O Outubro Rosa reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, mas também abre espaço para uma discussão ainda pouco explorada nas empresas: como liderar profissionais que enfrentam a doença? Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. Parte dessas mulheres estará em atividade profissional quando receber o diagnóstico, exigindo das lideranças habilidades que vão além da gestão de metas e resultados.
Para Susana Azevedo, especialista em desenvolvimento de lideranças e sócia da Quantum Development, o desafio começa pela falta de preparo para lidar com situações de vulnerabilidade. “Acredito que muitas lideranças não estejam preparadas. Não necessariamente por falta de empatia ou boa vontade, mas porque poucas foram desenvolvidas para lidar com situações em que a vulnerabilidade, a incerteza e as necessidades do trabalho se encontram”.
Um dos principais riscos está na maneira como o gestor interpreta o acolhimento. Na tentativa de proteger a profissional, pode acabar afastando-a de decisões, retirando responsabilidades ou limitando suas oportunidades de desenvolvimento sem consultá-la. Susana alerta para a importância de preservar a autonomia e evitar que o diagnóstico passe a definir a identidade profissional. “A pessoa recebeu um diagnóstico de câncer, não perdeu sua competência, sua identidade profissional ou sua capacidade de fazer escolhas.” Para a especialista, as adaptações precisam ser construídas em conjunto, considerando as necessidades individuais, as orientações médicas e as mudanças que podem ocorrer ao longo do tratamento.
A situação também exige atenção à dinâmica de toda a equipe. A redistribuição de atividades, a flexibilização de entregas e a reorganização das prioridades precisam ser acompanhadas de planejamento, recursos e comunicação adequada. Caso contrário, medidas bem-intencionadas podem provocar sobrecarga e ressentimento entre os colegas. Outro cuidado fundamental envolve a confidencialidade das informações médicas. “Preservar a privacidade não significa evitar as conversas necessárias. Significa saber distinguir o que pertence à intimidade da pessoa e o que precisa ser conversado para que a equipe continue funcionando de forma saudável”.
Retorno ao trabalho e próximos passos
O retorno ao trabalho após o tratamento representa outro momento delicado. Além de possíveis efeitos físicos e emocionais, a experiência pode modificar prioridades, expectativas profissionais e a relação com a carreira. O líder precisa estar preparado para renegociar condições e responsabilidades sem presumir limitações ou deixar de oferecer oportunidades de crescimento. “A pessoa pode não voltar a ser exatamente quem era antes. E isso não significa que tenha menos a contribuir. O papel da liderança é reconhecer possíveis mudanças, respeitar suas escolhas e criar condições para que ela continue desenvolvendo seu potencial e construindo sua trajetória profissional”, avalia.
Mas existe uma dimensão frequentemente esquecida nessa discussão: quem oferece suporte ao próprio líder? Diante de decisões difíceis, demandas emocionais e impactos sobre toda a equipe, o gestor também precisa de orientação, apoio do RH e condições organizacionais para exercer o cuidado. Susana questiona a distância entre o discurso das empresas e aquilo que efetivamente valorizam na gestão. “Não basta dizer que cuidar das pessoas é importante se, na prática, apenas os resultados de negócio são reconhecidos. A capacidade de cuidado não depende exclusivamente das competências individuais do líder, mas também das condições, dos incentivos e da cultura que a organização constrói”, conclui.
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que somam mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a empresa tem em seu portfólio clientes como Grupo Leveros e Uappi.

