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		<title>O capital de risco que ainda ignora mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Itali Colini]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 16:18:40 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Como líder de fundo de investimentos, sempre recebo convites para falar sobre mulheres, liderança e inovação. E sempre que isso acontece, me vejo repetindo os mesmos dados como se estivéssemos presos em um looping de conscientização básica, incapazes de avançar para a etapa seguinte: a responsabilização. Eu não aguento mais falar da diferença brutal de [&#8230;]]]></description>
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<p>Como líder de fundo de investimentos, sempre recebo convites para falar sobre mulheres, liderança e inovação. E sempre que isso acontece, me vejo repetindo os mesmos dados como se estivéssemos presos em um<em> looping</em> de conscientização básica, incapazes de avançar para a etapa seguinte: a responsabilização.</p>



<p>Eu não aguento mais falar da diferença brutal de investimento em empresas lideradas por mulheres. Nos últimos 15 anos, mulheres receberam algo entre 1,7% e 2,7% do capital de risco anual, em linha com estudos que apontam uma média de apenas 2,4% de VC para times exclusivamente femininos nas últimas três décadas. Sim, o patamar de investimento em times com apenas fundadoras não mudou nesse tempo todo.</p>



<p>Segundo artigo publicado na Harvard Kennedy School, empresas de capital de risco com 10% mais mulheres dentre as sócias fazem investimentos mais bem-sucedidos em suas empresas investidas e registram saídas 9,7% mais lucrativas. Estudo feito pelo fundo de capital de risco First Round Capital revela que startups fundadas por mulheres apresentam performance 63% superior.&nbsp; Não é falta de informação, nem de pesquisa ou de evidência, o que falta é uma mudança efetiva.</p>



<p>Também não aguento mais falar que essa diferença não tem relação com ambição ou competência feminina. O que estamos discutindo não é capacidade individual, mas sim a&nbsp; concentração histórica de poder, redes e de capital. É sobre quem sempre esteve e aquelas que quase nunca estiveram na sala onde as decisões são tomadas.</p>



<p>E além disso, estou cansada de dar depoimentos sobre como a ausência de mulheres nesses locais impacta diretamente os produtos que usamos, os serviços que consumimos e as soluções que deixam de existir. Isso não é teoria. É prática cotidiana. Quando não há diversidade de repertório, há lacunas de visão. E elas, por sua vez, geram indústrias inteiras negligenciadas.</p>



<p>Não suporto mais ouvir que o mercado é puramente racional. Se fosse, os padrões de decisão não reproduziriam os mesmos vieses inconscientes ano após ano. E além disso, o acesso ao capital não dependeria tanto de proximidade cultural, afinidade de trajetória e conforto social. O mercado é feito de pessoas e pessoas carregam referências e preferências.</p>



<p>Já estou exausta em ter que explicar que meritocracia, na prática, não existe em um jogo onde o ponto de partida já é desigual. Ela pressupõe condições equivalentes de acesso, erro e tempo. Mas, no ecossistema de inovação, alguns podem errar cinco vezes com capital abundante até acertar na sexta. Outras têm uma única chance e, se falham, dificilmente recebem uma segunda oportunidade.</p>



<p>Inovação é, por definição, tentativa e erro. É um risco calculado. É aposta. Mas quem decide onde apostar? E em quem apostar? Quando as mesas de decisão são homogêneas, as apostas também tendem a ser.</p>



<p>Diversidade não é somente pauta identitária, mas estratégia de alocação eficiente de capital, gestão de risco e geração de valor no longo prazo. Ecossistemas inovadores não prosperam por exclusão, mas por ampliar perspectivas e testar hipóteses variadas para resolver problemas reais sob múltiplos ângulos.</p>



<p>O que me cansa não é falar sobre o tema, é o fato de&nbsp; perceber que, mesmo que os anos passem, ainda estamos no estágio da sensibilização, quando já deveríamos estar discutindo metas claras, métricas públicas e compromissos vinculantes.<br><br>Quantos fundos têm metas explícitas de investimento em lideranças diversas?&nbsp; Quantas teses de investimento incorporam critérios estruturais de equidade?&nbsp; Quantos conselhos realmente medem o impacto da homogeneidade nas suas decisões?</p>



<p>Já não dá mais para tratar equidade como pauta lateral, como se fosse um &#8220;capítulo especial&#8221;. Ela deve ser estrutural para qualquer ecossistema que queira ser verdadeiramente inovador, competitivo e sustentável. Não é um adendo,&nbsp; é a base.</p>



<p>Precisamos urgentemente avançar para que a conscientização se torne, definitivamente, uma pausa para a responsabilização. Quem dera em um futuro próximo a gente possa divulgar números, assumir metas e revisar práticas e que tudo isso seja menos sobre discurso e mais sobre compromisso mensurável.&nbsp; No dia em que eu não precisar mais escrever este artigo, talvez finalmente estejamos inovando de verdade.</p>
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