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	<title>Isis Abbud &#8211; starten.tech</title>
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		<title>Diversidade regional no backoffice: por que os desafios são plurais no Brasil?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isis Abbud]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 16:33:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A transformação digital no backoffice brasileiro ainda é tratada como se o país fosse homogêneo, e esse é um erro estratégico que pode até não aparecer nos planejamentos, mas com certeza aparece no fechamento do mês. Na prática, operamos vários &#8220;Brasis&#8221; simultaneamente. E quem insiste em padronizar tudo como se São Paulo, Manaus e o [&#8230;]]]></description>
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<p>A transformação digital no backoffice brasileiro ainda é tratada como se o país fosse homogêneo, e esse é um erro estratégico que pode até não aparecer nos planejamentos, mas com certeza aparece no fechamento do mês. Na prática, operamos vários &#8220;Brasis&#8221; simultaneamente. E quem insiste em padronizar tudo como se São Paulo, Manaus e o interior do Nordeste tivessem o mesmo chão operacional está, sem perceber, tratando diferenças reais como exceção, aumenta o risco de falhas.</p>



<p>A desigualdade regional não é apenas social. Ela é operacional. Ela mora no detalhe: no fornecedor que emite documento em padrões diferentes, na prefeitura cujo serviço oscila, na conectividade que cai, no time que não consegue manter um rito de aprovação porque a rotina vira uma guerra. O Brasil avançou muito em digitalização, mas a infraestrutura e a maturidade seguem assimétricas. O próprio IBGE mostra diferença relevante entre áreas urbanas e rurais em domicílios com internet, uma pista clara de que a base de conectividade do país ainda não é uniforme.</p>



<p>E aí vem o primeiro grande equívoco do mercado: achar que tecnologia, sozinha, &#8220;equaliza&#8221; o Brasil. Ela ajuda, mas não substitui o contexto. Um exemplo simples: a banda larga média nacional pode bater recordes, mas isso não elimina o fato de que empresas (e pessoas) vivem realidades de estabilidade e qualidade muito diferentes, dependendo do território, do prestador, da redundância e até da energia. Infraestrutura é o limitador silencioso. E, quando o limitador é silencioso, a liderança costuma descobrir tarde.</p>



<p>O segundo erro é confundir automação com maturidade. Automatizar um processo ruim é só escalar problema — agora com mais velocidade. E o backoffice brasileiro ainda convive com &#8220;ilhas&#8221; de digitalização: uma parte automatizada, outra manual, e a governança tentando costurar tudo com o fio do retrabalho.&nbsp;</p>



<p>Quando se fala em IA, o contraste fica mais nítido. O Panorama do Contas a Pagar 2026 aponta que apenas 33% das companhias dizem usar IA no dia a dia e só 16% têm orçamento dedicado, enquanto 40% não investem financeiramente nesse tipo de tecnologia. Isso não descreve falta de ambição, e sim que muita gente ainda está tentando colocar a casa em pé antes de sofisticar o telhado.</p>



<p>Essa fotografia conversa com um padrão de maturidade que já aparecia em levantamentos anteriores: em uma edição de 2024 desse mesmo estudo, apenas cerca de 3 em cada 10 entrevistados consideravam o backoffice desenvolvido e só 27% concordam totalmente que ele é estratégico e contribui efetivamente para o negócio. O reconhecimento da importância avança mais rápido do que a capacidade operacional e tecnológica de executar. E essa distância aumenta quando você muda o CEP.</p>



<p>Nesse mesmo estudo, 51% das empresas no Nordeste e 36% das microempresas apareceram no grupo de menor maturidade em backoffice. Já Sul e Sudeste, assim como médias e grandes, indicam maturidade mais alta — embora mesmo entre grandes empresas ainda haja um alerta: 26% se consideravam pouco desenvolvidas. Esse é um retrato de como acesso a investimento, processos, tecnologia e governança se distribuem de forma desigual no país.</p>



<p>O terceiro erro é tratar pessoas como variável &#8216;neutra&#8217;. O Brasil não sofre de falta de talento; sofre de concentração de oportunidades. Dependendo da região, muda a disponibilidade de especialistas, a proximidade com centros de decisão, o acesso a treinamento contínuo e a própria cultura de processos e governança.&nbsp;</p>



<p>E isso tem impacto direto na execução. Por isso, tentar aplicar o mesmo desenho de operação em todo lugar — os mesmos fluxos, os mesmos prazos, os mesmos ritos de aprovação — costuma criar atrito. Se backoffice é previsibilidade, então gente, método e gestão são &#8220;infraestrutura&#8221; tanto quanto tecnologia. Sem esse alicerce, a empresa opera no modo sobrevivência. E sobrevivência não é estratégia.</p>



<p>Então, qual é o modelo organizacional que o Brasil exige? Não é a padronização total, nem o &#8220;cada filial faz do seu jeito&#8221;. É um desenho híbrido: padrões claros onde o risco é alto (dados, compliance, rastreabilidade, aprovação, pagamentos) e flexibilidade inteligente onde o país é plural (ritmos, canais, configurações, fornecedores, particularidades regionais). Isso pede uma liderança madura: menos fetiche por ferramenta e mais coragem para encarar processos, governança e capacitação como prioridades de negócio, e não como &#8220;problema do Fiscal&#8221;.</p>



<p>A verdade é que o Brasil cobra um tipo diferente de liderança: a que entende que contexto não é desculpa, é variável de projeto. O backoffice do futuro não será o que &#8220;parece&#8221; moderno, e sim o que funciona bem em diferentes realidades com governança, dados e rotinas que libertam as pessoas do operacional.</p>



<p>No fim do dia, liderar operações no Brasil exige mais do que tecnologia. Exige leitura de país. Exige entender que eficiência aqui não é só velocidade, é resiliência. O backoffice do futuro não vai ser o mais moderno no discurso. Vai ser o que consegue ser confiável em diferentes realidades, com dados que sustentem decisões e com gente que não viva refém do operacional.</p>



<p>A reflexão que eu deixo é: o seu modelo está preparado para a diversidade do Brasil, ou você ainda está tentando encaixar o país numa planilha única?</p>
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		<title>O futuro dos pagamentos B2B será híbrido, e o boleto ainda é parte dele</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isis Abbud]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 16:52:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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<p>O ecossistema de pagamentos entre empresas no Brasil vive um momento de transição silenciosa, em que a inovação cresce ao redor de práticas consolidadas. Enquanto o varejo celebra o avanço do Pix e das carteiras digitais, o universo B2B ainda se apoia em um protagonista de longa data: o boleto bancário. E não por inércia, mas por lógica.</p>



<p>O <em>Panorama do Contas a Pagar 2026</em>, estudo que analisou mais de 315 milhões de notas fiscais e R$ 3,7 trilhões em transações corporativas entre 2023 e 2025, mostra que o boleto segue responsável por 69,3% do valor financeiro movimentado entre empresas — mesmo após uma leve queda em relação a 2023, quando era 73,2%. Essa redução, embora visível, não sinaliza ruptura, e sim amadurecimento. As organizações estão migrando, mas com prudência: de um lado, em busca de agilidade digital; de outro, preservando previsibilidade e controle.</p>



<p>Enquanto isso, o boleto permanece dominante porque resolve problemas que o Pix ainda não alcançou. Ele integra-se de forma nativa aos ERPs, facilita a conciliação automática via DDA e oferece registro formal da transação, atributos essenciais para empresas com milhares de pagamentos mensais e exigências rígidas de compliance. No mundo corporativo, segurança e rastreabilidade ainda valem mais que velocidade.</p>



<p>Mas aos poucos a paisagem está mudando. O estudo mostra que transferências bancárias e carteiras digitais ocupam o segundo lugar em participação no valor financeiro B2B, ganhando força sobretudo em setores de alto ticket médio, como serviços, energia e setor público.&nbsp;</p>



<p>De forma similar, os depósitos ampliaram seu share de valor financeiro de 10,3% (2023) para 11,9% (2025), especialmente em Energia (24,4%), Setor Público (22,8%) e Educação (12,8%). Em 2025, o ticket médio supera R$ 30 mil em setores como Serviços (R$ 31,5 mil) e Setor Público (R$ 42 mil), sinal de que o método é usado em pagamentos contratuais e recorrentes — um indicativo de que a digitalização avança primeiro onde há governança e relacionamento consolidado entre as partes.</p>



<p>Enquanto isso, o Pix ainda ocupa um espaço modesto no B2B: 1,6% das notas e 0,5% do valor financeiro em 2025. Ele cresce em frequência, é verdade — dobrou sua participação nos últimos dois anos — mas ainda está restrito a operações pontuais, de menor valor ou com menor complexidade operacional. O Pix não é o vilão nem o salvador dos pagamentos empresariais. Ele é mais uma peça de um mosaico que se tornará cada vez mais fragmentado e contextual.</p>



<p>Essa fragmentação é saudável. Mostra que o futuro dos pagamentos B2B será híbrido e inteligente, com as companhias escolhendo o meio mais adequado conforme o contexto, o risco e o tipo de relação com o fornecedor. A eficiência aqui não está em substituir formatos, mas em integrar sistemas e automatizar o processo de ponta a ponta, reduzindo erros humanos e otimizando a gestão do fluxo de caixa.</p>



<p>Outro dado relevante do levantamento é que, entre as empresas entrevistadas, os principais entraves de eficiência ainda estão ligados a erros de dados, retrabalho e baixa automação nos fluxos de pagamento. É esse vácuo operacional que mantém o boleto atrativo: ele traz previsibilidade, permite conciliação automatizada e reduz riscos de erro, fatores críticos em um ambiente corporativo que movimenta trilhões de reais por ano.</p>



<p>O boleto, no fim das contas, não é um símbolo de atraso, e sim um reflexo da maturidade do sistema que equilibra inovação com segurança. A verdadeira transformação não está em abandoná-lo, mas em redesenhar a forma como ele é gerido. A automação (e não os &#8220;modismos&#8221;) é o que definirá o futuro dos meios de pagamento corporativo. Inovação, afinal, não consiste em trocar um método por outro. É sobre tornar o processo mais previsível, integrado e confiável. O futuro dos pagamentos B2B será plural, conectado e, acima de tudo, inteligente. E parece que o boleto, com toda sua estrutura e estabilidade, ainda fará parte dele por um bom tempo.</p>
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