Lidar com as diferentes gerações no mercado de trabalho é um desafio. É o que aponta o relatório “Tendências de Gestão de Pessoas”, do Ecossistema Great People & GPTW. Mais da metade dos entrevistados afirmou que esse é um dos principais desafios nas organizações atualmente. Quando questionados sobre com quais gerações ocorrem os maiores conflitos, 68,1% indicaram a Geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1996 e 2010.
Entre profissionais mais experientes, é comum ouvir a afirmação de que “os jovens estão sem noção”. Mas será que essa percepção corresponde à realidade?
A especialista em desenvolvimento de lideranças e transformação cultural e sócia da Quantum Development, Susana Azevedo, explica que esse tipo de percepção não é novidade. “Desde sempre, as gerações mais antigas tendem a considerar as mais novas despreparadas”, pontua. Segundo ela, essa percepção também é reforçada por organizações que ainda operam em modelos tradicionais de comando e controle, o que torna as diferenças geracionais mais evidentes na forma como profissionais encaram carreira, autonomia e propósito.
Susana reconhece que parte dos jovens chega ao mercado de trabalho com pouca preparação para a dinâmica das organizações. “Alguns chegam sem noção clara do que significa trabalhar em uma empresa, conviver com outras pessoas, assumir responsabilidades e responder por metas. Em muitos casos, a própria educação formal não os preparou adequadamente para esses desafios”, avalia.
Segundo a especialista, se por um lado surgiu uma geração mais questionadora, interessada em compreender o propósito do trabalho e contribuir com ideias, por outro também se observa menor tolerância à frustração e mais dificuldade em lidar com processos estruturados. “Muitos pais que viveram uma educação rígida tentaram evitar que os filhos passassem pelo mesmo e, em alguns casos, o pêndulo foi para o extremo oposto, com excesso de permissividade e poucos limites”, explica. No cotidiano das empresas, isso se reflete em jovens que chegam ao mercado conhecendo bem seus direitos, mas ainda com dificuldade de compreender plenamente seus deveres e responsabilidades.
Como engajar os jovens e aproveitar o melhor da geração
Dos 104 milhões de trabalhadores no Brasil, cerca de 25,9 milhões têm entre 18 e 29 anos, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE. Apesar dos desafios, especialistas afirmam que é possível criar ambientes de trabalho mais atrativos e transformar as diferenças geracionais em vantagem competitiva.
Para Susana, o primeiro passo é reconhecer o contexto e preparar a organização para lidar com ele. “Tendo consciência de que parte dos jovens e, por vezes, também profissionais mais experientes, chegam ao trabalho sem clareza sobre o funcionamento das organizações, cabe à liderança, em parceria com o RH, diagnosticar a realidade da empresa e criar modelos de atração, integração e desenvolvimento desse público. Esse processo pode, inclusive, ser uma oportunidade para revisar processos internos e fortalecer a liderança”, afirma.
Entre os elementos mais valorizados pelas novas gerações, ela destaca:
- clareza de propósito.
- cultura transparente e com espaço para autonomia.
- visão estratégica clara sobre o futuro da organização.
Outra recomendação é investir em iniciativas que estimulem a inteligência intergeracional dentro das empresas, criando espaços de diálogo e aprendizagem entre profissionais de diferentes idades.
No fim das contas, talvez a pergunta lá do início precise ser reformulada. O jovem está realmente sem noção ou as organizações ainda não aprenderam a dialogar com uma nova forma de pensar trabalho, carreira e propósito? “A resposta passa por reconhecer que os dois lados têm desafios. Mesmo que a empresa faça tudo certo, vão chegar profissionais sem preparo. E, em outros casos, não é o jovem que está despreparado, mas a própria organização. Por isso, o caminho é construir essa relação em conjunto”, avalia a especialista.
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que somam mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a empresa tem em seu portfólio clientes como Grupo Leveros e Uappi.


