Empresas de tecnologia de Santa Catarina somam captações de quase R$ 2 bilhões em investimentos nacionais e do exterior

Levantamento feito pela Acate mostra a crescente atração de venture capital para o ecossistema catarinense no último ano.Foto: Divulgação/Acate.

A consolidação de Santa Catarina como um destaque no mercado de tecnologia nacional e internacional, que desperta a atenção de investidores e empresas de todo o mundo, tem refletido também em grandes cheques que caem nas contas de startups e empresas de tecnologia fundadas e sediadas no estado. Conforme levantamento feito pela Associação Catarinense de Tecnologia – Acate entre as empresas associadas, mais de R$ 1,8 bilhão foi captado pelas empresas nos principais movimentos no mercado ao longo de 2024 e nas primeiras semanas de 2025.

A estimativa da Acate considera os vários tipos de captação registrados no período por empresas que receberam investimentos de venture capital, rodadas de captação, debêntures e outros modelos, e apenas entre os negócios que tiveram as cifras divulgadas pelos envolvidos – o que indica que o valor é ainda maior.

Apenas nos últimos cinco meses, duas movimentações somadas já superaram a marca de R$ 1 bilhão em captações por empresas de Santa Catarina. Em outubro, o Asaas, de Joinville, captou R$ 820 milhões em rodada de investimento Série C liderada pela gestora Bond junto à Softbank, 23S Capital e Endeavor Catalyst – no primeiro aporte de fundos internacionais recebido pela fintech. Já nas primeiras semanas de 2025, foi consolidado também o investimento de R$ 240 milhões na Paytrack, de Blumenau, por parte da gestora de investimentos Riverwood Capital, dos EUA.

Ao longo do último ano, destacam-se outras captações em valores altos para empresas de diferentes portes. A Softplan, por exemplo, captou novos R$ 250 milhões com uma emissão de debêntures liderada pelo Banco Bradesco BBI no último mês de outubro. A tradicional desenvolvedora de softwares com sede em Florianópolis pretende utilizar o recurso para, entre outros objetivos, reforçar seu plano de aquisições de startups. Em maio de 2024, a startup Indicium alcançou em rodada Series A um aporte de US$ 40 milhões, algo em torno dos R$ 200 milhões, da venture-capital norte-americana Columbia Capital.

Outro movimento importante realizado já em 2025 foi da Involves, de Florianópolis, que levantou R$ 70 milhões em uma rodada de captação feita pela Bridge One. Grande parte do recurso será utilizado para a aquisição de um concorrente do Chile no mercado de softwares para trade marketing.

Para o vice-presidente de Marketing da Acate, Walmoli Gerber Jr, os números deixam claro que o ecossistema de inovação de Santa Catarina está recebendo atenção não apenas do mercado brasileiro, mas também internacional, visto que grande parte do investimento vem de fora, inclusive do Vale do Silício. “Mesmo fora do eixo RJ-SP, a estrutura confiável, descentralizada e com alicerces fortes de um empreendedorismo saudável e sustentável criada em SC se mostra uma referência internacional. A ACATE acompanha e fomenta esse movimento há quase 40 anos, e aproximar o setor de TI com os investidores é uma das nossas prioridades”.

Junto das captações que injetam recursos no caixa, as empresas de tecnologia de Santa Catarina também vivem um momento ativo no mercado em aquisições de outros negócios. De acordo com os dados da Acate, ao menos R$ 100 milhões foram utilizados nos últimos meses por empresas associadas em processos de M&A, contando apenas os negócios que tiveram valores revelados, como a aquisição feita pela Senior Sistemas, de Blumenau, da empresa paulista GAtec Gestão Agroindustrial por quase R$50 milhões.

Programa voltado aos investidores

Com o objetivo de aproximar ainda mais o ecossistema de inovação catarinense de possíveis investidores, a Acate lançou no ano passado o programa Acate Invest. O projeto promove a conexão entre startups e investidores anjo, fundos de investimentos e corporações. De um lado, interessados em investir podem se associar à Acate e fazer parte de uma comunidade estratégica, do outro lado, as empresas podem se inscrever em busca de investimentos, capacitação e networking.

O Acate Invest também fornece aos investidores uma curadoria das startups que atendam às suas teses de investimento, com um banco de informações atualizadas sobre os negócios e uma ferramenta de Deal Flow para facilitar a conexão e garantir o sucesso do investimento.

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