu país, de suas sociedades. E aqui no Brasil a gente vê essas caricaturas de liderança política sacrificando os interesses sociais, econômicos, ambientais do nosso país em função de salvarem a sua própria pele, articulando para que haja uma interferência na nossa soberania e ainda vem vestir verde e amarelo e dizer que são patriotas.</p>



<p>Eu acho que essa pedagogia está posta e uma parte do Congresso está fazendo essa separação porque agora as pessoas estão sentindo o prejuízo. A pessoa olha e vê, bem, eu antes era um industrial e não estava com o risco de 50% em cima dos meus produtos, eu era um fruticultor que também não tinha esse medo, então acho que tem sim um espaço para o diálogo, independente de partido político, até porque a disposição do governo, a nossa disposição é sempre de dialogar para que essas reparações que estão sendo pensadas – e são reparações estratégicas, estruturais – preservem&nbsp;essa coluna vertebral a que eu tenho me referido o tempo todo.</p>



<p><strong>Ministra, um dos pontos mais críticos do PL do licenciamento é aquele que permite a licença ambiental especial, que foi colocada ali por uma emenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e que permite que empreendimentos considerados estratégicos passem por um licenciamento muito rápido, em apenas uma fase. Nessa proposta se viu uma possibilidade, por exemplo, de acelerar o licenciamento de novos poços de petróleo na Foz do Amazonas, em que o senador Alcolumbre tem interesse. Eu queria saber especificamente sobre esse item: como tentar remediar esse projeto?</strong></p>



<p>Bem, em relação à figura da LAE que foi proposta, é claro que, por tudo que a gente ouve e as entrevistas que são dadas e reiteradas, há uma expectativa em relação a alguns empreendimentos com complexidades ambientais muito grandes, como é o caso, por exemplo, da exploração de petróleo na Foz do Amazonas e, até mesmo, o caso da BR 319. E todas essas questões que são novas e que têm subtrações de competências já estabelecidas historicamente do processo de licenciamento estão sendo vistas com total atenção, não só esse artigo, mas outros, também, em relação à Licença por Adesão e Compromisso, e outros dispositivos.</p>



<p>Nós precisamos, em relação à LAE, talvez, fazer uma separação. Uma coisa é você ter um instrumento que possa dizer que aquele projeto é prioritário, que ele é estratégico. Isso acontece sem a figura da LAE. Quando o presidente Lula resolveu fazer a transposição de São Francisco pelo risco de desabastecimento de algumas cidades foi uma decisão em função de uma necessidade estratégica. Quando se teve que fazer um esforço enorme para as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em função da ameaça de apagão foi estabelecido que aquele processo era prioritário. Agora, ao que, na minha opinião, não se aplica? A questão de não passar pelas fases do licenciamento: a licença prévia, a licença de instalação e a licença de operação. Porque o fato do projeto ser estratégico não muda a realidade da natureza. Se você vai impactar um determinado ecossistema, isso não muda em função da nossa necessidade, seja por energia, seja por alimentos ou qualquer que seja o benefício para nós. A gente tem que ganhar velocidade, a gente até pode fazer a prioridade, mas sem diminuir as regras e os procedimentos que precisam ser adequadamente realizados. É isso que nós temos dito o tempo todo e é isso que, com certeza, tem toda a chance de judicializar qualquer empreendimento de alto impacto que não passe pelos procedimentos, e os regramentos estabelecidos.</p>



<p>Como eu sempre digo para vocês, o Ministério e o Ibama não são eles que tomam decisões em relação a explorar ou não petróleo, tanto é que tem exploração em várias outras bacias, mas nós nos atemos aos aspectos da viabilidade ambiental, da dinâmica do licenciamento em conformidade com os regramentos legais. E o Ibama faz isso em qualquer que seja o empreendimento quando é da nossa competência, o licenciamento, pelo menos nos governos do presidente Lula. E, obviamente, que a Margem Equatorial tem um outro procedimento, nós temos ali o pedido para fazer a prospecção, está em fase de licenciamento. O Ibama vai se pronunciar adequadamente nas fases necessárias do licenciamento, que está sendo avaliado, mas nós já tivemos ali um leilão para 19 blocos para exploração de petróleo. Aí tem uma complexidade, por isso que eu tenho insistido que é fundamental fazer avaliação ambiental para a área sedimentar, porque a Foz do Amazonas é uma bacia que não tem estudos, ela é muito pouco estudada, praticamente não se tem informações na medida e com a profundidade que aquela região precisa.</p>



<p>Qualquer que seja o empreendimento que vai ser feito, na modalidade que for feito, é preciso que eles sejam lastreados de estudos, no caso das BRs é avaliação ambiental estratégica, no caso de exploração de petróleo é avaliação ambiental para a área sedimentar, para indicações de viabilidade ambiental ou não dos empreendimentos.</p>



<p><strong>Está todo mundo ansioso com essa COP em Belém, a gente sabe como ela é importante para o planeta e, em especial, para o Brasil. Vou ter que perguntar para a senhora, porque isso acabou se tornando um tema, que é a questão da infraestrutura e das hospedagens em Belém. Vendo que isso tomou espaço de outros temas que seriam mais importantes, a senhora está preocupada com isso ou se acha que tem um exagero de críticas a Belém?</strong></p>



<p>Bem, nós temos dois trilhos da COP e nós temos trabalhado intensamente neles. O trilho de infraestrutura, segurança, logística é coordenado pela Casa Civil, tem até uma secretaria extraordinária só para esses investimentos da COP 30 e há um esforço muito grande do governo federal para dar as respostas. E tem o trilho da parte de mobilização, negociação e conteúdo. Eu me insiro na parte de mobilização, negociação e conteúdo da COP 30, juntamente com o Ministério de Relações Exteriores e a Presidência da COP, mas obviamente que todos nós trabalhamos conjuntamente no processo de retroalimentação entre o acolhimento das pessoas que virão para a COP 30 e os resultados que nós esperamos possam ser alcançados nesse momento tão desafiador.</p>



<p>Então, no caso da infraestrutura, da hospedagem, das pessoas, é motivo, sim, de preocupação do governo federal. Tanto é que tem sido feito um investimento enorme para criar alternativas para que possa acontecer esse acolhimento, inclusive com estratégias para que o volume de pessoas que vão estar circulando em Belém possa ser adequadamente distribuído. Por isso que a cúpula dos chefes de Estado vai acontecer dois dias antes do início da COP 30.Tem todo um trabalho que vem sendo feito.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/08/Foto3_Marina-Silva-fala-da-COP-de-Belem-nao-vamos-matar-a-galinha-dos-ovos-de-ouro.webp?resize=640%2C383&amp;ssl=1" alt="Fachada azul do Mercado Ver-o-Peso em Belém sob céu nublado, com veículos estacionados e pedestres circulando, em contexto da fala de Marina Silva sobre a COP30."/><figcaption class="wp-element-caption">Apesar da pressão de alguns países sobre os altos preços da hospedagem, embaixador afirma que a COP30 continua em Belém. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.</figcaption></figure>
</div>


<p>Agora, tem uma dificuldade imensa em relação aos preços, porque não foi uma questão como acontece em outras COP. Você, Giovana, já cobriu muitas COP, sabe como é esse processo. Geralmente, quando você tem uma COP, acontece de dobrar o valor das diárias, no máximo triplicar. Isso é um levantamento, uma média que se fez. Agora, no caso de Belém, tem situações de aumentar 15 vezes, 10 vezes os preços. Aí é o absurdo dos absurdos. Isso passa a ser uma espécie de extorsão e o governo brasileiro está trabalhando junto às autoridades do estado para que essa situação não prejudique a necessária e legítima participação dos delegados, sobretudo de países em desenvolvimento, de países em situação de vulnerabilidade, porque não tem recursos para cobrir esses custos. Mas o presidente da COP, o ministro da Casa Civil, todos nós temos trabalhado nessa direção. É sim um motivo de preocupação, tanto é que temos nos debruçado sobre ele incansavelmente.</p>



<p>Agora, uma COP é uma grande oportunidade para o estado, para um país, porque você faz investimentos na parte de infraestrutura que ficarão como legado. Uma rede hoteleira, por exemplo, toda a parte de infraestrutura logística, de transporte, para que você se torne um endereço mais permanente de visitação. Quantas mil pessoas virão de outros países e que poderão transformar a cidade, o estado, a região em um endereço turístico, nas mais diferentes modalidades, seja do ponto de vista do turismo normal, do turismo de massa, seja do ponto de vista do turismo científico, do turismo social, cultural? São imensas as possibilidades. Agora, se você criar um ambiente completamente desfavorável, isso vai ter um efeito contrário. Nós não podemos pensar em destruir a galinha dos ovos de ouro.</p>



<p>A oportunidade é você entrar para o mapa do mundo, porque a COP passa a ser a COP de Belém, como é a COP de Paris, como é a COP de Copenhague, como é a Rio 92. Veja o tamanho disso. O que você quer passar? Você quer passar uma lembrança boa, ou você quer passar uma das piores referências que é o que está sendo feito com essa atitude? É por isso que o apelo é que haja uma situação de consciência de que você não pode destruir as possibilidades de anos e anos para um Estado promissor, como é o caso do Pará, de termos um endereço turístico nas várias modalidades a que me referi, em função de achar que a COP vai ser um lugar para se fazer investimentos em termos de tirar lucros que são fora daquilo que a ética comercial estabelece.</p>



<p><strong>Agora falando mais especificamente sobre o seu papel na COP e como ministra do Brasil. Uma das coisas que mais se coloca das expectativas do Brasil é mostrar o que é a Amazônia, a importância que ela tem para a regulação do clima e também para as nossas próprias emissões, tanto é que a gente tem essa meta de zerar o desmatamento da Amazônia. A senhora e o governo conseguiram avançar bem nesse sentido nos dois primeiros anos, a gente teve uma queda importante, mas há o risco de fechar esse ano com uma alta do desmatamento. A pergunta é: se chegar ao desmatamento zero, essa meta tão importante do Brasil, começa a se mostrar mais difícil do que o governo estava imaginando, até por conta das queimadas, talvez zerar o desmatamento não seja possível?</strong></p>



<p>Bem, primeiro que a meta de zerar o desmatamento, independente da dificuldade que a gente possa enfrentar, ela é necessária. E o Brasil é o único país do mundo que já tem a meta de zerar desmatamento até 2030 e, de fato, nós conseguimos avanços significativos: quando você olha, comparando julho de 2024 com julho de 2025, nós temos uma redução no Brasil inteiro de 61% do desmatamento. Nós vamos entrar no período quente e no período difícil para as queimadas a partir de agora, mas no ano passado, nesse mesmo momento, a gente já estava vivendo uma situação avassaladora e, quando eu olho para o Brasil inteiro, comparando julho de 2024 com julho de 2025, eu tenho já uma queda nos incêndios de 61%. No caso da Amazônia, a queda é de 89%, mas tem um fenômeno que você colocou muito bem, a questão da mudança do clima.</p>



<p>Pela primeira vez, nós temos mais desmatamento por incêndio do que em função de corte raso e isso é motivo de preocupação, mas não é para desistir da meta, é para ajustar as políticas, tomar as medidas e poder fazer esse enfrentamento. O fato de você ter uma doença que depois você descobre que ela é mais grave do que você imaginava, não te faz abandonar o diagnóstico e, muito menos, de aplicar o tratamento necessário. Nosso compromisso de desmatamento zero não é nem função da COP, é um compromisso de campanha do presidente Lula, reiterado durante a transição no programa de governo e na rearticulação do plano de prevenção e controle do desmatamento, não só para a Amazônia, mas para todos os biomas brasileiros. Então, o nosso compromisso não é só porque nós queremos ter uma boa foto na COP, é porque nós queremos ter uma boa foto no planeta porque nós somos, inclusive, um país altamente vulnerável. A Amazônia já está vivendo um processo de perda de umidade assustador. Os incêndios do ano passado foram maiores dentro de floresta primária do que os incêndios que acontecem normalmente. Cerca de 51% desses incêndios, eles aconteceram em situações completamente adversas, entrando em floresta primária, coisa que a média era algo em torno de 4% a, no máximo, 10%.</p>



<p><strong>Inclusive, a senhora chegou a falar muito no ano passado de que os incêndios eram criminosos. Queria saber se isso avançou um pouco, se vocês conseguiram identificar quem são esses criminosos e se estão conseguindo combater isso. A senhora falou que tem uma queda dos incêndios desde o ano passado para cá, mas eu até entendo que é muito mais pela questão climática do que, talvez, por uma ação efetiva de controle. Queria entender isso também.</strong></p>



<p>Não. Tem a questão climática, sem sombra de dúvida, mas tem ação de controle. Aumentar a frota em 800 veículos, aumentar para cerca de 4.300 brigadistas, ter 11 aviões que aumentam em 75% a nossa capacidade de movimentar as brigadas, ter equipamentos para todos os brigadistas em condições adequadas, todo o trabalho que vem sendo feito na sala de situação, ter reforçado o corpo de bombeiro, disponibilizando recursos do fundo Amazônia para todos os estados da Amazônia, ter uma ação de aumento da nossa capacidade de fiscalização, de controle do IBAMA, do ICMBio, o trabalho com a Polícia Federal, com a PRF, com todos os órgãos de governo. Isso faz a diferença, não é só uma questão em função do clima. O clima tem um peso importante, sim, porque em condições totalmente adversas, como está acontecendo agora em Portugal, não há tecnologia que resolva, como aconteceu no Canadá, como aconteceu nos Estados Unidos.</p>



<p>Mas, com certeza, esse ano nós intensificamos ainda mais a nossa capacidade de resposta. E essa capacidade de resposta e de pronta ação, independe até da questão climática, porque muitas vezes essas variáveis podem mudar e a gente está preparado. Por exemplo, a portaria de risco de incêndio é lançada sempre em fevereiro, e ela foi feita. Já tem vários estados que estão decretando a proibição do fogo, a lei de manejo integrado do fogo. Temos toda a estruturação que está sendo feita em reuniões constantes com os estados, com os municípios, agora mesmo, o secretário André esteve lá no estado do Amazonas com mais de 75% dos secretários de meio ambiente recebendo treinamento e informação para agir de forma integrada, independente de ideologia de partido político.</p>



<p>Mas, como você disse, a preocupação, ela está posta, e o compromisso permanece, independentemente da COP ou da não COP. Nós queremos ter um bom resultado, obviamente. Quem está se dispondo a sediar a COP nesse momento tão desafiador de emergência climática, tem que estar disposto a liderar pelo exemplo. E temos ajustado as medidas, por exemplo, no caso do desmatamento – nós temos os dados mostrando que, pela primeira vez, incêndio está superando o desmatamento por corte raso. Nós somos bastante experientes no combate ao corte raso, você mesma falou dos resultados. Agora, em termos de situações de incêndios agravados pela emergência climática, acho que nenhum país do mundo tem essa capacidade de resposta à altura, infelizmente. Por isso que são necessárias as ações para enfrentar os problemas naquilo que é a sua causa, que é evitar a emissão de CO2 e que o planeta continue aquecendo.</p>



<p><strong>Ministra, a gente tem essa esperança do que essa COP pode trazer, a senhora mesmo falou da gente sair da conferência com um mapa para o fim do uso dos combustíveis fósseis, para o fim do desmatamento, um financiamento de 1,3 trilhão de dólares. Mas neste momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem provocado separação entre os países, a gente viu que não teve nem muita reação a essa ingerência política de Trump no Brasil, a senhora acha que essa quebra de solidariedade pode se refletir na COP ou tem como costurar um outro espírito entre os países que leve à realização dessas metas?</strong></p>



<p>O embaixador Corrêa do Lago foi muito feliz quando disse que essa COP é a COP do mutirão. A ideia de um mutirão de 196 países que terão que trabalhar juntos em um dos maiores desafios deste século, que é fazer o enfrentamento da mudança do clima, depois dos 10 anos do Acordo de Paris, depois da COP que nasceu no Rio de Janeiro, a COP do Clima, voltar para o Brasil em plena Amazônia, depois dela ter sido sediada por quatro países em desenvolvimento, acho que três deles países dos BRICS, isso tudo é muito desafiador. Então a COP 30 vai precisar de dar respostas para questões que são muito difíceis e complexas, de decisões que já foram tomadas, essas, por exemplo de triplicar renovável, duplicar a eficiência energética, não ultrapassar o 1,5 grau de temperatura da Terra e, ao mesmo tempo a transição para o fim de combustível fóssil e de desmatamento.</p>



<p>Como esse contexto geopolítico desfavorece esse encaminhamento, que já é complexo, com certeza ele é muito prejudicial, primeiro porque as guerras minam a solidariedade, minam as parcerias, criam situações de desencontros e nós temos além das guerras bélicas, uma guerra tarifária que está sendo feita pela maior potência econômica e bélica do mundo em todas as direções. Nesse momento o Brasil foi sem dúvida injustamente o país mais prejudicado com uma taxação de 50%, isso não foi feito em relação a nenhum país, mas o México também em cerca de 30%, a União Europeia em 15%, a China, agora a Índia, todos sendo taxados porque um governo, por ser uma potência bélica e uma potência econômica, acha que pode fazer interferência na soberania dos países. Mas se esse contexto é ruim, por outro lado, ele cria um senso de responsabilidade em relação àquilo que é essencial. Se os negacionistas não se importam com a vida, se os negacionistas não se importam com o que diz a ciência, nós temos que mostrar que nos importamos e nesse sentido é um esforço muito grande, por isso que tem os círculos de mobilização, por isso que tem os enviados especiais, por isso que temos os campeões da COP e temos inclusive um Balanço Ético Global que está sendo feito para mobilizar cada continente na direção de alcançarmos os resultados daquilo que nós mesmos já decidimos.</p>



<p>E um caminho que eu tenho advogado, e vejo já muitas pessoas também nessa mesma direção, é o de que devemos sair da COP 30 com um grupo mandatado para fazer o mapa do caminho para o fim do uso de combustível fóssil, porque nós temos que nos planejar para a mudança. A pior coisa que tem é você não se planejar para a mudança e ser mudado abruptamente pela realidade – o Brasil só pode dizer que está buscando zerar o desmatamento em 2030, porque há 20 anos atrás nós começamos, nós nos planejamos para isso. Então, países produtores, países consumidores de energia oriunda de carvão, de petróleo e gás, têm que fazer uma transição justa e planejada para o fim do uso de combustível fóssil. A decisão mais difícil foi tomada em Dubai, que foi a de não ultrapassar o 1,5 grau de aumento de temperatura, triplicar o caráter renovável, duplicar a eficiência energética, fazer transição para o fim do uso de combustível fóssil, perdas e danos e a questão de viabilizar os meios de implementação. Então agora temos que mandatar um grupo para o que nós queremos como indicadores de que de fato estamos alcançando os objetivos para o qual nós nos planejamos, que é o objetivo de zerar emissões em 2050, e a melhor forma de fazer isso é estabelecendo esse mapa do caminho.</p>



<p><a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=d3e0bf995c&amp;e=6aa82ca59b" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Reportagem originalmente publicada na Agência Pública</a>.</p>
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		<title>Inteligência Artificial e os novos limites da realidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Pública]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 14:47:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[tech]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Andrea DiP, Claudia Jardim, Ricardo Terto, Stela Diogo, Rafaela de Oliveira &#124; Edição: Mariama Correia. Quase 90% da população brasileira admite já ter acreditado em conteúdos falsos. É o que revela&#160;uma pesquisa&#160;do Instituto Locomotiva, obtida pela Agência Brasil. Entre as pessoas entrevistadas, no mesmo levantamento, 62% afirmam confiar na própria capacidade de diferenciar informações [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://apublica.org/"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2024/11/selonovo.webp" alt="" class="wp-image-4557"/></a></figure>



<p><em>Por Andrea DiP, Claudia Jardim, Ricardo Terto, Stela Diogo, Rafaela de Oliveira | Edição: Mariama Correia</em>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="638" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/06/Capa-Inteligencia-Artificial-e-os-novos-limites-da-realidade-1-1024x638.webp" alt="" class="wp-image-6744" srcset="https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/06/Capa-Inteligencia-Artificial-e-os-novos-limites-da-realidade-1-1024x638.webp 1024w, https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/06/Capa-Inteligencia-Artificial-e-os-novos-limites-da-realidade-1-300x187.webp 300w, https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/06/Capa-Inteligencia-Artificial-e-os-novos-limites-da-realidade-1-768x478.webp 768w, https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/06/Capa-Inteligencia-Artificial-e-os-novos-limites-da-realidade-1-860x536.webp 860w, https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/06/Capa-Inteligencia-Artificial-e-os-novos-limites-da-realidade-1.webp 1066w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ergon Cugler, pesquisador de IA &amp; Big Techs, fala sobre o avanço dos recursos de IA. | Foto: Priscila Ramos_MST (@cylabg).</figcaption></figure>



<p>Quase 90% da população brasileira admite já ter acreditado em conteúdos falsos. É o que revela&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=01dc69e66c&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">uma pesquisa</a>&nbsp;do Instituto Locomotiva, obtida pela Agência Brasil. Entre as pessoas entrevistadas, no mesmo levantamento, 62% afirmam confiar na própria capacidade de diferenciar informações falsas e verdadeiras de um conteúdo. Mas, com os avanços das tecnologias que geram vídeos por inteligência artificial (IA), cada vez mais realistas, essa percepção pode mudar?</p>



<p>Quem deve ser responsabilizado quando uma inteligência artificial causa danos?&nbsp;O Brasil está preparado para entrar em um ano eleitoral com o uso massivo de IA?&nbsp;O&nbsp;<strong>Pauta Pública</strong>&nbsp;desta semana recebeu Ergon Cugler, pesquisador de IA &amp; Big Techs para responder essas e outras questões, como o&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=1e6827d763&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Projeto de Lei (PL) 2.338/2023</a>, que propõe o Marco Legal da Inteligência Artificial.&nbsp;Cugler reconhece que o PL já é um avanço no debate sobre o tema, mas alerta para lacunas, como a falta de clareza sobre as obrigações das empresas e os critérios de risco das tecnologias.</p>



<p>&#8220;O projeto é um passo zero para conseguir colocar um mínimo de responsabilização para quem desenvolve a inteligência artificial&#8221;, diz. Ainda de acordo com sua avaliação, a plataforma que decide colocar uma IA ao invés de um ser humano para avaliar, moderar e tomar decisões, precisa arcar com a precisão e consequência disso. Por exemplo, &#8220;[se o uso da IA] oferece risco de aumentar a desigualdade ou coloca vidas em perigo, ela não pode operar.&#8221;</p>



<p>Leia os principais pontos abaixo e ouça o <a href="https://apublica.org/podcast/2025/06/podcast-pauta-publica/inteligencia-artificial-quem-decide-o-que-e-real-com-ergon-cugler/">podcast completo aqui.</a><a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=142764951d&amp;e=6aa82ca59b" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a><a href="https://starten.tech:2096/cpsess4890438739/3rdparty/roundcube/index.php?_task=mail&amp;_framed=1&amp;_caps=pdf%3D1%2Cflash%3D0%2Ctiff%3D0%2Cwebp%3D1%2Cpgpmime%3D0&amp;_uid=3896&amp;_mbox=INBOX&amp;_safe=1&amp;_action=preview#v1_"></a></p>



<p><strong>As tecnologias geradas por inteligência artificial avançam de um jeito que está cada vez mais difícil entender, à primeira vista, se uma imagem é real ou não. Quais são as consequências disso para nossa cultura e democracia?</strong></p>



<p>Existem dois principais tipos de conteúdo: os estáticos, imagens, e agora vemos cada vez mais conteúdos audiovisuais, com imagens feitas por inteligência artificial. Estamos falando de vídeos editados com sons e até&nbsp;<em>deepfake</em>&nbsp;de rostos e vozes. Tem pessoas, por exemplo, usando esses recursos para influenciar e induzir opiniões. Vale lembrar que nos Estados Unidos,&nbsp;durante as eleições entre o Joe Biden e o Donald Trump, tiveram áudios falsos sendo divulgados do próprio Biden, como se ele estivesse ligando para as pessoas para elas deixarem de ir na votação das prévias ou então votarem diferente. E as pessoas infelizmente, acreditaram nisso.</p>



<p>A inteligência artificial também pode ser usada de forma maliciosa em outras frentes. Por exemplo, existem hoje bots, robôs, contas automatizadas, que ficam infiltradas em grupos de WhatsApp, em grupos de Telegram, só esperando uma palavra gatilho para chamar a pessoa no privado convidando, por exemplo, para entrar na rede de determinado político ou de determinado grupo.</p>



<p>Então, para muito além da chamada IA generativa, que gera imagem, gera vídeo, deixa às vezes a gente chocado do quão real parece, ela pode estar, muitas vezes, influenciando a política até pelos bastidores, sem nem precisar mostrar uma cara, ainda que seja uma cara gerada por inteligência artificial.</p>



<p><strong>O Brasil está preparado para enfrentar uma campanha eleitoral com a circulação dessas mensagens hiper realistas geradas por inteligência artificial?</strong></p>



<p>As eleições de 2022 são uma evidência de que o Brasil ainda não está preparado para lidar com a velocidade da internet como um todo. Quem dirá o uso de inteligência artificial cada vez mais sofisticado.&nbsp;Hoje, em 2025, já tem vídeos da nova IA do Google [VEO3], que tem gerado imagens tão impressionantes que, mesmo quando a situação é surreal, a gente olha para aquilo e parece muito real.</p>



<p>Então, imagina o seguinte, se a gente tem uma Justiça que ela trabalha por reação, que é legítimo, ela reage a manifestações de grupos, enfim, indivíduos, etc. Imagina o rito que a gente tem no próprio TRE (Tribunal Regional Eleitoral), pensando os TREs regionais e no próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no processo de julgamento de decisões do processo eleitoral. É muito mais grave, porque a gente não tem uma estrutura regulatória, inclusive para além do Judiciário. Por isso que é importante pensar uma estrutura regulatória, seja por um Sistema Nacional de Inteligência Artificial ou&nbsp;por um comitê, que é o caso do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), que já existe há mais de década, e que ainda assim debate-se se ele deveria existir ou não.</p>



<p>O ponto é, o Judiciário, por si só, ele não tem velocidade para conseguir reagir aos avanços da inteligência artificial, porque ele já tem demonstrado que não tem velocidade para reagir suficientemente para a internet tal como ela é. Por isso,&nbsp;além do Judiciário, precisamos de uma estrutura regulatória que atue no preventivo também, e não só no reativo, que consiga, antes de ter problema por decorrência de inteligência artificial.&nbsp;Pensar gatilhos, pensar ações de regulação, pensar punições para quem, por exemplo, está usando de forma maliciosa para ganhar dinheiro ou para ganho eleitoral.</p>



<p>Então, eu entendo, e a sociedade civil tem discutido cada vez mais, que, infelizmente, só a ação do Judiciário não é o suficiente. E vale mencionar de forma muito breve: que é uma discussão que hoje o STF (Supremo Tribunal Federal) faz sobre o artigo 19 do&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=d637a4b908&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Marco Civil da Internet</a>. E, pelo fato do Congresso Nacional não ter discutido, não ter topado votar o PL da fake news (Projeto de Lei nº 2.630/2020), ou atrasar com a votação desses outros pontos.</p>



<p>Estamos vendo a discussão subindo para o Judiciário, mas carece de um debate mais envolvido da sociedade civil e que vai para uma perspectiva que não necessariamente a gente consiga, enquanto sociedade civil, incidir de forma tão forte. O processo não está sendo discutido na Casa do Povo, no Parlamento, o Judiciário tem assumido para tratar de um problema que é urgente.</p>



<p><strong>O PL 2.338/2023, que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, foi aprovado no Senado e encaminhado para a Câmara dos Deputados para aprovação final. Qual é a avaliação que você faz desse projeto? Ele é suficiente para proteger a população do uso indevido das IAs?</strong></p>



<p>O projeto representa um passo inicial para estabelecer um mínimo de responsabilização sobre quem desenvolve tecnologias de inteligência artificial. Considere, por exemplo, qualquer plataforma de comércio eletrônico. Hoje, existem diversas opções nas quais é possível comprar e vender produtos online. Por trás dessas operações, há um sistema automatizado — um algoritmo, uma inteligência artificial — que decide para quem um determinado anúncio será exibido e para quem não será.</p>



<p>Essa mesma inteligência artificial, com base em diferentes parâmetros, pode interpretar erroneamente o conteúdo de um anúncio. Por exemplo, ao tentar vender &#8220;bombas de chocolate&#8221;, o sistema pode entender que se trata de um item explosivo, não de um doce.</p>



<p>Esse tipo de mediação automatizada precisa ser objeto de responsabilização. Afinal, a decisão de substituir a avaliação humana por um sistema de inteligência artificial foi tomada pela própria plataforma. Portanto, cabe a ela responder pela precisão e pelas consequências dessas decisões. O exemplo citado pode parecer trivial, mas o impacto desse tipo de erro pode ocorrer em diversas áreas.</p>



<p>Tomemos outro exemplo: câmeras de vigilância com reconhecimento facial operado por inteligência artificial. Já existem casos em que essas tecnologias identificam equivocadamente uma pessoa como criminosa. A pessoa é então processada, detida, e permanece semanas em prisão preventiva aguardando julgamento — para, no final, comprovar-se que não era ela. Esse tipo de erro, que pode parecer hipotético ou exagerado, já aconteceu em diversas situações reais — e afeta de forma desproporcional a população negra e parda.</p>



<p>Uma legislação que imponha responsabilidades claras a quem utiliza essas tecnologias força empresas e instituições a investir mais recursos em segurança e precisão. Isso as leva a refletir antes de adotar soluções automatizadas em substituição à decisão humana — especialmente quando se trata de tecnologias mais baratas que colocam em risco pessoas que podem ser injustamente punidas.</p>



<p>Nesse sentido, o projeto de lei é de grande importância. Mas há outros projetos relevantes em tramitação. Destaco dois, de temas correlatos: o PL 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News — apesar de o termo &#8220;fake news&#8221; nem constar no seu texto, que trata, sobretudo, da responsabilização das plataformas digitais pelo conteúdo que nelas circula; e o PL 2.628/2022, conhecido como PL das Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital, que propõe regras específicas para a proteção de um público vulnerável a golpes e abusos mediados por inteligência artificial.</p>



<p><a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=de85b23393&amp;e=6aa82ca59b" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Reportagem originalmente publicada na Agência Pública</a>.</p>
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		<title>&#8216;Adolescência&#8217;, incels, redpills: a produção de odiadores de mulheres na internet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Pública]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Apr 2025 12:39:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[tech]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Amanda Audi &#124; Edição: Mariama Correia Jamie Miller, um menino de 13 anos, é preso nos primeiros minutos da série&#160;Adolescência, da Netflix, acusado de assassinar uma garota de sua escola. Policiais arrombam a porta da sua casa e o encontram acuado na cama, tão assustado que faz xixi nas calças. Ele é pequeno, tem [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://apublica.org/"><img loading="lazy" loading="lazy" decoding="async" width="169" height="42" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2024/11/selonovo.webp" alt="" class="wp-image-4557"/></a></figure>



<p><em>Por Amanda Audi | Edição: Mariama Correia</em></p>



<p>Jamie Miller, um menino de 13 anos, é preso nos primeiros minutos da série&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=0d6e754787&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Adolescência, da Netflix</a>, acusado de assassinar uma garota de sua escola. Policiais arrombam a porta da sua casa e o encontram acuado na cama, tão assustado que faz xixi nas calças. Ele é pequeno, tem feições infantis e chora copiosamente dizendo que não fez nada de errado. O espectador começa a suspeitar que houve algum erro – até que os investigadores mostram imagens de Jamie cometendo o homicídio.</p>



<p>Afinal, como um garoto recém-saído da infância, com uma família relativamente estruturada e sem histórico de mau comportamento pode chegar a esse ponto? Nos episódios seguintes, a série vai passando pelas várias camadas de como ocorre um processo de radicalização de modo quase imperceptível para as pessoas ao redor.</p>



<p>Jamie, assim como muitos outros meninos da sua faixa etária, se vê perdido em um mundo em que os homens deixaram de ser o centro das relações de poder. A reação, para alguns deles, é entrar em grupos digitais masculinistas&nbsp;<em>redpill</em>&nbsp;[referência ao filme Matrix, uma metáfora para homens que &#8220;tomam a pílula vermelha&#8221; e começam a enxergar que são injustiçados] ou&nbsp;<em>incel&nbsp;</em>[abreviação para celibatários involuntários, grupo de homens que não conseguem ter relacionamentos afetivos e colocam a culpa do fracasso nas mulheres].&nbsp;</p>



<p>Antigamente, estes espaços eram restritos a fóruns do submundo da internet, mas hoje estão na superfície, com influenciadores com milhões de seguidores e conteúdo altamente capilarizado. O discurso machista aparece suavizado, camuflado em humor ou auto-ajuda, e como uma resposta fácil a problemas complexos.&nbsp;Assim, se um menino sofre uma frustração amorosa, ele pode se sentir acolhido em um canal que diz que todas as mulheres são interesseiras e que o mundo pós-feminismo prejudica os homens, por exemplo.</p>



<p>Maria Carolina Medeiros, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Comunicação e especialista em socialização feminina, e Letícia Sabbatini, pesquisadora da Escola de Comunicação da FGV focada na interseção entre gênero, violência e plataformas digitais, analisam como esses discursos se tornam sedutores para meninos e adolescentes, o papel das redes sociais, os desafios na construção de novas referências de masculinidade – e também os sinais de alerta para pais e educadores identificarem quando um jovem está sendo radicalizado.</p>



<p><strong>A série &#8220;Adolescência&#8221; conta a história de um garoto de 13 anos que assassina uma menina após ter se tornado um&nbsp;</strong><strong><em>incel</em></strong><strong>. Como acontece o processo de radicalização de um jovem com uma vida aparentemente bem estruturada?</strong></p>



<p>Letícia Sabbatini – Para a gente entender esse processo, é preciso reconhecer como a misoginia está naturalizada em nosso cotidiano. Um homem que estupra não é um monstro isolado escondido num beco escuro, ele é um parente, uma pessoa próxima.&nbsp;A misoginia não é exceção, ela é parte da regra. E não é simplesmente ódio às mulheres, é um sistema que está entranhado em nossas relações pessoais de forma camuflada, muitas vezes como uma piada, um conselho ou até um comentário bem intencionado.&nbsp;</p>



<p>A radicalização acontece quando essa misoginia encontra um ambiente que a amplifica e a legitima. Hoje, a misoginia vem ganhando novas roupagens, mais moderna, jovem, numa linguagem de meme. O que antes ficava restrito a fóruns do submundo da internet, agora aparece em vídeos com milhões de visualizações, com influenciadores carismáticos que têm um discurso machista, mas que muitas vezes é vendido com rótulo de desenvolvimento pessoal.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Leticia-%E2%80%98Adolescencia-incels-redpills-a-producao-de-odiadores-de-mulheres-na-internet.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1" alt=""/></figure>
</div>


<figure class="wp-block-pullquote has-small-font-size"><blockquote><p>Eles geralmente começam com conselhos, por exemplo como lidar com a rejeição, como melhorar a auto-estima, como atrair mulheres. Mas esses conteúdos vão construindo uma narrativa em que o problema nunca está no sujeito em si, mas sim nas mulheres e no feminismo. E isso é muito sedutor para adolescentes que estão lidando com inseguranças, frustrações afetivas, que estão sem modelos saudáveis de masculinidade. </p><cite>Pesquisadora da Escola de Comunicação da FGV focada na interseção entre gênero, violência e plataformas digitais, Letícia Sabbatini.</cite></blockquote></figure>



<p>Esses adolescentes passam a acreditar que seriam vítimas de um sistema que estaria favorecendo mulheres. É um terreno fértil para a radicalização e o discurso&nbsp;<em>incel,</em>&nbsp;que transforma uma frustração afetiva em um ressentimento que muitas vezes se torna violência concreta.&nbsp;</p>



<p><strong>Por que o ambiente das redes favorece tanto a reprodução de conteúdos misóginos?</strong></p>



<p>LS – O caminho para a radicalização não acontece por acaso, ele é também sustentado, incentivado e monetizado pelas plataformas digitais. A lógica dessas empresas não é a de proteger os seus usuários, mas a de promover um engajamento que mais se traduza em lucro, mesmo com conteúdos que promovem ódio. Temos que parar de tratar como casos isolados. Esses grupos da chamada machosfera são a ponta mais visível de uma cadeia de conteúdos e interações misóginas que é mais ampla e muito acessível a qualquer garoto.</p>



<p>O ambiente digital complexifica fenômenos que já existem na nossa sociedade. Com a internet, passam a existir novas formas de violentar as mulheres, com comentários em fotos, campanhas de ódio, exposição sexual não consentida, entre outros. E você potencializa nas mulheres um medo de violência. O medo que as mulheres têm ao sair de casa, por exemplo, se torna medo mesmo dentro de casa, porque com a internet essas violências vão ao encontro delas mesmo num espaço que deveria ser seguro. Ao mesmo tempo, esse tipo de violência também é trivializada, vista como menos ameaçadora porque não envolve um contato físico direto.</p>



<p>Além disso, a mesma estrutura que amplifica a violência também dificulta a responsabilização. Muitas vezes a violência é tratada como uma brincadeira, uma forma de expressão, e o ambiente das redes é visto como um espaço informal, quase sem leis, onde reina uma sensação de impunidade reforçada pelo anonimato, regras de moderação ineficazes. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" loading="lazy" decoding="async" width="702" height="1024" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/04/Foto1_‘Adolescencia-incels-redpills-a-producao-de-odiadores-de-mulheres-na-internet-702x1024.webp" alt="" class="wp-image-5935" style="width:343px;height:auto" srcset="https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/04/Foto1_‘Adolescencia-incels-redpills-a-producao-de-odiadores-de-mulheres-na-internet-702x1024.webp 702w, https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/04/Foto1_‘Adolescencia-incels-redpills-a-producao-de-odiadores-de-mulheres-na-internet-206x300.webp 206w, https://starten.tech/wp-content/uploads/2025/04/Foto1_‘Adolescencia-incels-redpills-a-producao-de-odiadores-de-mulheres-na-internet.webp 750w" sizes="auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px" /><figcaption class="wp-element-caption">Série ‘Adolescência’ ilustra a radicalização de um jovem, influenciado por discursos misóginos nas redes sociais. | Reprodução Instagram Netflix.</figcaption></figure>
</div>


<p><strong>Por que meninos costumam ser seduzidos por esse discurso?</strong></p>



<p>Maria Carolina Medeiros – Isso acontece no contexto de avanço dos direitos das mulheres, em que os homens passaram a se sentir mais perdidos do que nunca. E aí aparece o questionamento: qual o papel dos homens nessa nova sociedade que se desenha?</p>



<p>Primeiro, a gente tem que pensar que os papéis que a gente convencionou a chamar de papéis de gênero, mas que eu chamo de papéis sociais, não são inatos. Na década de 1930, a antropóloga Margaret Mead já dizia isso. Ela estudava tribos diferentes e mostrava que, em um lugar, as pessoas se comportavam como a sociedade ocidental compreende os papéis de homem e mulher. Em outra, todos se comportavam como o que se espera dos homens. E, na terceira, eram sinais trocados.</p>



<p>A gente deveria entender que alguns signos são de performance. Quando a Simone de Beauvoir diz que ninguém nasce mulher, se torna mulher, ela não está dizendo que se você assimilar signos femininos, você será uma mulher. Ela quer dizer que a mulher passa a vida toda tendo que ter comportamentos que confirmam a sua feminilidade. A feminilidade e a masculinidade não são intrínsecas, elas são papéis sociais.</p>



<p>Então o homem que pinta as unhas, que usa saias, que diz que se solidariza com a luta das mulheres, nada disso por si só desconstrói uma masculinidade.</p>



<p>Outro problema é a falta de referências. Por que se a gente entende hoje que ser o machão que não chora já não faz mais tanto sentido, então qual é a solução? A gente vive em sociedade e precisa de uma forma de classificação para nortear o nosso ser e o nosso estar no mundo. Todo mundo precisa, senão a gente não tem um denominador comum. As mulheres foram lutando para adquirir novos significados na sua existência, com o trabalho, com uma vida fora do lar também valorizada. Mas os homens continuaram no mesmo lugar.&nbsp;</p>



<p><strong>Como podemos trabalhar o sentimento de rejeição de meninos e homens sem que eles caiam no movimento masculinista? E, também importante, como fazer isso sem dar mais trabalho às mulheres?</strong></p>



<p>MCM – Para mim, o ponto central é que a ideia de desconstrução da masculinidade que se tem hoje está equivocada. Os homens que pretendem educar outros homens volta e meia se mostram uma farsa. Eles se mostram como homens que estão desconstruindo algumas coisas, mas no final usam isso para se beneficiarem, porque a socialização masculina é autocentrada. Ela é feita, como diz a Simone de Beauvoir, para o homem ser o sujeito no mundo e a mulher ser o outro, que só se torna sujeito a partir da validação masculina. Então tem um modo de ser e estar no mundo que a criança aprende desde muito pequena.&nbsp;</p>



<p>A menina, desde pequena, é ensinada a agradar. A agradar o pai, o olhar masculino, a se enfeitar, a não experimentar o seu corpo – por exemplo, ela é desencorajada de subir numa árvore, ela é desencorajada da própria masturbação, que é muito comum entre os meninos. Então, antes de pensar para onde os meninos estão indo, eu penso na cultura.</p>



<p>Eu realmente não acho que nós, mulheres, temos que fazer com que os nossos desejos caibam no mundo que os homens entenderam que era para eles. Existe uma tensão nisso, não tem como fugir. Não se trata de odiar os homens, mas não se faz uma omelete sem quebrar os ovos.</p>



<p>Os próprios homens devem criar novas referências de masculinidade. Entender que pintar unha, usar saia, nada disso significa ser mais ou menos homem, nem mais ou menos desconstruído. E nem ser de um determinado espectro político te transforma no aliado das mulheres.</p>



<p>Eu costumo dizer que um homem pobre, negro, periférico, num trabalho precarizado, provavelmente está numa situação melhor do que a mulher dele, que provavelmente está tendo que acordar mais cedo para passar o uniforme dele, fazer marmita, deixar comida para os filhos, levar os filhos para escola e por aí vai.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Maria-%E2%80%98Adolescencia-incels-redpills-a-producao-de-odiadores-de-mulheres-na-internet.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1" alt=""/></figure>
</div>


<figure class="wp-block-pullquote has-small-font-size"><blockquote><p>Vejo os grupos masculinistas com muita preocupação, é claro. Mas acho que é um reflexo quase que esperado. O movimento das mulheres avançando em direitos não acontece sem tensão. O feminismo não existe para agradar os homens.</p><cite>Professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Comunicação e especialista em socialização feminina, Maria Carolina Medeiros.</cite></blockquote></figure>



<p><strong>Recentemente, publicamos&nbsp;</strong><a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=6e945bf4ad&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><strong>matérias</strong></a><strong>&nbsp;sobre um homem que cobrava quantias vultosas para dar palestras como coach de masculinidades, mas, ao mesmo tempo, praticava atos machistas e deu calote em bastante gente. Ele usava o discurso para se blindar de suspeitas. Por que homens se mostram como &#8220;desconstruídos&#8221; para obter vantagens? Como se proteger dos golpistas?</strong></p>



<p>MCM – É porque eles já entenderam que para uma mulher que é ciente do seu protagonismo no mundo, essa velha masculinidade não vai mais funcionar. Aí quando aparece um tipo aparentemente desconstruído a mulher se desarma, acha que está lidando com um cara solidário com a luta das mulheres, mas pode ser um golpista. Acho que as mulheres não precisam viver numa paranoia, mas que isso não seja suficiente para a mulher achar que tem um aliado. Porque, no final das contas, muitas vezes é para reproduzir os mesmos modelos de sempre, mas dizendo que aquilo é para o bem da mulher.</p>



<p>Acho que o cerne de tudo é as mulheres serem mais autocentradas e conseguirem ter ferramentas para fazerem suas próprias escolhas, independentemente do que os homens estão apresentando. É um desafio diário, porque a gente não é socializada dessa forma, a gente é socializada para a validação masculina.</p>



<p><strong>Que sinais devo notar para saber se meu filho está envolvido em grupos masculinistas?</strong></p>



<p>LS – Identificar que um jovem está iniciando um processo de radicalização exige atenção a sinais que nem sempre são explícitos. A entrada nos grupos não começa com um discurso de ódio escancarado, mas sim com conteúdos que parecem inofensivos, que funcionam como porta de entrada.&nbsp;Mas existem alguns sinais que podem chamar a atenção, como uma mudança na linguagem do adolescente. Perceber o uso de expressões que são características, como &#8220;feminazi&#8221;, ou comentários que mulheres só ligam pra dinheiro, entre outros. Também a criação de uma visão distorcida sobre gênero ou afeto, se o jovem começa a falar com desprezo sobre meninas, ou demonstra ressentimento em relação a relacionamentos.&nbsp;</p>



<p>É comum que esses jovens passem a consumir certos conteúdos de forma repetitiva e até ritualista, como vídeos de influenciadores que reforcem a ideia de que o mundo é injusto com os homens. São grupos que oferecem acolhimento e explicações fáceis para frustrações que são muito reais. Romper com esse vínculo exige escuta, diálogo e envolver outras formas de pertencimento. A atenção não deve estar apenas no que o jovem diz, mas no que ele consome, quais são suas referências, o que está curtindo.&nbsp;</p>



<p><strong>Na série da Netflix, a escola aparece como um ambiente fora de controle, em que adultos e jovens não conseguem se comunicar. É possível diminuir esse gap (lacuna) geracional?</strong></p>



<p>LS – Acho que é possível, mas para isso precisamos fugir da armadilha de responsabilizar apenas os adolescentes. Isso é uma leitura reducionista que desconsidera o contexto mais amplo que eles estão inseridos e que estamos numa sociedade que estimula a misoginia, ainda que de forma camuflada. Quando se encara essa distância como um problema apenas dos jovens, como se eles não respeitassem mais nada, o estigma prejudica ainda mais o diálogo.&nbsp;</p>



<p>Temos que reconhecer que os jovens têm experiências e dores próprias, que são legítimas. Muitas vezes quando um adolescente expressa raiva ou desinteresse, ele está pedindo por conexão, e quando a resposta é descrédito, esse abismo se acentua. É fundamental visualizar a escola como espaço político, que precisa lidar com tensões contemporâneas, como o discurso de ódio que circula nas redes e fora delas, e isso não se resolve com uma ou outra palestra pontual, mas com presença, comunicação, formação continuada dos educadores. É um grande processo.</p>
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		<title>Como notícias falsas impactam do Pix à economia?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Pública]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jan 2025 14:58:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[tech]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Desinformação econômica é puxada por redes como TikTok e pelo interesse por conteúdos com orientações financeiras. Por Amanda Audi &#124; Edição: Mariama Correia As notícias falsas sobre uma suposta taxação do Pix tomou proporções alarmantes nas últimas semanas, obrigando o governo federal a recuar de medidas voltadas ao monitoramento de transações financeiras. Desde 2003, todas [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://apublica.org/"><img loading="lazy" loading="lazy" decoding="async" width="169" height="42" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2024/11/selonovo.webp" alt="" class="wp-image-4557"/></a></figure>



<p><strong>Desinformação econômica é puxada por redes como TikTok e pelo interesse por conteúdos com orientações financeiras.</strong></p>



<p><em>Por Amanda Audi | Edição: Mariama Correia</em></p>



<p>As notícias falsas sobre uma suposta taxação do Pix tomou proporções alarmantes nas últimas semanas, obrigando o governo federal a recuar de medidas voltadas ao monitoramento de transações financeiras. Desde 2003, todas as movimentações a partir de R$ 2 mil são enviadas pelos bancos para a Receita Federal. Com a mudança, esse valor passaria para R$ 5 mil, com adição das movimentações do Pix e dos bancos digitais, mas sem taxação.&nbsp;Mas a onda de boatos amplificada pelas redes sociais gerou pânico e desconfiança na população, mesmo após tentativas de esclarecimento oficial.&nbsp;</p>



<p>De difícil compreensão para leigos, a portaria da Receita Federal foi explicada pelo governo inicialmente de um modo burocrático, se tornando um prato cheio para que fosse atrelada à desinformação.&nbsp;É tudo o que as pessoas mal intencionadas precisam para distorcer um assunto: algo difícil de explicar, cheio de regras, e que está relacionado a um aspecto muito corriqueiro e de interesse da vida cotidiana.</p>



<p>De acordo com o pesquisador Fabio Malini, professor do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo, esse fenômeno é alimentado pela lógica das plataformas digitais, que priorizam o conteúdo com maior engajamento nos algoritmos. Redes como TikTok e Instagram, com suas funções &#8220;Para Você&#8221; e Reels, oferecem um ambiente ideal para que temas polêmicos, ainda que imprecisos, ganhem relevância e viralizem rapidamente. No caso do Pix, as mentiras sobre uma possível taxação escalonaram rapidamente porque uma grande maioria de brasileiros usa a ferramenta para fazer transações diariamente.</p>



<p>Em entrevista à&nbsp;<strong><a href="https://apublica.org/">Agência Pública</a></strong>, Malini aponta que os brasileiros, especialmente pequenos empresários e trabalhadores autônomos, estão cada vez mais atentos às questões financeiras — que devem ser a tônica das eleições de 2026. Diante da crise de comunicação gerada pela desinformação, o governo enfrenta o desafio de adotar estratégias mais eficazes para se conectar com a população. Malini aponta para a necessidade de uma presença digital consistente e assertiva, capaz de competir com o fluxo de informações moldado pelos algoritmos das redes sociais.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/01/Foto1_Como-as-noticias-falsas-impactam-os-negocios-e-a-economia-1.jpg?resize=640%2C419&amp;ssl=1" alt="Fabio Malini, professor do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo"/><figcaption class="wp-element-caption">&nbsp;Fabio Malini, professor do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo. | Foto: &nbsp;LabHacker/Flickr/Divulgação.</figcaption></figure>
</div>


<p><strong>Informações falsas como a da taxação do Pix tomam uma proporção gigantesca muito rápido. Nesse caso, a desinformação foi tão violenta que mesmo o governo tentar desmentir não foi suficiente, e decidiu recuar da decisão de monitorar melhor essas transações financeiras. Por que a desinformação econômica tem toda essa força?</strong></p>



<p>Para entender isso, é importante entender a transição da primeira para a segunda geração de plataformas de redes sociais. A primeira plataforma de redes sociais era alicerçada na lógica do perfil e na maneira em que esse perfil segue e é seguido. A dieta de informação, no chamado feed, era seu principal traço característico. Por feed a gente entendia aquele conteúdo que chegava nos nossos celulares ou computadores pela produção de conteúdo das pessoas que nós seguimos. Foi um período de forte crescimento dos chamados influenciadores ou micro-influenciadores. O que importava era o que eu decidia seguir para ter acesso ao conteúdo dessas pessoas que considero relevante para mim. Essa foi a geração do Facebook, Orkut, Twitter, etc.&nbsp;</p>



<p>​​A segunda geração emergiu sobretudo por conta do TikTok.&nbsp;O TikTok trouxe uma configuração nova, que é a não mais o feed, mas o For You (Para Você), ou seja, os conteúdos que a própria plataforma decide ser relevante para o interesse de cada um dos usuários.&nbsp;Mas essa decisão não é baseada em qualquer coisa, ela é baseada no tempo que o usuário gasta em assistir determinado vídeo. Então, se o usuário assiste muitos vídeos de memes, ou se ele assiste muitos vídeos de coach, de direito tributário, de empreendedorismo, esses interesses passam a ser objeto de algoritmos que empurram mais conteúdo do tipo no For You.&nbsp;</p>



<p>O que tem acontecido agora é que o sucesso dessa dinâmica de produção de audiência algorítmica, cujo modelo é o TikTok, adentrou em diferentes plataformas de primeira geração. Por exemplo, no Instagram, já tem lá o Reels, que é semelhante ao For You, e tem sessões no estilo &#8220;para você&#8221; no Threads, no Twitter (X). Você vê que essa maneira de navegação está ganhando mais força. As pessoas, de certa forma, se saturaram do conteúdo das pessoas que elas seguem. Esse nível de saturação, digamos, chatice, leva as pessoas ao campo do For You, em que tudo pode ser interessante.</p>



<p>O caso do Pix é o mesmo fenômeno que aconteceu com a escala 6×1. Ambos são temas que ganham tração e relevância dentro da dimensão do Reels do Intagram, do For You no TikTok, do Pra Você do Twitter, em que quanto mais as pessoas têm interesse naquele tema, mais elas alimentam o algoritmo. E, alimentando o algoritmo, mais rápido aquele tema fica popular, ele viraliza. Essa concatenação de interesses de usuários faz com que um determinado assunto cresça paulatinamente.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/01/Foto2_Como-as-noticias-falsas-impactam-os-negocios-e-a-economia-1.jpg?resize=640%2C427&amp;ssl=1" alt="Imagem mostra tela de celular no site do banco central, na aba Pix"/><figcaption class="wp-element-caption">&nbsp;O caso Pix reflete a viralização algorítmica: mais interesse gera mais alcance, acelerando a popularidade nas redes. | Foto: &nbsp;Marcello Casal jr/Agência Brasil.</figcaption></figure>
</div>


<p><strong>Temos mais tendência a acreditar em uma notícia falsa travestida de economês? Por que?</strong></p>



<p>Não acredito que a gente tenha essa tendência. Temos uma tendência a acreditar mais na informação inacurada, imprecisa, quando existe um vácuo de segurança sobre o que está acontecendo. Quando tem uma falta de coesão em torno de determinados fatos, ou porque não estão apurados, ou porque são imprecisos, isso acaba gerando um certo vácuo, que produz uma situação de insegurança, e aí o rumor toma conta de um determinado grupo social.&nbsp;</p>



<p>A gente tem que fazer uma separação do que é o rumor e a desinformação.&nbsp;O rumor é aquele fato ainda não apurado, que nos coloca em dúvida. Já a desinformação é uma produção de informação sem base consensuada.&nbsp;A indefinição acaba sendo um terreno fértil para as teorias conspiratórias e para os achismos. Então, acho que eu vejo muito mais como o mundo. Então o que gera a produção do rumor, e que pode levar a um processo de desinformação, é a indefinição em relação a determinado fato.</p>



<p><strong>Falando de modo prático, poderia dar exemplos de como notícias falsas podem impactar a economia (considerando decisões de governo, posicionamento do mercado etc)? E como essas questões impactam a vida das pessoas?</strong></p>



<p>Há um conjunto de usuários ligado a temas como empreendedorismo, pequenos negócios, MEI, dinheiro. As pessoas têm interesse nos seus próprios negócios, é algo que afeta o dia a dia delas. Então esses influenciadores sabem que produzir trends no TikTok ou no Instagram é relevante para manter a atenção das pessoas no conteúdo deles. Hoje é muito mais difícil prender a atenção da audiência, porque a audiência é menos conectada aos influenciadores.&nbsp;</p>



<p>A audiência algorítmica da plataforma tira o poder dos influenciadores e bota para si a capacidade de empurrar um conteúdo. Então, quando você começa a ter uma concatenação de pessoas que ficam orientando, sugerindo, recomendando conteúdo ligado a pequenos negócios, microeconomia, e isso passa a ser relevante, isso muito rapidamente começa a ser objeto de atenção. Isso ganhou uma atração independente do campo político. O campo político não observou isso, nem à direita, nem à esquerda. E aí, rapidamente, tiktokers ou instagramers da área de humor começaram a satirizar também a situação. E o assunto foi ganhando mais e mais força. Então, quando a gente vai ver tanto processo de informação ou desinformação hoje, elas circulam rapidamente em formato dessa lógica. Essa é a nova lógica.</p>



<p>Isso demonstra também, tanto a escala 6×1, ou agora a tema do Pix, que o ecossistema de consultores digitais da área da microeconomia ganhou muita força, porque você tem um processo de financeirização forte das pessoas. Elas são bancarizadas, elas fazem pequenos investimentos, elas querem prosperar, elas têm aspirações de melhor vida econômica. Esse campo cresceu bastante e também é agressivo numa lógica de venda, ou seja, as técnicas de venda da informação e a disputa também por trazer algum tipo de conteúdo que teoricamente vai encurtar o caminho para você obter dinheiro. E isso também caminhou para o campo político. Acho que o Pablo Marçal é um dos principais exemplos.</p>



<p><strong>O Banco Central publicou, em janeiro do ano passado, um estudo sobre o espaço ocupado pela economia – e mais especificamente pela inflação – no universo das fake news, entre 2019 e 2023. Eles concluem que o tema Economia teve crescimento significativo dentre os relatos de desinformação entre os anos de 2022 e 2023, ou seja, o começo do&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=546a1877bb&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">governo Lula</a>. As fake news econômicas são, na sua percepção, o calcanhar de Aquiles do governo Lula?</strong></p>



<p>É interessante esses temas ganharem força porque a agenda do governo Lula é muito alicerçada na discussão&nbsp;de impostos e escala de trabalho. Não é um calcanhar de Aquiles, mas a principal agenda do governo é muito econômica. Nesse sentido, um ecossistema que coloca em prática essas decisões vai ganhar também mais fôlego.&nbsp;</p>



<p>Estamos vendo uma transição do ponto de vista digital que passa das discussões sobre democracia, sobre comportamentos, para o crescimento do ecossistema financeiro, empreendedor, econômico. Isso é uma nova agenda digital do Brasil. É algo que não foi percebido nem pelo governo e nem pela oposição, que continua se pautando em questões de comportamentos, de valores sociais.</p>



<p>O vídeo do Nicholas [deputado federal Nicholas Ferreira que postou um vídeo em seu Instagram com<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=dc02393f37&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">&nbsp;informações enganosas</a>]&nbsp;foi muito compartilhado, mas foi muito compartilhado junto com os outros, o próprio vídeo do Lula. O Nicholas foi porta-voz de uma dinâmica que já vinha rolando, a desconfiança sobre um processo de taxação mais agressivo pela Receita Federal. Essa desconfiança só aconteceu porque aquela portaria tornava a informação ambígua.&nbsp;Estamos na antessala do que vai ser a grande questão de 2026, em que as temáticas econômicas serão o principal eixo das eleições.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/01/Foto3_Como-as-noticias-falsas-impactam-os-negocios-e-a-economia-1.jpg?resize=640%2C407&amp;ssl=1" alt="Presidente Lula durante evento"/><figcaption class="wp-element-caption">&nbsp;Fake news econômicas cresceram no início do governo Lula. | Foto: Ricardo Stuckert/PR.</figcaption></figure>
</div>


<p><strong>Como você avalia a resposta do Banco Central, que usou memes&nbsp;com memes para rebater as fake news nesse caso do PIX?&nbsp;</strong></p>



<p>A memetização é um clássico, mas eu não acredito que seja o melhor dos caminhos tornar engraçado para tornar mais palatável um determinado assunto. Acho que atinge muito as novas gerações, mas não atinge esse conjunto de trabalhadores autônomos, microempresários.&nbsp;</p>



<p>A gente está vendo que os políticos vão ter que se tornar atores mais ou menos especializados e mais agressivos em termos de comunicação digital. Eles precisam estar na tela das pessoas diariamente. O que as pessoas chamam de crise de comunicação do governo Lula, que leva a um distanciamento da vida das pessoas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-small-font-size"><blockquote><p>Faaaaala meus amantes de teoria da conspiração e caçadores de tarifa em serviço de pagamento gratuito! BC Sincero na área para aliviar o coraçãozinho de quem desceu pro BC com a cabecinha cheia de fake news sobre cobrança de taxa no Pix e fim do sigilo bancário das suas finanças.&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=7e27270b5c&amp;e=6aa82ca59b" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pic.twitter.com/VkslXo3XSP</a>— Banco Central BR (@BancoCentralBR)&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=36b47b8a04&amp;e=6aa82ca59b" target="_blank" rel="noreferrer noopener">January 15, 2025</a></p><cite><em>Publicação do Banco Central sobre o caso Pix em rede social</em>.</cite></blockquote></figure>



<p>Também temos que olhar como um fenômeno de dificuldade da própria imprensa,&nbsp;que foi atropelada por essa dinâmica mediada pelas plataformas. São elementos da sociedade que ganharam força, a da escala 6 por 1, de reorganizar o modelo de trabalho, e a do Pix, que desconfia de uma certa sanha controladora do tributarismo brasileiro. Como vamos responsabilizar as plataformas no manejo deste tipo de lógica, que não é mais o que quero assistir, mas o que tenho interesse de assistir? A agenda das redes atropela a agenda da política, atos normativos, aqui e em outros países. É um debate que se impõe. Sobre o recuo do governo, o governo acabou se antecipando, muito por conta do vídeo do Nicholas Ferreira, em vez de esperar o resultado das redes, porque tem que esperar o conteúdo ganhar tração.</p>
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		<title>Bolhas criadas pelas redes sociais alimentam extremismo, diz coordenadora do InternetLab</title>
		<link>https://starten.tech/2024/12/18/bolhas-criadas-pelas-redes-sociais-alimentam-extremismo-diz-coordenadora-do-internetlab/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Pública]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2024 12:27:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[tech]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Andrea DiP, Clarissa Levy, Claudia Jardim, Ricardo Terto, Stela Diogo Impulsionados pelos algoritmos, os conteúdos das redes sociais que chegam pelas telas dos smartphones e computadores podem reforçar vieses preexistentes. Essa dinâmica dificulta o acesso a informações equilibradas e aprofunda tensões políticas e sociais, aponta a coordenadora do InternetLab, Ester Borges. Convidada do&#160;Pauta Pública&#160;da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://apublica.org/"><img loading="lazy" loading="lazy" decoding="async" width="169" height="42" src="https://starten.tech/wp-content/uploads/2024/11/selonovo.webp" alt="" class="wp-image-4557"/></a></figure>



<p><em>Por Andrea DiP, Clarissa Levy, Claudia Jardim, Ricardo Terto, Stela Diogo</em></p>



<p>Impulsionados pelos algoritmos, os conteúdos das redes sociais que chegam pelas telas dos smartphones e computadores podem reforçar vieses preexistentes. Essa dinâmica dificulta o acesso a informações equilibradas e aprofunda tensões políticas e sociais, aponta a coordenadora do InternetLab, Ester Borges.</p>



<p>Convidada do&nbsp;<strong>Pauta Pública&nbsp;</strong>da semana, Borges discutiu as consequências de viver nas chamadas &#8220;bolhas de informação&#8221; criadas pelos algoritmos e as implicações disso para a democracia. O InternetLab é um centro independente de pesquisa interdisciplinar que promove o debate acadêmico e a produção de conhecimento nas áreas de direito e tecnologia, com foco na internet.</p>



<p>Segundo Borges, &#8220;quanto mais um indivíduo fica preso na sua própria realidade, mais propenso está em acreditar em meias-verdades, desumanizar e invalidar as crenças de grupos com pontos de vista divergentes&#8221;. Leia os principais pontos da entrevista e ouça o podcast completo abaixo.<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=80261a3206&amp;e=6aa82ca59b" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a></p>



<iframe style="border-radius:12px" src="https://open.spotify.com/embed/episode/2JwKPhYPmOrX9gY4TMa4lD?utm_source=generator&#038;t=0" width="100%" height="152" frameBorder="0" allowfullscreen="" allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy"></iframe>



<p><a href="https://starten.tech:2096/cpsess3526889551/3rdparty/roundcube/index.php?_task=mail&amp;_framed=1&amp;_caps=pdf%3D1%2Cflash%3D0%2Ctiff%3D0%2Cwebp%3D1%2Cpgpmime%3D0&amp;_uid=1191&amp;_mbox=INBOX&amp;_safe=1&amp;_action=preview#v1_"></a><strong>Estamos mesmo presos em bolhas?</strong></p>



<p>Essa pergunta tem motivado muitas pesquisas aqui dentro do InternetLab, o centro de pesquisa que eu faço parte, mas é difícil responder. Por que é difícil responder? Porque a gente tem muitas variações do que as pessoas chamam de bolha.</p>



<p>Temos uma definição dentro da teoria da comunicação, uma definição muito relacionada a algoritmos que estariam direcionando as pessoas a verem só o que elas gostam de ver nas redes, só o que elas já concordam. Mas aqui dentro do InternetLab, como a gente sempre coloca o usuário como o ponto principal, e não a tecnologia, a gente também chama de bolhas outras coisas, que são, por exemplo, os grupos que a gente decide ativamente participar.</p>



<p>Então, falando desses grupos que a gente decide ativamente participar, eu acho que a gente pode entender pelas pesquisas do InternetLab que sim, nós estamos em bolhas, mas talvez não bolhas tão inconscientes quanto algumas pessoas imaginam ou argumentam.</p>



<p><strong>Do que estamos falando concretamente quando falamos em bolhas? E como isso afeta do ponto de vista individual e coletivo?&nbsp;</strong></p>



<p>Eu penso muito em uma pesquisa sobre&nbsp;<a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=09672cfd22&amp;e=6aa82ca59b" rel="noreferrer noopener" target="_blank">vetores da comunicação política online</a>. É uma pesquisa grande que a gente faz já há quatro anos, então a gente tem quatro edições no ar, e nela a gente pergunta para as pessoas muito sobre como elas se relacionam com grupos de WhatsApp e outros aplicativos que têm mensageria. Não é uma rede social pública, mas você consegue falar com pessoas.</p>



<p>Quando a gente pergunta para as pessoas sobre que tipo de grupo elas procuram – onde elas se sentem à vontade para conversar sobre política principalmente, mas também assuntos da sociedade de maneira geral, desde notícias do bairro, a notícia sobre compra –,as pessoas sempre falam que elas têm preferido estar em grupos com afinidades semelhantes.</p>



<p>Cada vez mais elas estão em espaços em que elas retroalimentam os próprios valores, as próprias crenças, porque o divergente não é visto com bons olhos. As pessoas se sentem mais à vontade para conversar sobre assuntos da sociedade em espaços onde elas se sentem acolhidas, e esses espaços dificilmente são grupos como o grupo da família ou o grupo dos amigos. Porque ali existe a afinidade de um laço que não está vinculado ao interesse.</p>



<p>Agora, quando elas vão para um aplicativo como o Telegram, que elas procuram grupos de interesse e não necessariamente conhecem as pessoas ali, elas se sentem super mais à vontade. Parece que a sua vida privada, suas relações privadas, não necessariamente são as pessoas com quem você vai formar opinião.</p>



<p>Agora, as pessoas que vinculam de algum jeito a mesma ideologia política que você frequentam os mesmos fóruns da internet, esse tipo de coisa, aí sim, ali você consegue ser você mesmo, falar sobre sua opinião, principalmente quando se trata de política. Então, acho que se criam divisões muito grandes na sociedade a partir dessas bolhas. Acho que essa é a principal consequência.</p>



<p><strong>Qual a relação entre comunicação digital, a lógica das redes sociais e a polarização política e o extremismo?</strong></p>



<p>Quanto mais contato a gente tem só com reafirmações das nossas próprias crenças, dos nossos próprios valores, mais a gente se torna propício acreditar em meias-verdades ou teorias da conspiração, e eu acho que isso está super relacionado com esse extremismo político.</p>



<p>Porque o extremismo, na verdade, é você desumanizar um pouco o outro lado. Eu acredito que tenha essa ligação, assim, de você acabar se relacionando tanto com pessoas que pensam tão parecido com você que a pessoa que pensa diferente é quase desumanizada. E, quando ela é desumanizada, você acredita em teorias conspiratórias sobre ela, você acredita que ela não é um sujeito de direito tal qual você, você acredita que o discurso dela deveria ser cerceado de um jeito diferente do que o seu poderia ser cerceado ou não.</p>



<p>Então, acho que vai mais ou menos por aí, assim, quanto mais você está na sua própria realidade, preso na sua própria realidade, nas suas próprias crenças, menos você enxerga as crenças dos outros como válidas.</p>
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		<title>Curador comemora sucesso do Palco Geek Galaxy na Gramado Summit</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Barbosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 23:22:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[geek]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Rodrigo Selback (à esquerda) concedeu entrevista exclusiva ao starten.tech. Uma das características marcantes da Gramado Summit 2024, realizada de 10 a 12 de abril, em Gramado, foi a diversidade de temas abordados, proporcionando aos participantes uma visão abrangente das tendências atuais e futuras que estão moldando o cenário empresarial e tecnológico. Entre as novidades da [&#8230;]]]></description>
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<p>Uma das características marcantes da Gramado Summit 2024, realizada de 10 a 12 de abril, em Gramado, foi a diversidade de temas abordados, proporcionando aos participantes uma visão abrangente das tendências atuais e futuras que estão moldando o cenário empresarial e tecnológico. Entre as novidades da sétima edição da conferência de inovação e tecnologia, a trilha de conteúdo voltada para as temáticas <em>geek</em> e de games foi um dos destaques.</p>



<p>O Palco Geek Galaxy contou com a participação de quadrinistas, roteiristas e profissionais do mercado nerd. A trilha de conteúdo foi realizada com apoio do curador Rodrigo Selback, que é especialista em Ciências do Movimento Humano, coordenador de conteúdos da Campus Play da Party Brasil, mentor executivo da Campus Party Colômbia, apresentador do programa “Games e Profissões” da UbisoftTV, além de professor na Universidade de Caxias do Sul e na Universidade de Fortaleza.</p>



<p>Em entrevista exclusiva para o <strong>starten.tech</strong>, Selback comemorou o sucesso da trilha de conteúdo. Confira como foi o bate-papo:</p>



<p><strong>starten.tech:</strong> <em>Como foi estar à frente da trilha de conteúdo voltada para as temáticas geek e de games, apresentada pela primeira vez, na Gramado Summit?</em></p>



<p><strong>Rodrigo Selback</strong>: Pessoalmente para mim, a Gramado Summit sempre foi um sonho! Eu sou gaúcho, não moro mais no Rio Grande do Sul. Mas, sempre quis fazer um grande evento aqui no Estado. E aí os caminhos foram nos levando, nos levando, até conseguir realizar esse projeto dentro da Gramado Summit. Trazer a cultura <em>geek</em> e mostrar além do entretenimento, mostrar também o <em>business</em>, os assuntos de renda e as possibilidades de investimento foi um passo muito importante. A nossa avaliação, como curador e da equipe de apoio, e do que a gente tem colhido de informações, é de que o Palco Geek Galaxy foi um verdadeiro sucesso!</p>



<p><strong>starten.tech</strong>: <em>Quem não acompanha tanto o universo geek não sabe o quanto essa área movimenta economicamente, né?</em></p>



<p><strong>Rodrigo Selback</strong>: Se a gente for falar de mercado, só o mercado de games, ele é, no mínimo US$ 100 bilhões maior do que o do cinema e da música juntos. Só aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, foram R$ 80 milhões em novos negócios relacionados à games no ano de 2023</p>



<p><strong>starten.tech</strong>: <em>A programação do Palco Geek Galaxy foi bem diversificada, com painéis sobre quadrinhos, inteligência artificial, dentre outros. Como você vê a relação da temática greek com a tecnologia?</em></p>



<p><strong>Rodrigo Selback</strong>: A área <em>geek</em> é um campo que está sempre se reinventando. Apesar de ainda ter muito o básico, busca a todo o momento se reinventar e, com isso, também está adotando as novas tecnologias. Por exemplo, se a gente pegar uma história em quadrinhos, que é basicamente papel, ela não é mais só papel. Ela vai ter um QR Code que te leva para alguma coisa. Às vezes, para você desbloquear uma <em>skin</em> num jogo que está fazendo uma <em>collab, </em>te dar um desconto num ingresso. Ou, você compra um ingresso de cinema e lá vai ter um QR Code, que você vai escanear e ter acesso a uma HQ exclusiva. Tudo vai se conversando muito. Mas, sempre em torno dessa paixão pelo mundo nerd, pelo mundo <em>geek</em>, que são temas que, na verdade, a gente é apaixonado.</p>



<p><strong>starten.tech:</strong> <em>Pegando o quadrinho, mais especificamente, é possível sair de uma narrativa de papel para uma narrativa crossmidia, com várias formas de contar a mesma história. De que maneira isso acontece?</em></p>



<p><strong>Rodrigo Selback</strong>: Quando a gente fala de um Thor, de um Capitão América, eles são personagens mais óbvios. Mas, por exemplo, quando pegamos os personagens de Guardiões da Galáxia, que são menos óbvios, podemos observar que era um quadrinho totalmente fora do <em>mainstream</em>. Era um quadrinho que só a galera que realmente gostava de quadrinhos lia muito. E aí, o que acontece: ele vira um filme de sucesso, o que dá uma sobrevida para os quadrinhos, pois as pessoas começam a se interessar por aqueles personagens. Depois, tem um jogo de videogame, que se torna superfamoso. E tudo isso vai se conversando. Isso ocorre porque geramos o interesse por um dos personagens ou por um grupo de personagens, o que faz com que muita gente se interesse por todas as mídias relacionadas aos personagens. Do ponto de vista do negócio, essa interconexão é incrível. Por exemplo, o dono da propriedade intelectual utiliza sua propriedade intelectual em diversos lugares, o que gera divisas em diversas fontes.</p>
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									<h4>Confira abaixo imagens da trilha de conteúdo voltada para as temáticas <em>geek</em> e de games, que foi um dos destaques da Gramado Summit:</h4>								</div>
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