Em Criciúma, 191 estudantes vão concluir a graduação neste semestre com um negócio em desenvolvimento em vez de um trabalho de conclusão de curso escrito. Eles estão distribuídos em 48 projetos dentro da TXM Catalyst, plataforma criada pela catarinense TXM Methods para organizar programas de inovação em universidades. A mesma ferramenta foi usada este ano na terceira edição do InovAÇÃO UFRJ, que reuniu 295 inscritos e 65 equipes, e está sendo aplicada no programa de empreendedorismo da graduação da UniSenai.
A TXM Catalyst reúne em um único ambiente digital o que costuma ficar espalhado entre formulários, planilhas, e-mails e grupos de mensagens. O estudante se cadastra, informa curso, período e habilidades, e a partir daí pode criar um projeto e convidar pessoas ou procurar iniciativas abertas e se candidatar a uma vaga. Depois de formada a equipe, o mesmo ambiente organiza a submissão dos projetos, o trabalho dos avaliadores e a divulgação dos resultados. Nesse formato, alunos de diferentes cursos, localidades e conhecimentos podem colaborar.
Segundo a TXM Methods, a ferramenta nasceu de uma lacuna de gestão. À medida que universidades e outras instituições ampliam programas de empreendedorismo e inovação, participantes, ideias, equipes, submissões, avaliações e resultados acabam distribuídos entre sistemas diferentes. A lógica inicial da plataforma funciona como um classificado inteligente de projetos: quem chega com uma ideia procura pessoas com competências complementares, e quem quer participar sem ter uma proposta própria encontra um projeto ao qual possa contribuir. A partir daí, a estrutura se estende à governança do programa inteiro.
O TCC que virou empreendimento
A UniSATC realiza o Empreendimento de Conclusão de Curso desde 2019, mas o formato anterior durava um ano e terminava na entrega de um artigo científico. A partir de 2025, a instituição transformou a proposta em um semestre prático, voltado à abertura de negócios, à criação de soluções de mercado ou à resolução de problemas corporativos. A aplicação da TXM Catalyst na universidade é uma parceria entre o Sebrae e a UniSATC. Hoje a disciplina de Projeto Final de Curso tem duas modalidades: a PFC1, com o trabalho tradicional e o artigo científico ao longo de dois semestres, e a PFC2, com o empreendimento de conclusão de curso apoiado pela TXM Catalyst.
A regra institucional exige equipes interdisciplinares de até cinco pessoas. Neste semestre, iniciado em 30 de julho, participam estudantes de 10 cursos, entre eles Engenharia de Software, Design, Publicidade e Propaganda, Manutenção Industrial, Engenharia Mecânica, Engenharia de Computação, Engenharia Elétrica, Engenharia Química, Engenharia de Minas e Engenharia Mecatrônica. A composição multidisciplinar conta pontos na avaliação final.
“A formação de equipes acontece dentro da plataforma ajuda muito o aluno mais tímido ou retraído, que dificilmente chegaria sozinho em um grupo já formado”, afirma a coordenadora da disciplina de Projeto Final de Curso da UniSATC, Vanessa Wendhausen Lima.
O formato predominantemente online pesou na adesão. A maioria dos estudantes da UniSATC trabalha durante o dia em Criciúma e na região, e a plataforma dispensa o deslocamento até a instituição no fim do expediente. Todos os registros e decisões dos projetos ficam centralizados no mesmo ambiente. Do lado do corpo docente, três professores mentoram entre 15 e 16 projetos cada.
“O objetivo não se resume a abrir empresas ou encaminhar projetos para incubação. O que a gente quer observar é o desenvolvimento de novas habilidades profissionais, alinhadas à cultura empreendedora da instituição”, diz Vanessa.
Da sala de aula ao INPI
Entre os 48 projetos da UniSATC está a Matê, liderada pela estudante de Design Manuela Córdova da Silva. “A Matê propõe uma nova forma de consumir cafeína a partir da erva-mate”, explica. “A ideia é transformar uma matéria-prima tradicional em um produto que permita uma experiência de preparo mais próxima do universo dos cafés”.
Manuela desenvolvia a ideia havia quase dois anos antes de levá-la ao programa. Hoje o projeto avança na terceirização do primeiro protótipo, já tem o branding estruturado e está em processo de registro junto ao INPI. Para ela, a mudança não foi a ideia, e sim o que aconteceu com ela dentro do programa. “O que mudou foi transformar essa vontade em um compromisso concreto, com prazos, entregas e responsabilidades. Isso fez com que o desenvolvimento acontecesse de forma muito mais ágil.” Ela pretende seguir com a Matê depois da formatura.
Três edições na UFRJ
Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o InovAÇÃO é uma competição universitária de empreendedorismo realizada pelos atores do Ecossistema de Inovação da instituição. As três edições do programa foram feitas em parceria com a TXM, e a TXM Catalyst entrou em 2026, com 295 inscritos e 65 equipes formadas.
“A conexão entre estudantes de diferentes campi e diferentes cursos foi facilitada por essa plataforma, sem dúvida”, avalia Carlos Eduardo Lopes, coordenador de Empreendedorismo da Inova UFRJ e diretor do Centro de Referência em Inovação para Operações Sustentáveis – CRIOS UFRJ. “Criou uma possibilidade de conectar estudantes que estavam em diferentes cidades, em diferentes campi, dentro do mesmo projeto.” A principal mudança operacional, segundo ele, está na inscrição: antes só equipes prontas se inscreviam, e agora quem ainda não tem ideia pode entrar e procurar um time.
Sobre a TXM Methods
A TXM Methods desenvolve metodologias de inovação aberta que cobrem desde a ideação até a gestão estratégica de projetos. Criada pelo professor Luiz Salomão Ribas Gomez, a empresa aplica sua metodologia em programas de empreendedorismo, inovação social e corporativa e transformação organizacional, apoiada no conceito da Quádrupla Hélice da Inovação, que articula instituições de ensino, empresas, governos e sociedade. Segundo dados da própria empresa publicados pela Exame em agosto de 2026, já formou 8.972 pessoas em 256 turmas e recebeu 4.851 projetos, com atuação nas 27 unidades da Federação

