O uso de tecnologia de reconhecimento facial com inteligência artificial está transformando a prevenção de perdas no varejo físico brasileiro. Dados operacionais da Deconve, startup especializada em soluções de prevenção de perdas no varejo físico, mostram que, entre 2024 e 2025, o número de unidades atendidas pela plataforma cresceu 85,45%, passando de 268 para 497 lojas monitoradas, enquanto o total de ocorrências identificadas saltou 269,59 no período. Essa evolução refletiu em uma estimativa de economia de mais de 48,8 milhões em 2025, um crescimento de 345% em relação ao ano anterior.
“Estamos vendo uma mudança de patamar no varejo físico, onde a tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade real de negócio”, afirma o CEO da Deconve, Rodrigo Tessari. “Não se trata apenas de recuperar valores e sim, de inibir perdas antes que aconteçam, permitindo que gestores tomem decisões com base em dados”.
Na prática, a empresa entrega uma solução própria de IA integrada às câmeras de segurança que faz o monitoramento de pessoas e atividades suspeitas para prevenir furtos antes que eles aconteçam, principalmente em lojas e supermercados. Ou seja, quando a pessoa entra na loja é identificado se ela tem ocorrências prévias de furtos e, caso ocorra o reconhecimento, o alerta é emitido e checado por um operador humano, que valida e avisa da situação.
O maior diferencial da solução oferecida pela empresa é que ela opera com uma base de dados colaborativa, na qual os próprios clientes podem cadastrar ocorrências e indivíduos suspeitos, promovendo uma espécie de “vizinhança comunitária” entre varejistas. “Uma das maiores vantagens da nossa solução é a capacidade de entregar inteligência preditiva e não apenas dados brutos. Isso permite aos varejistas reduzir o impacto financeiro de furtos e fraudes, fortalecer a segurança operacional e otimizar suas equipes de prevenção de perdas”, destaca Tessari.
A tendência de expansão do reconhecimento facial
O desempenho da Deconve acompanha tendências globais mais amplas: o mercado de reconhecimento facial aplicado a segurança, identificação e análise de comportamento está em forte expansão. Relatórios recentes apontam que o tamanho do mercado global deve crescer exponencialmente nos próximos anos, com projeções que o levem a valores na casa dos bilhões de dólares até 2028, impulsionado pela adoção em setores como varejo, segurança e autenticação inteligente de pessoas.
Apesar do crescimento e das aplicações positivas, soluções de reconhecimento facial também têm gerado debates no mercado internacional, especialmente em relação à privacidade do consumidor. Grandes redes de supermercados nos Estados Unidos, por exemplo, atraíram atenção da mídia e legisladores por usar sistemas biométricos em lojas, reacendendo a discussão sobre como equilibrar segurança e proteção de dados pessoais.
No Brasil, ainda segundo o levantamento da Deconve mostram que a média de ocorrências por unidade passou de 105,92, para 211,09 ao ano, reflexo de uma atuação mais efetiva da IA em identificar padrões de risco e situações de perda. Além disso, a proporção de ocorrências relacionadas a tentativas de furto ou perda aumentou de 9,5% para 15,09%, um indicativo de que a tecnologia também está conseguindo capturar com mais precisão eventos relevantes para o varejo físico.
Com a adoção acelerada e clientes em diversos segmentos do varejo, a Deconve segue ampliando sua presença no mercado, oferecendo não apenas tecnologia de ponta, mas também apoio à governança de dados e conformidade com a legislação. A expectativa da startup é seguir avançando neste ano para atingir a meta de cerca de R$ 6 milhões de faturamento em 2026, três vezes acima do registrado no ano anterior.
Sobre a Deconve
A Deconve faz parte do Grupo OSTEC, atuando como o braço de segurança física do grupo especializado em cibersegurança. Fundada em Florianópolis (SC), a startup participou do programa de incubação MIDITEC, da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). Com atuação nacional, a Deconve ajuda varejistas a reduzirem furtos e perdas por meio de uma tecnologia que une reconhecimento facial e inteligência artificial, buscando resultados concretos e com rápida implementação de uso acessível por lojistas.

