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	<title>Kassio Seefeld &#8211; starten.tech</title>
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		<title>Bootstrap Growth: como crescer sem investidor na prática</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kassio Seefeld]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 17:33:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Em abril de 2019, três sócios fizeram a primeira transação de uma empresa que ninguém conhecia. Sem investidor. Sem pitch deck. Sem rodada seed. Sem mentor com cheque. Sem aceleradora. Sem nada além de uma ideia, um mercado enorme e a decisão de construir com o próprio dinheiro. Bootstrap growth é o nome bonito para [&#8230;]]]></description>
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<p>Em abril de 2019, três sócios fizeram a primeira transação de uma empresa que ninguém conhecia. Sem investidor. Sem pitch deck. Sem rodada seed. Sem mentor com cheque. Sem aceleradora. Sem nada além de uma ideia, um mercado enorme e a decisão de construir com o próprio dinheiro.</p>



<p>Bootstrap growth é o nome bonito para acordar todo dia sabendo que o combustível da sua empresa vem do seu cliente, não de um fundo. Significa crescer uma companhia com o dinheiro que a própria operação gera.</p>



<p>Não tem investidor definindo sua rota. Não tem board pedindo relatório mensal. Não tem rodada de captação que te obriga a crescer 10x em 18 meses para justificar o valuation que você mesmo inflou. Tem você, seu time e seu cliente. Trabalhar no modelo bootstrap é uma escolha estratégica. E como toda escolha, tem consequências.</p>



<p>A minha decisão de ser foi consciente desde o primeiro dia. Não foi por falta de opção. Foi porque olhamos pro caminho com investidor e para o caminho sem investidor, e escolhemos o que fazia sentido pra empresa que queríamos construir em 50 anos.</p>



<p><strong>Por que escolhemos não captar (e o que isso custou)?</strong></p>



<p>A pergunta que mais ouço é: &#8220;Mas por quê?&#8221;. Como se fosse uma anomalia. Como se o caminho natural de qualquer empresa de tecnologia fosse passar por seed, Series A, B, C e, com sorte, um IPO. Eu entendo. O ecossistema inteiro de startups foi construído em cima dessa narrativa. A resposta curta é que escolhemos não captar porque queríamos liberdade de decisão.</p>



<p>A resposta longa é mais complexa. Quando eu e meus sócios começamos a empresa, sabíamos que estávamos entrando num mercado enorme. O transporte rodoviário move o Brasil. Segundo a Mordor Intelligence, o transporte rodoviário de cargas responde por mais de 66% do mercado brasileiro de logística, sendo o principal modo de movimentação de mercadorias no país. E a maioria dos transportadores ainda operava no caderninho, na confiança, no telefone. A oportunidade era clara e captar teria acelerado muita coisa. Mas também teria mudado o jogo.</p>



<p>Quando você aceita capital externo, você aceita um relógio. E esse relógio não é o seu. É do investidor. Ele precisa de retorno em cinco ou sete anos, precisa que você cresça rápido o suficiente para justificar a aposta, e se o seu ritmo natural não é o ritmo dele, alguém vai ter que ceder. Nós decidimos que não queríamos ceder.</p>



<p>Crescer devagar no começo foi o que nos permitiu ter solidez. Cada decisão de contratação pesava. Cada produto novo precisava se pagar. E cada cliente importava de verdade. Quando você é bootstrap, você não tem o luxo de errar caro. E isso, paradoxalmente, é uma vantagem. Porque te obriga a ser bom no que faz. Quando o combustível da empresa é o cliente, e não um fundo, você para de crescer pra impressionar e começa a crescer pra durar.&nbsp;</p>
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		<title>Nem todo &#8220;sim&#8221; que muda um negócio vem de investidores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kassio Seefeld]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 17:55:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando se fala em empreendedorismo, a narrativa costuma seguir um roteiro conhecido: o investidor que acreditou, o mentor que abriu portas, o sócio que dividiu o risco. Esses elementos são, sem dúvida, fundamentais para o crescimento de qualquer empresa. Mas existe um tipo de apoio que raramente entra nessa equação e que, na prática, sustenta [&#8230;]]]></description>
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<p>Quando se fala em empreendedorismo, a narrativa costuma seguir um roteiro conhecido: o investidor que acreditou, o mentor que abriu portas, o sócio que dividiu o risco. Esses elementos são, sem dúvida, fundamentais para o crescimento de qualquer empresa. Mas existe um tipo de apoio que raramente entra nessa equação e que, na prática, sustenta muitas das decisões mais críticas de quem empreende: a família.</p>



<p>Antes de existir produto, cliente ou faturamento, existe risco. E, muitas vezes, esse risco não é assumido sozinho. Os dados mais recentes sobre o assunto ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2024, mais de 50 milhões de brasileiros estão envolvidos em alguma atividade empreendedora. Ao mesmo tempo, o país segue com altas taxas de mortalidade de empresas nos primeiros anos, o que reforça o nível de incerteza envolvido em começar um negócio.</p>



<p>Por trás desses números, há histórias que não entram nos relatórios. Em 2018, enquanto atuava no setor de meios de pagamento e atendia clientes do segmento de transporte rodoviário, surgiu a oportunidade de criar uma solução voltada para um mercado ainda pouco explorado sob a ótica de tecnologia e eficiência. Naquele momento, porém, a empresa era apenas um CNPJ. Não havia produto estruturado, base de clientes ou qualquer previsibilidade de receita. Havia apenas uma hipótese de mercado e a decisão de apostar nela.</p>



<p>Como acontece com boa parte dos empreendedores brasileiros, a escolha não envolvia apenas uma mudança profissional, mas também pessoal. Isso incluía sair do Rio Grande do Sul e recomeçar em outra cidade, longe da rede de apoio familiar, com filhos pequenos e sem garantias. É nesse ponto que o empreendedorismo deixa de ser apenas uma decisão individual e passa a ser, inevitavelmente, uma construção coletiva.</p>



<p>Segundo uma pesquisa do Sebrae de 2023, mais de 60% dos empreendedores brasileiros contam com apoio direto da família no início da jornada, seja financeiro, emocional ou na divisão de responsabilidades do dia a dia. Ainda assim, esse fator raramente é tratado como parte estratégica da construção de um negócio, mesmo sendo, em muitos casos, o que viabiliza a continuidade nos momentos mais críticos.</p>



<p>Há decisões que não aparecem em relatórios, mas que definem trajetórias. Entre elas, o &#8220;sim&#8221; de quem está ao lado, muitas vezes abrindo mão de estabilidade, carreira e proximidade com familiares para sustentar um projeto que ainda não oferece garantias concretas de sucesso. Esse tipo de apoio tem um peso que não pode ser mensurado em indicadores tradicionais. Não entra em avaliação, não compõe apresentações para investidores e dificilmente é mencionado quando se fala em crescimento ou escala.</p>



<p>Ao longo do tempo, quando a empresa amadurece e os resultados começam a aparecer, a narrativa tende a destacar marcos mais tangíveis, como faturamento, expansão e inovação. Esses elementos são importantes e ajudam a contar parte da história, mas existe uma camada anterior, menos visível, que sustenta todas essas conquistas. Empreender no Brasil ainda é uma decisão de alto risco e, na prática, esse risco costuma ser compartilhado com quem está mais próximo, muitas vezes sem qualquer garantia de retorno.</p>



<p>Reconhecer esse fator não é apenas uma questão pessoal, mas uma forma de ampliar a compreensão sobre o que sustenta o empreendedorismo no país. Porque, no fim, antes de qualquer investimento, existe confiança. E, em muitos casos, é ela, silenciosa e fora dos holofotes, que permite que uma empresa exista, resista e cresça ao longo do tempo.</p>
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		<title>No transporte rodoviário, ESG já não é diferencial, é condição de mercado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kassio Seefeld]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 17:02:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Entre janeiro de 2023 e junho de 2024, transportadoras que adotaram práticas de ESG aumentaram em 16% sua participação de mercado e conquistaram 14% mais contratos com embarcadores que exigem critérios sustentáveis. Os dados, apresentados pelo pesquisador Cleverson Forato na TranspoSul 2025, evidenciam uma mudança estrutural no setor: o ESG deixou de ser discurso institucional [&#8230;]]]></description>
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<p>Entre janeiro de 2023 e junho de 2024, transportadoras que adotaram práticas de ESG aumentaram em 16% sua participação de mercado e conquistaram 14% mais contratos com embarcadores que exigem critérios sustentáveis. Os dados, apresentados pelo pesquisador Cleverson Forato na TranspoSul 2025, evidenciam uma mudança estrutural no setor: o ESG deixou de ser discurso institucional e passou a atuar como um filtro real de competitividade no transporte rodoviário.</p>



<p>Apesar disso, o tema ainda desperta ceticismo. Para quem convive diariamente com o diesel caro, margens apertadas e a escassez de motoristas, falar de Environmental, Social and Governance costuma soar como custo adicional, burocracia ou algo distante da realidade da estrada. Essa percepção, no entanto, ignora o papel do ESG como ferramenta prática de gestão, eficiência e sobrevivência dos negócios.</p>



<p>A experiência recente do setor mostrou que empresas com visão de longo prazo tendem a atravessar períodos de crise com mais resiliência. Durante a pandemia, por exemplo, transportadoras que se posicionaram ao lado de seus parceiros e motoristas, entendendo seu papel essencial no abastecimento do país, conseguiram manter operações e crescer mesmo em um cenário adverso. Ainda que o conceito de ESG não estivesse no centro do debate naquele momento, seus princípios já orientavam decisões estratégicas.</p>



<p>No transporte, o pilar ambiental está diretamente ligado à eficiência operacional. O principal inimigo do meio ambiente é o mesmo que compromete o caixa das empresas: o desperdício. Estudos da NStech indicam que a gestão eficiente de frotas contribui para a redução da ociosidade dos veículos e para a melhora no consumo de diesel. Em frotas médias, pequenas variações percentuais representam economias mensais significativas. A redução da pegada de carbono, nesse contexto, é consequência direta do controle de custos.</p>



<p>Casos observados no setor mostram que, quando a gestão do combustível deixa de ser intuitiva e passa a ser orientada por dados, os resultados aparecem de forma consistente. Redução no preço médio do diesel, ganhos financeiros acumulados e melhor aproveitamento de negociações são efeitos recorrentes de modelos de gestão mais estruturados. O &#8220;E&#8221; do ESG, portanto, não deve ser visto como custo, mas como eficiência financeira aplicada.</p>



<p>O mesmo raciocínio vale para o pilar social. O transporte enfrenta um apagão de mão de obra, e motoristas qualificados estão cada vez mais seletivos. Dados da Confederação Nacional do Transporte indicam que investimento em treinamento, valorização profissional e previsibilidade operacional contribui para a redução de acidentes, economia de combustível e diminuição do turnover, um dos principais fatores de pressão sobre o caixa das transportadoras. Empresas que negligenciam esse aspecto lidam com mais acidentes, processos trabalhistas e dificuldade para escalar suas operações.</p>



<p>A governança, por sua vez, segue como o ponto mais sensível, especialmente em empresas familiares. A ausência de processos claros, a mistura entre finanças pessoais e empresariais e o uso de controles informais limitam o acesso a crédito e afastam grandes embarcadores. Pesquisas de inteligência logística apontam que a maioria dos contratantes já considera a gestão auditável um critério decisivo na escolha de parceiros. Sem governança, as melhores oportunidades simplesmente deixam de existir.</p>



<p>A maturidade do setor mostra que crescimento sem controle cobra um preço elevado. Processos, indicadores e transparência não travam a operação; ao contrário, garantem fôlego para atravessar crises, tomar decisões estratégicas e sustentar uma visão de longo prazo.</p>



<p>No transporte rodoviário, ESG não é modismo nem exigência distante de consultoria. Trata-se de um modelo de gestão que conecta eficiência operacional, cuidado com pessoas e credibilidade de mercado. Em poucos anos, não haverá distinção entre empresas &#8220;com&#8221; ou &#8220;sem&#8221; ESG. Existirão aquelas que se adaptaram, ganharam competitividade e seguem operando e aquelas que ficaram pelo caminho.</p>



<p>Encarar o ESG como custo é uma escolha. Entendê-lo como estratégia é o caminho para garantir que as transportadoras ainda estejam rodando em 2030.</p>
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