Um quarto da população brasileira apresenta diagnóstico de ansiedade, de acordo com a pesquisa Covitel 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane. Esse é um dos principais problemas de saúde mental no país e, claro, que essa situação também impacta os ambientes de trabalho. A ansiedade levou a 166.489 afastamentos do trabalho por incapacidade temporária no Brasil em 2025, segundo dados da Previdência Social.
Para especialistas em gestão, o cenário é amplo e pode afetar mais pessoas do que as que são diagnosticadas com ansiedade ou afastadas do trabalho. Eles alertam que há um estado coletivo de equipes que estão desconectadas do presente. O fenômeno, conhecido como “modo ansiedade”, se manifesta quando o time passa a operar em alerta constante, projetando cenários negativos ou remoendo erros do passado.
“Quando a ansiedade toma conta, o grupo perde a capacidade de estar presente e passa a projetar cenários negativos para o futuro ou a remoer erros do passado. Essa mudança de estado mental coletivo afeta diretamente a produtividade, a criatividade e o bem-estar de todos”, explica Bianca Aichinger, especialista em desenvolvimento de lideranças e transformação cultural e sócia da Quantum Development.
No dia a dia destes times, estão presentes o medo de errar, processos de comunicação cercados de tensão e dificuldade em reconhecer e celebrar pequenas conquistas. Segundo Bianca, isso acontece porque grande parte da energia do time é consumida na ruminação mental, e não no trabalho estratégico. “Líderes eficazes trazem clareza ao caos, funcionando como pontos de ancoragem para suas equipes”, afirma. Ser esse ponto de ancoragem significa reduzir ruídos, dar direção e ajudar o time a diferenciar o que é sinal do que é apenas ruído.
Entre as iniciativas que podem ser adotadas para promover uma redução do “modo ansiedade” estão:
- – Ter clareza de objetivos de curto e longo prazo.
- – Focar em ações do presente.
- – Ter coragem para dizer não a distrações fazem parte desse processo.
- – Realizar alinhamentos rápidos, para que todos tenham visibilidade do processo ao longo do caminho.
- – Promover rituais com consistência e previsibilidade.
- – Realizar o reconhecimento de pequenas vitórias ajuda a devolver segurança psicológica às equipes.
Ignorar esse estado de alerta permanente tem consequências profundas. Individualmente, o esgotamento bloqueia aprendizado e desenvolvimento. No coletivo, criatividade e colaboração desaparecem, já que inovar exige espaço mental. “Esse estado de alerta constante cria uma ilusão de produtividade, com muita atividade e pouco trabalho significativo, além de decisões ruins e perda de engajamento”, alerta a especialista.
Bianca avalia que é importante começar a mudança através de pequenos passos e de um olhar sincero para os problemas. “Em vez de anunciar ‘vamos implementar mindfulness’, faz mais sentido ouvir as dores dos colaboradores: reuniões caóticas, falta de foco, esgotamento. Quando o problema vem primeiro, as práticas parecem soluções naturais. As práticas mais eficazes se misturam ao fluxo: 30 segundos de silêncio no início das reuniões, pequenas pausas entre blocos intensos, micro-respiros entre videoconferências. Assim, ninguém estranha”, sugere. E o líder é modelo e exemplo, não adianta defender pausas e enviar e-mails no meio da madrugada. “É só quando os líderes respiram antes de começar reuniões e respeitam limites, que a cultura muda”.
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na sua profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que possuem mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a Quantum Development tem em seu portfólio de clientes empresas como Grupo Leveros e Uappi.

