
Vamos conhecer quatro trajetórias que estão estruturando comunidades, movimentos e ecossistemas no sul do Brasil.
Existe uma tendência recorrente quando se fala em ecossistema de inovação: associar sua construção à energia dos eventos, à força das conexões ou ao entusiasmo de novas iniciativas. Mas, sabemos que, qualquer ambiente que pretende atravessar crises econômicas, mudanças tecnológicas e transições geracionais sabe que entusiasmo não sustenta crescimento, o que sustenta é estrutura, governança e planejamento.
Sabemos que, a grande maioria das histórias e dos legados não nasce ou permanece só de discursos, mas de decisões estratégicas ao longo do tempo.
Escrevo essa coluna a partir de um lugar de consistência, prática e um tiquinho de coragem. Muito prazer, sou Thiara Galdino, atuante na organização e consolidação de ambientes de inovação e investimento, acompanhando de perto o amadurecimento de ecossistemas no sul do país.
Iniciei minha trajetória de ecossistema de inovação, dentro da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia), não imaginava que sete anos depois, eu consolidaria uma visão clara sobre como os ecossistemas realmente se constroem. De uma parceria contínua com um escritório de advocacia focado no ambiente de inovação, aprendi na prática, que negócios de base tecnológica, investimentos e expansão exigem organização jurídica desde o dia Um, com planejamento e visão estratégica constante e essas relações institucionais não se mantêm por afinidade, mas por alinhamento técnico e continuidade de propósito que mudam ao longo do tempo.
Essa lógica se reforçou no meu crescimento dentro da SC Angels, uma das maiores redes de investidores anjos do Sul do país, e um espaço historicamente pouco feminino, permanecer ali não se resume a ocupar um lugar de diversidade, mas de compreender a engrenagem do investimento, a linguagem do capital, a dinâmica de conselhos e a responsabilidade que envolve decisões financeiras estratégicas no mundo das startups.
Aprendi na dor, que ecossistemas amadurecem quando as pessoas estão preparadas para sustentar funções técnicas, e não apenas representar presença.
E aqui, destaco o ponto que o trabalho de Aline Freitas se torna central para entender o que realmente está em jogo em posições desse patamar. À frente da Côncavo Consultoria, sua atuação não se limita a implementar planejamentos formais, mas sim, trabalhar com organização estratégica de empresas, estruturação de governança e qualificação de conselhos consultivos a partir de dados, indicadores e arquitetura decisória clara. Em um cenário empresarial predominantemente composto por pequenas e médias empresas familiares, sua contribuição reside em transformar crescimento intuitivo em crescimento estruturado.
Governança, nesse contexto, não é formalidade, é mecanismo de preservação patrimonial e continuidade empresarial. Conselhos consultivos deixam de ser instâncias simbólicas e passam a ser ambientes de análise estratégica, avaliação de risco e construção a longo prazo e a presença feminina nesses espaços não é bandeira, é competência técnica aplicada.
Essa mesma lógica de estrutura aparece na carreira internacional de Larissa Abreu, hoje à frente da Larion Global Business, com atuação consolidada na internacionalização de empresas brasileiras na América Latina, especialmente no México. Ela construiu a percepção de que expandir negócios para outros países exige domínio regulatório, planejamento tributário, entendimento cultural e estratégia de entrada em mercado, e isso vale muitas vezes até para mudança de cidade e estado dentro do próprio país. E todo esse movimento, não pode ser baseado em ousadia isolada, mas sim, em projeto estruturado. Acompanho sua trajetória, e ela evidencia a visão global com base jurídica e planejamento sólido para gerar resultado sustentável ao longo do tempo.
Se ampliarmos o olhar, perceberemos que ecossistemas também dependem da formação de lideranças preparadas para ocupar posições estratégicas, e é exatamente onde Néllys Corrêa atua: desenvolver mulheres por meio de mentoria, inteligência emocional e posicionamento estratégico.
Uma frase que, para mim, sintetiza um princípio essencial dessa construção: “Hoje, transformar mulheres, fortalecer identidades e provocar consciência me move mais do que qualquer título. Não pela visibilidade, mas pela responsabilidade de deixar um legado”. O desenvolvimento humano, quando tratado com profundidade, é parte da infraestrutura invisível que sustenta ambientes empresariais maduros sem foco em títulos e bandeiras.
Essa construção de comunidades estratégicas exige arquitetura própria e Andrea Bigaiski, com trajetória sólida em eventos, inovação e gestão de comunidades, demonstra que eventos não são apenas espaços de encontro, mas ferramentas de articulação permanente que só se fortalece quando há continuidade, curadoria qualificada e capacidade de transformar relacionamento em oportunidade concreta.
Quando conectamos essas trajetórias, o padrão que emerge não é o da narrativa inspiracional, mas o da organização estrutural com foco TOTAL em planejamento estratégico, governança empresarial, internacionalização estruturada, desenvolvimento de liderança e construção de comunidades como pilares interdependentes de um ecossistema maduro e longínquo.
Aprendi ao longo dos anos, que a mensagem não precisa ser proclamada em tom de manifesto para existir, mas se tiver prática, planejamento e consolidação, ela estará visível na vivência.
Estamos ocupando conselhos, estruturando empresas, organizando investimentos, expandindo fronteiras e formando lideranças, não como exceção simbólica (por mais simbólico que essas ocupações possam ser), mas como parte da arquitetura permanente do ambiente de inovação empresarial.
Ecossistemas que pretendem durar não se apoiam em discursos episódicos, mas se sustentam em consistência técnica, novas perspectivas estratégicas e continuidade estratégica.
E essa construção está acontecendo no AGORA, muitas vezes em silêncio, mas com método, competência e presença feminina consolidada.