Quase nove em cada dez mulheres empreendedoras brasileiras já enfrentaram o endividamento e 68% tiveram um pedido de crédito negado, segundo levantamento da Serasa em parceria com a Opinion Box. Em um cenário em que o acesso ao crédito ainda representa um dos principais entraves ao empreendedorismo feminino, a CloQ, fintech que desenvolveu score comportamental para ampliar o acesso ao crédito e ajudar brasileiros a construir histórico positivo, alcançou uma distribuição praticamente equilibrada em sua carteira ativa: 48% dos clientes são mulheres e 52% homens, mesmo sem desenvolver produtos ou campanhas voltadas especificamente para esse público.
O dado ganha relevância porque foi registrado em uma modalidade em que mulheres de baixa renda historicamente encontram mais obstáculos para acessar crédito. Em modelos tradicionais de concessão, exigências como comprovação formal de renda, histórico bancário e apresentação de garantias acabam limitando o acesso de trabalhadores informais e empreendedores de menor renda, perfil que reúne uma parcela expressiva da população feminina.
Na base da CloQ, mais da metade dos clientes (52%) atua na informalidade, 62% têm pelo menos um filho e as ocupações mais frequentes incluem vendedores, auxiliares de atendimento, babás, cozinheiros, cabeleireiros e acompanhantes de idosos. Profissões que, historicamente, concentram uma participação expressiva de mulheres e que, muitas vezes, estão associadas à informalidade ou à dificuldade de atender aos critérios convencionais de concessão de crédito, como comprovação de renda formal, histórico bancário ou apresentação de garantias.
Para a CEO e cofundadora da CloQ, Rafa Cavalcanti, a composição da carteira indica que a baixa participação feminina em determinadas modalidades de crédito pode estar mais relacionada às exigências dos modelos tradicionais de análise do que à falta de demanda. A empresa utiliza um modelo proprietário de score comportamental, que complementa os critérios financeiros convencionais para avaliar a capacidade e a intenção de pagamento dos clientes.
“Não desenhamos um produto para mulheres nem estabelecemos metas de participação feminina. A paridade aconteceu de forma natural porque buscamos avaliar o comportamento financeiro das pessoas, e não apenas indicadores tradicionais que acabam excluindo parte da população. O aumento da pressão financeira sobre as famílias faz com que muitas mulheres precisem recorrer ao crédito para lidar com imprevistos ou manter suas atividades. Quando esse crédito considera a realidade de quem trabalha na informalidade ou não possui garantias, percebemos que existe uma demanda significativa que antes ficava à margem do sistema financeiro”, afirma Rafa.
A fintech atua na oferta de nano-crédito para empreendedores informais e trabalhadores de baixa renda por meio de um modelo baseado em análise comportamental. Para a empresa, o equilíbrio observado na carteira reforça uma discussão crescente no setor financeiro sobre como ampliar o acesso ao crédito sem depender exclusivamente de critérios tradicionais, especialmente para públicos historicamente subatendidos.
Sobre a Cloq:
Fundada em 2018, a CloQ, fintech que criou score de crédito comportamental para acesso a crédito e que auxilia brasileiros a construírem um histórico de crédito positivo. A empresa desenvolve análise de crédito inclusiva, independente de renda ou do score tradicional, simplificando o acesso para quem mais precisa. Até hoje, a CloQ já realizou mais de 30 mil nano-empréstimos, para pessoas de todo o Brasil. Ao todo, são mais de 150 mil pessoas cadastradas na plataforma.

