O Instituto Caldeira anuncia oficialmente, nesta quinta-feira, 26, durante o South Summit Brasil em Porto Alegre (RS), o NOC Caldeira, um centro de monitoramento e inteligência territorial voltado ao acompanhamento de dados urbanos e climáticos do 4º Distrito. A iniciativa integra sensores instalados no território, dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e bases públicas de informação para gerar indicadores e apoiar decisões baseadas em dados sobre clima, mobilidade e infraestrutura urbana.
O projeto foi viabilizado após uma campanha de financiamento coletivo lançada no final de 2025. A arrecadação permitiu estruturar a primeira fase do NOC (Network Operations Center), que vai operar como uma plataforma de monitoramento em tempo real do território.
Às 16h, no Espaço da Prefeitura de Porto Alegre no South Summit Brasil, será assinado o acordo de cooperação com a prefeitura — na ocasião também serão detalhados projetos, investimentos e obras para transformar o 4º Distrito em um polo de inovação urbana, sustentável, tecnológico e cultural. A proposta é posicionar a região como um ambiente conectado, capaz de integrar dados ambientais, urbanos e operacionais para apoiar decisões públicas e privadas.
Plataforma de monitoramento territorial
O NOC Caldeira foi concebido como um centro de integração de dados urbanos. Entre as informações monitoradas estão dados climáticos, indicadores de mobilidade urbana, sistemas de drenagem e condições ambientais. Esses dados são organizados em dashboards e painéis analíticos que permitem visualizar tendências, padrões e eventuais situações de risco.
A infraestrutura tecnológica inclui uma estação meteorológica instalada no próprio Instituto Caldeira, responsável pela coleta contínua de dados como temperatura, umidade, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento e volume de precipitação. Além disso, o projeto incorpora sensores conectados via Internet das Coisas para monitorar variáveis críticas da infraestrutura urbana, como o nível da água em bocas de lobo e o comportamento do lençol freático. Esses dados passam a compor uma base histórica que permitirá análises climáticas mais detalhadas sobre o comportamento ambiental da região.
Integração de bases públicas de dados
Outro eixo central do projeto é a integração com bases de dados já existentes na gestão urbana de Porto Alegre. O NOC está estruturando conexões com diferentes sistemas e plataformas públicas para consolidar informações em um único ambiente analítico.
Entre as fontes de dados já mapeadas ou em processo de integração estão a plataforma POA Clima, da Prefeitura de Porto Alegre, dados da Defesa Civil, informações sobre drenagem urbana e proteção contra cheias do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos), e dados de mobilidade urbana da EPTC. O sistema também incorpora dados meteorológicos do Aeroporto Internacional Salgado Filho, operado pela Fraport, ampliando a cobertura de informações climáticas disponíveis para análise.
A consolidação dessas bases permite cruzar diferentes variáveis — como volume de chuva, fluxo de veículos, nível de drenagem urbana e condições ambientais — para produzir análises mais completas sobre o funcionamento do território.
Além da plataforma digital, o projeto inclui a criação de um espaço físico dedicado ao monitoramento dentro do Instituto Caldeira. O ambiente funcionará como um centro de operação com painéis de visualização de dados e dashboards que permitem acompanhar indicadores do território em tempo real.
A sala foi concebida para funcionar como um ambiente de monitoramento contínuo e também como um espaço demonstrativo de tecnologia aplicada à gestão urbana. Visitantes, parceiros institucionais e gestores públicos poderão acompanhar visualizações dos dados coletados e entender como diferentes sistemas de informação podem ser integrados para gerar inteligência territorial.
Resiliência climática
A criação do NOC está diretamente relacionada ao contexto das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e impactaram fortemente o 4º Distrito de Porto Alegre. A experiência reforçou a necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento e antecipação de eventos climáticos extremos no território. Com o novo sistema, a expectativa é permitir respostas mais rápidas a situações críticas, além de gerar uma base de conhecimento sobre o comportamento climático e urbano da região.
“O objetivo é ter uma infraestrutura de dados para o distrito de inovação, permitindo acompanhar diferentes indicadores urbanos e apoiar decisões baseadas em informação”, diz Pedro Valério, Diretor Executivo do Instituto Caldeira.
Após o lançamento, o projeto entra em uma nova fase de desenvolvimento, focada na consolidação da plataforma de dados e na criação de indicadores territoriais mais avançados. Entre os próximos passos estão a ampliação da rede de sensores, a integração de novas bases de dados e o desenvolvimento de modelos analíticos capazes de correlacionar diferentes variáveis urbanas. No médio prazo, o sistema também deverá incorporar ferramentas de análise preditiva com uso de inteligência artificial, capazes de identificar padrões históricos e antecipar cenários relacionados a eventos climáticos, dinâmica urbana e funcionamento da infraestrutura.
“A criação do NOC é uma resposta concreta a uma necessidade real da cidade”, afirma Pedro Valério. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de como ela pode ser usada para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta da comunidade. É um projeto coletivo, feito com e para as pessoas”.

