O amadurecimento do e-commerce brasileiro tem levado médias e grandes empresas a reverem suas estratégias digitais. O modelo tradicional, centrado exclusivamente no B2C e dependente de investimentos crescentes em mídia paga, já não sustenta o ritmo de expansão exigido por um mercado mais competitivo, com consumidores mais exigentes e margens cada vez mais pressionadas. As operações multimodelos que integram B2C, B2B, B2B2C e marketplaces passaram a ocupar um papel estrutural no crescimento do setor.
Para a Uappi, empresa de tecnologia especializada em plataformas de e-commerce para operações multimodelos, esse movimento reflete uma mudança profunda na lógica de crescimento das organizações. “A adoção de múltiplos modelos de venda é consequência direta do amadurecimento do e-commerce e da complexidade das estratégias de expansão das empresas. Hoje, sustentar crescimento apenas com campanhas de tráfego tornou-se inviável diante do aumento do custo de aquisição, da compressão de margens e da maior exigência do consumidor”, afirma a Head de Marketing da Uappi, Jessica Fragoso.
Ao diversificar seus canais e modelos de venda, as empresas passam a construir ecossistemas comerciais capazes de distribuir riscos, ampliar alcance e gerar maior previsibilidade de receita. Segundo a empresa, a combinação entre vendas diretas ao consumidor, operações B2B, redes de distribuidores, marketplaces próprios e parceiros cria jornadas distintas, com diferentes tickets médios, ciclos de compra e níveis de recorrência.
Esse avanço, no entanto, impõe um novo patamar de complexidade operacional. O crescimento multimodelo exige controle rigoroso de dados, regras comerciais, comissões, logística, estoque e performance por canal. “O multimodelo não é uma tendência passageira, é um movimento estrutural do ciclo do e-commerce. À medida que as empresas crescem, elas precisam de uma arquitetura tecnológica capaz de integrar e orquestrar toda essa complexidade com inteligência”, destaca Jessica.
Nos últimos anos, alguns segmentos lideraram esse processo de digitalização acelerada. Tecnologia e eletrônicos migraram rapidamente para o digital, impulsionados pelo comportamento de pesquisa e comparação online. Moda e beleza avançaram com força apoiadas pelas redes sociais e pelo social commerce. Já os setores de saúde e pharma expandiram sua presença digital pela necessidade de acesso, informação e conveniência. Paralelamente, marketplaces e modelos de venda direta ganharam relevância ao aproximar marcas e consumidores finais.
A Black Friday de 2025 reforçou esse cenário e evidenciou a maturidade das estratégias omnichannel e multimodelos. O período foi marcado pelo crescimento expressivo das vendas via marketplace, especialmente entre empresas que também mantêm operações próprias de B2C. Outro destaque foi a redução de rupturas e o ganho de eficiência operacional em negócios com múltiplos centros de distribuição, além da ampliação das vendas B2B digitais por meio de distribuidores, revendedores e representantes comerciais integrados à operação online.
Ao longo de quase duas décadas, a Uappi acompanhou a transformação do e-commerce de um canal isolado de vendas para o núcleo estratégico das operações empresariais. O que antes se resumia a uma loja virtual desconectada do restante da empresa evoluiu para um ecossistema integrado. Essa evolução também se reflete no comportamento do consumidor, especialmente em datas sazonais. A Black Friday deixou de ser um pico isolado para se tornar parte de uma estratégia contínua de relacionamento e conversão.
Cinco tendências que devem marcar o futuro do e-commerce no Brasil segundo a Uappi:
- – Crescimento consistente do mercado e consolidação do omnichannel;
- – Expansão acelerada das vendas B2B digitalizadas;
- – Avanço dos pagamentos digitais, Pix e novas experiências de checkout;
- – Experiência do consumidor cada vez mais personalizada, impulsionada por IA;
- – Ampliação do consumo cross-border (compra em sites estrangeiros) e da atuação internacional das marcas.


