Com uso estratégico do Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), a SIM – Caixa de Assistência à Saúde conseguiu melhora expressiva na sua nota regulatória junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que passou de 0,7940 em 2023 para 0,8843 em 2024, aproximando-se da faixa máxima atribuída pela ANS. O case foi apresentado durante o Blendus Summit, realizado na última quarta, 26, e quinta-feira, 27, em São Paulo.
No palco, a SIM mostrou que, ao estruturar um Comitê Interno do IDSS e integrar áreas como Faturamento, Regulação e Atenção Primária à Saúde (APS), obteve ganhos assistenciais e econômicos. O número de consultas com médicos de referência aumentou 73,26%, enquanto os atendimentos com clínicos gerais quase dobraram, passando de 17,42% para 34,06%. Além da melhora assistencial, a operadora registrou queda de 10,23% no custo mensal médio dos beneficiários idosos acompanhados com maior estrutura de cuidado. Entre as ações implementadas estiveram o uso de painéis de BI alimentados pelo padrão TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar), visitas domiciliares, telemonitoramento e campanhas educativas.
Este papel do IDSS como instrumento para indução de qualidade, diferenciação no mercado e apoio à tomada de decisão foi tema central do Blendus Summit, que reuniu representantes da ANS, gestores de operadoras, consultores e especialistas para discutir os rumos da regulação baseada em dados. Na abertura do evento, Rosana Neves, da Gerência de Padronização, Interoperabilidade e Análise de Informações e Desenvolvimento Setorial da ANS, e Flávia Tanaka, assessora de Informações Assistenciais da ANS, apresentaram as diretrizes futuras do programa regulatório. Ambas destacaram que operadoras acreditadas ou certificadas em Atenção Primária à Saúde (APS) tendem a ter melhor desempenho no IDSS, mesmo quando os bônus de certificação são desconsiderados.
Regulação conectada às necessidades do setor
Segundo Flávia, a agência trabalha para consolidar o padrão TISS como fonte de dados para o Monitoramento de Risco Assistencial (MRA). Ela falou também sobre a transição do Sistema de Informações de Produtos (SIP) para o TISS, prevista para entrar em vigor em março de 2026, buscando padronizar dados, ampliar a comparabilidade internacional e reduzir o custo regulatório para as operadoras. “Estamos avançando para uma regulação mais técnica, responsiva e conectada com as necessidades reais do setor”, afirmou.
Flavia reforçou a importância da governança de dados como eixo estratégico. “Não é mais possível fazer gestão com dados imprecisos ou desorganizados. O dado qualificado é ativo essencial para tomada de decisões, para o relacionamento com a ANS e para o cuidado assistencial eficiente”, disse. Ela destacou que operadoras que mantêm dados atualizados e integrados conseguem responder melhor às exigências regulatórias e se destacam no setor.
Com o tema “Muito além da nota: o valor estratégico do IDSS na jornada de saúde”, o Blendus Summit 2025 foi organizado pela Blendus, healthtech especializada em governança de dados regulatórios. “Foi um evento construído para promover uma virada de chave, mostrar que dados bem tratados geram decisões melhores, impulsionam o cuidado centrado no beneficiário e fortalecem a sustentabilidade das operadoras. Estamos diante de um novo ciclo na saúde suplementar”, afirma o CEO da Blendus, Flávio Exterkoetter. A empresa atua com mais de 100 operadoras de saúde no país e tem contribuído diretamente para a qualificação dos dados enviados à ANS, com impacto no desempenho dos clientes nos indicadores regulatórios.


