Santa Catarina vem consolidando uma estratégia estruturada para ampliar a formação de profissionais em tecnologia e fortalecer a base de talentos do setor. A iniciativa articula diferentes programas e parceiros do ecossistema de inovação e propõem uma qualificação em jornada contínua que vai do despertar para carreiras em tecnologia até a formação de lideranças capazes de escalar negócios. Apenas em 2025, as iniciativas da entidade junto de parceiros impactaram 13.169 pessoas, resultado que elevou para mais de 57 mil o número de talentos alcançados nos últimos cinco anos.
A abordagem foi estruturada pela Vice-Presidência de Talentos da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) em cinco etapas complementares — Despertar, Primeiros Passos, Profissionalizar, Aperfeiçoar e Escalar — que organizam iniciativas voltadas desde a inclusão digital e o primeiro contato com tecnologia até programas de qualificação técnica e formação executiva para empresas do setor.
Entre os programas que compõem essa estratégia estão iniciativas de capacitação em programação, ciência de dados, inteligência artificial e formação técnica, realizadas em parceria com empresas, instituições de ensino e organizações sociais. Um dos exemplos é o Entra21, programa de formação em tecnologia realizado pela ACATE-BLUSOFT, no Vale do Itajaí, que completou duas décadas de atuação e registra taxa de cerca de 80% de empregabilidade entre os participantes, resultado associado à conexão direta entre formação e demandas do mercado de trabalho.
Para a ACATE, iniciativas com esse perfil ajudam a enfrentar um dos principais desafios do setor no país: a disponibilidade de profissionais qualificados em áreas ligadas à transformação digital. “Quando formação e mercado caminham juntos, aumentam as chances de inserção profissional e de desenvolvimento sustentável do ecossistema de tecnologia. Programas que aproximam estudantes, empresas e instituições de ensino mostram que é possível acelerar a geração de oportunidades e reduzir lacunas de talentos”, afirma o vice-presidente de Talentos da ACATE, Moacir Marafon.
Geração de emprego e renda
A trajetória de Willian Matheus Nunes Mafra, 25 anos, ilustra o impacto que a qualificação pode ter na mudança de carreira e na inserção no setor de tecnologia. Ele participou da edição de 2022 do Entra21 e sua vida mudou: “Antes e durante o Entra21 trabalhava como vendedor no CEASA de Blumenau. Minha motivação para buscar uma formação em tecnologia era ter um salário melhor, uma carreira e melhores condições de trabalho”, conta.
Durante o período de formação, conciliou trabalho, estudos e deslocamentos diários entre cidades do Vale do Itajaí. “Conheci o programa por meio de amigos. O maior desafio foi conciliar minha jornada de trabalho com os estudos e a autoescola. O trabalho era das 02h da manhã ao meio-dia, o curso era das 13h30 até às 17h e, nos dias de autoescola, das 18h às 23h, com toda uma logística de morar em Ascurra e trabalhar em Blumenau.”
Mesmo com a rotina intensa, concluiu todas as etapas do programa e se destacou pelo comprometimento com a formação. Após concluir o curso, passou a atuar no setor de tecnologia e evoluiu profissionalmente na área. “Ingressei em uma empresa de tecnologia como programador júnior e hoje ocupo o cargo de coordenador do setor de desenvolvimento. No quesito pessoal, adquiri muito conhecimento, melhorei minha inteligência emocional, tive acesso a muitas oportunidades de aprendizado, enfim, são muitas conquistas”.
Jornada de formação organiza desenvolvimento de talentos
A estratégia de formação apoiada pela ACATE está organizada em uma jornada que acompanha diferentes momentos da trajetória profissional e conecta educação, qualificação e desenvolvimento de lideranças no setor de tecnologia. A primeira etapa, Despertar, reúne iniciativas voltadas a apresentar o universo da tecnologia e ampliar o interesse por carreiras digitais, com ações de inclusão digital e programas que aproximam jovens e novos públicos do setor.
Na fase Primeiros Passos, os programas passam a oferecer formação inicial e experiências práticas, permitindo que participantes tenham o primeiro contato com programação, ferramentas digitais e fundamentos da área de tecnologia. A etapa Profissionalizar concentra cursos de qualificação técnica e programas voltados à preparação para o mercado de trabalho, com desenvolvimento de competências em áreas como desenvolvimento de software, ciência de dados e inteligência artificial.
Já a fase Aperfeiçoar é direcionada a profissionais que já atuam no setor e buscam atualização ou especialização em novas tecnologias e metodologias. Por fim, a etapa Escalar reúne iniciativas de formação executiva e desenvolvimento de lideranças, voltadas a empreendedores, gestores e executivos que buscam ampliar a capacidade de crescimento e inovação de empresas de tecnologia.
Segundo a ACATE, a estrutura da jornada formativa permite conectar diferentes perfis de público — desde estudantes e pessoas em transição de carreira até profissionais que já atuam no setor —, e criar caminhos mais claros para o ingresso e desenvolvimento na área de tecnologia. “O setor de tecnologia cresce em ritmo acelerado e exige uma base de talentos cada vez mais preparada. Organizar a formação em uma jornada estruturada permite ampliar o acesso, orientar trajetórias profissionais e conectar qualificação às demandas reais do mercado”, diz Marafon.
Ecossistema e ampliação da formação
A jornada de desenvolvimento de talentos envolve iniciativas voltadas a diferentes públicos e etapas da carreira, reunindo empresas, instituições de ensino e organizações do ecossistema em torno da ampliação da qualificação profissional em tecnologia. Para a ACATE, a articulação entre esses atores é fundamental para ampliar o alcance das iniciativas e responder às transformações aceleradas do setor. As oportunidades e os dados sobre contratação no ecossistema são publicadas regularmente no site da Vertical de Talentos.
“O desenvolvimento de talentos é uma agenda estratégica para o futuro da tecnologia. Quando empresas, instituições de ensino e organizações do ecossistema atuam de forma coordenada, ampliamos oportunidades para as pessoas e fortalecemos a capacidade de inovação das empresas”, afirma Marafon. A expectativa é ampliar o alcance das iniciativas nos próximos anos, conectando qualificação profissional, inclusão digital e desenvolvimento econômico por meio da tecnologia.
Para 2026, a estratégia de formação de talentos deve ganhar escala com a ampliação de iniciativas estruturantes no estado. Entre elas está o SCTEC, programa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI), executado pelo Senai/SC e com apoio da ACATE, que incorpora a lógica da jornada de formação ao oferecer trilhas voltadas a diferentes perfis. Entre as frentes estão a formação para desenvolvedores que buscam aperfeiçoamento em inteligência artificial, com foco em aplicação prática, além de capacitações voltadas a públicos iniciantes e à profissionalização na área de tecnologia. O programa prevê mais de 155 mil vagas em cursos gratuitos e online, voltados a residentes em todo o estado a partir dos 14 anos, com parte das turmas já em andamento.


