Em um ambiente corporativo marcado por complexidade crescente, múltiplas demandas e pressão por resultados, uma pergunta se repete entre executivos de alta liderança. Onde concentrar a atenção? O desafio não está em escolher entre estar ou não na operação, mas em definir que tipo de presença a liderança deve exercer sem perder visão estratégica, tempo para pensar e sem se tornar um gargalo decisório. Quando isso não é claro, a estratégia fica para quando sobrar tempo, o que raramente acontece.
Conforme a especialista em liderança e coaching e sócia da Quantum Development, Susana Azevedo, o desequilíbrio surge quando a presença é confundida com controle. “Muitos líderes entram na operação para resolver urgências, decidir detalhes ou compensar falhas do sistema. O resultado são agendas lotadas, decisões concentradas no topo e equipes dependentes. No extremo oposto, o afastamento excessivo preserva tempo, mas enfraquece a conexão com a realidade do negócio. Lideranças eficazes entendem que estar presente não é fazer mais, é fazer e estar diferente”.
A presença produtiva ocorre quando o líder se aproxima para ampliar o pensamento da organização, para questionar e não para oferecer respostas prontas. Isso se traduz em conversas sobre critérios de decisão, qualidade da execução e impacto para o cliente, em vez de revisões minuciosas de cada etapa. “Rituais bem desenhados criam proximidade sem microgestão.
Reuniões curtas e recorrentes, orientadas por prioridades, riscos e aprendizados, geram clareza, reforçam padrões e ampliam a autonomia das equipes”, define a especialista.
Segundo Susana, para separar o essencial do acessório, uma pergunta orienta a agenda da alta liderança. “Este tema exige pensamento sistêmico, responsabilidade institucional ou definição de padrões? Se não, é delegável. O papel do líder não é decidir tudo, mas criar as condições para que boas decisões aconteçam em todos os níveis”.
A especialista destaca ainda que tecnologia e inteligência artificial ajudam quando reduzem ruído e qualificam a informação, mas só funcionam com escolhas claras. A IA apoia processos, mas não substitui o núcleo da liderança, que é priorizar, dar sentido e modelar comportamentos.
No fim, liderança estratégica não é se afastar da operação, mas arquitetar a forma como o trabalho acontece. Desenhar rituais, processos e práticas que sustentem desempenho, aprendizado e criação de valor é o que permite que a organização funcione mesmo quando o líder não está presente.
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na sua profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que possuem mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a Quantum Development tem em seu portfólio de clientes empresas como Grupo Leveros e Uappi.


